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Visita Comentada dedicada ao artista Jaime Fernandes

5 de Dezembro, 2023

A exposição “Portreto de la Animo” e as atividades paralelas são o foco do programa «Arte & Saúde» em 2023, prosseguindo com oferta cultural orientada à minimização do impacto da doença mental.

 

Portreto de la Animo pode ser visitada de terça a domingo, das 10h00 às 18h00.

 

Inscrições online

A programação paralela da Exposição Portreto de la Animo Art Brut Etc. propõe, no dia 13 dezembro, pelas 13h30, uma visita comentada por Miguel Almeida, do Centro de Arte Oliva, dedicada ao artista Jaime Fernandes (Portugal, 1899 – 1969). Inscrições a decorrer.

 

“Jaime Fernandes e? inequivocamente o mais reconhecido artista da Arte Bruta/Outsider Portuguesa. Porém, este reconhecimento acontece sobretudo fora do país, facto que se explica quer pela perda de uma grande parte da sua obra, quer porque a maioria remanescente se encontra dispersa em coleções no estrangeiro.

 

Esta obscuridade prende-se com factos a que não são estranhas as circunstâncias da sua vida isolada, a forma como desenvolveu a sua obra e como esta posteriormente circulou: diagnosticado com esquizofrenia em 1938, Jaime foi internado por mais de três décadas no Hospital Miguel Bombarda (Lisboa), onde viria a morrer em 1969.

 

De acordo com testemunhos e referências feitas aos desenhos nos registos clínicos do hospital, e com as cartas que escrevia a? mulher,  Jaime Fernandes começou, de forma inesperada, a desenhar aos 66 anos, quatro anos antes da sua morte.

 

A totalidade da sua obra conhecida e? composta por desenhos não datados, feitos com esferográficas coloridas sobre diversos tipos de papel. Neles um reduzido formulário de figuras, entre as quais animais imaginários, figuras humanas ou antropomórficas surgem e ressurgem em inúmeras variações, sempre desenhadas numa densa trama de linhas.

 

As cartas, outros escritos e os seus desenhos foram filmados, já depois da sua morte, por António Reis e Margarida Cordeiro, dando origem ao filme Jaime (1974), que marcou o primeiro momento público de divulgação da obra do artista.

 

Recuperando as palavras de António Reis, Jaime Fernandes «tinha perfeita noção do espaço a ocupar pelo desenho ou pintura. Como estava limitado pelas pequenas dimensões do papel, muitas das suas figuras-homens têm os braços caídos ou levantados, enquanto as figuras-animais têm a cauda caída. Portanto, as atitudes do desenho estão sempre em função da delimitação do papel, para a qual ele achava sempre uma solução plástica genial. É possível que também estejam ligadas a uma estereotipia emocional, obsessiva e a arquétipos…»”

 

Fonte: Centro de Arte Oliva

124º Aniversário de Nascimento de Salvador Barata Feyo

5 de Dezembro, 2023

Nascido a 5 dezembro de 1899, em Angola, Salvador Barata Feyo destacou-se como figura maior da segunda geração de escultores modernistas portugueses, sendo autor de uma obra vasta e diversificada.

 

Salvador Barata Feyo foi diretor do Museu Nacional Soares dos Reis de 1950 a 1961. Ficou reconhecido por uma política dinâmica de aquisições de obras de arte. Deve-se à direção do escultor Salvador Barata Feyo a aquisição de obras de autores contemporâneos, adeptos de correntes artísticas ainda em definição.

 

Salvador Barata Feyo cria uma sala dedicada à Arte Contemporânea, reedita o roteiro sumário do Museu, lança o catálogo da coleção da Lapidária e o guia da coleção do Museu Nacional Soares dos Reis.

Escultor, ensaísta e pedagogo, foi como estatuário que mais se notabilizou. Ingressa na Escola de Belas-Artes de Lisboa em 1923, frequentando os cursos de Pintura e Arquitetura, antes de se dedicar à Escultura, curso que conclui em 1929.

 

Em 1933 ganha uma bolsa do Instituto de Alta Cultura e parte para Itália. Participa na Exposição do Mundo Português em 1940 (estátua de D. João I) e, em 1949, começa a lecionar na Escola Superior de Belas-Artes do Porto, fixando residência na cidade.

 

Ao longo das décadas de 40 e 50, o seu trabalho ganha notoriedade e reconhecimento, recebendo numerosos prémios, como o prémio de Escultura Mestre Manuel Pereira (1945 e 1951), o Grande Prémio de Escultura da Fundação Calouste Gulbenkian (1957) ou o primeiro lugar no concurso para o monumento ao Infante D. Henrique (Sagres, 1958). É autor, por exemplo, do busto de Silva Porto, inaugurado em 1950, no Jardim de S. Lázaro, no Porto (na foto).

 

Entre 1950 e 1960, Barata Feyo acumula a atividade artística e docente com a direção do Museu Nacional Soares dos Reis, assumindo posteriormente o cargo de Conservador Adjunto dos Museus e Palácios Nacionais.

 

Também se dedica ao desenho e à atividade como escritor, sendo autor dos livros A Escultura de Alcobaça (1945) e José Tagarro (1960), e de inúmeros artigos sobre artistas no jornal O Comércio do Porto. (a partir de texto de Joana Baião)

Visita Orientada dedicada ao tema «Escultura de Devoção»

4 de Dezembro, 2023

Sábado, 9 dezembro, 11H00
Duração: 1h (aprox.)
Visita orientada por Adelaide Carvalho
Mínimo de 5 pessoas e máximo de 20 pessoas

Inscrições aqui

 

Iniciativa exclusiva para membros do Círculo Dr. José Figueiredo – Amigos do Museu Nacional Soares dos Reis.

No âmbito da programação proposta para o mês de dezembro, decorre no dia 9, pelas 11 horas, uma visita orientada dedicada ao tema «Escultura de Devoção do século XIII ao século XVIII».

 

De diferentes épocas, proveniências e materiais. Assim é a escultura que vamos observar nesta visita orientada. Descontextualizada do espaço original, a sua história interliga-se com a do Museu.

 

O Museu Nacional Soares dos Reis tem origem no Museu de Pinturas e Estampas e outros objetos de Belas Artes, criado em 1833 por D. Pedro IV de Portugal, primeiro Imperador do Brasil, para salvaguarda dos bens sequestrados aos absolutistas e conventos abandonados na guerra civil (1832-34).

 

Com a extinção das ordens religiosas recolheram-se obras, entre outros, nos mosteiros de Tibães e de Santa Cruz de Coimbra. Conhecido como Museu Portuense, ficou instalado no extinto Convento de Santo António da Cidade, na praça de S. Lázaro, vindo a ser formalizado por decreto em 1836 por D. Maria II.

Faça parte dos Amigos do Museu

Beneficie de vantagens exclusivas. Saiba mais aqui.

134º Aniversário de Nascimento de Heitor Cramez

1 de Dezembro, 2023

Assinala-se, hoje, 1 de dezembro, o aniversário de nascimento de Heitor Cramez, artista transmontano de nascimento e portuense de adoção. Nas suas obras destacam-se os retratos e as paisagens, mas foi como professor de desenho que legou um valioso contributo para a renovação do ensino académico.

 

Heitor Cramez nasceu em Vila Real em 1889, tendo vindo para o Porto em 1905, para frequentar a Escola de Belas Artes, onde teve como professores mais marcantes José de Brito, em Desenho, e Marques de Oliveira, em Pintura. Teve sempre boas classificações e os ensinamentos dos mestres vincaram a sua obra, sobretudo pela correção do desenho.

 

De entre os companheiros de Escola é de salientar Joaquim Lopes (na imagem ao lado, num retrato de autoria de Heitor Cramez), seu futuro colega na docência da mesma Escola, Diogo de Macedo, grande amigo de toda a vida e que fará parte do grupo de artistas com quem convive em Paris, bem como Armando de Basto. Terminado o curso, ganhou uma bolsa para prosseguir os estudos em Paris, como pensionista do Estado, o que só se concretizou depois de terminada a 1ª Guerra Mundial.

 

Matriculou-se na Escola de Belas Artes, onde teve como professor Cormon e frequentou o círculo de artistas portugueses que, nos anos 20, se encontravam naquela cidade, alguns dos quais, de regresso a Portugal, iriam ter um papel relevante na renovação do panorama artístico nacional. Foram seus amigos e companheiros de tertúlia artistas como Francisco Franco, Manuel Jardim, Abel Manta, Diogo de Macedo ou Dórdio Gomes. Com este último manteria sempre uma relação de amizade, reforçada mais tarde pela vinda de ambos para o Porto, onde ensinaram na Escola de Belas Artes.

Regressado de Paris, Heitor Cramez foi durante alguns anos professor do Ensino Técnico em Vila Real e, posteriormente, da Escola de Artes Decorativas Soares dos Reis, no Porto, ingressando em 1948 na Escola de Belas Artes desta cidade, como professor de Desenho, lugar que ocupou até ao jubileu em 1959.

 

Foi, aliás, neste âmbito que o contributo de Cramez para a evolução artística, sobretudo no que diz respeito ao meio portuense, se revelou mais valioso, porque pertenceu a uma geração de professores cuja atividade proporcionou a renovação do ensino académico, formando gerações de novos artistas em moldes mais modernos e com uma maior abertura a novas correntes e formas de expressão.

 

A obra de Heitor Cramez é variada, mas nela sobressaem os retratos, de cariz intimista, e as paisagens, onde predominam as serranias transmontanas, reflexo das suas raízes de que tanto se orgulhava. A estadia em Paris e o convívio com os artistas já citados não podiam deixar de influenciar a sua obra. Exigente e modesto em relação ao seu trabalho, Heitor Cramez participou em poucas exposições, confinando-se quase exclusivamente ao Porto.

 

A obra de Heitor Cramez encontra-se sobretudo em coleções particulares, quer em Portugal, quer em França, o que a torna pouca conhecida do grande público.

 

Morreu em Mira, Coimbra, em 30 de Agosto de 1967.

Reunião preparatória para simulacro de incêndio no Museu

30 de Novembro, 2023

Decorreu, esta manhã, uma reunião preparatória do simulacro de incêndio que, em breve, será realizado no Museu Nacional Soares dos Reis, no âmbito da contínua revisão e atualização do Plano de Segurança existente.

 

A reunião contou com a presença de representantes da Proteção Civil, Polícia de Segurança Pública, Batalhão de Sapadores Bombeiros e da empresa responsável pela realização do simulacro.

O objetivo do exercício a realizar visa a melhoria da capacidade de resposta da equipa do Museu a um eventual caso de incêndio nas instalações do Palácio dos Carrancas, garantindo não só a evacuação de pessoas, mas também a salvaguarda das obras que integram o acervo museológico (Simulacro de Intervenção e Evacuação de Bens Culturais).

 

A realização destas reuniões permite criar novas sinergias e cooperações mais estreitas entre o Museu Nacional Soares dos Reis – enquanto instituição que gere bens culturais – e os diferentes serviços que integram a Proteção Civil, tendo em vista uma gestão mais eficaz em situações de crise, com controlo e redução de perdas e danos.

130º Aniversário da Morte do artista Francisco José Resende

30 de Novembro, 2023

Assinala-se hoje, 30 novembro, o 130º Aniversário da Morte de Francisco José Resende, artista que, seguindo na esteira de Roquemont com uma pintura de género a valorizar o lado pitoresco dos costumes, marcou lugar na história do romantismo português.

 

Francisco José Resende de Vasconcelos nasceu no Porto a 3 de dezembro de 1825. Estudou no ateliê de Augusto Roquemont, cuja influência se fez sentir na sua pintura, e frequentou a Academia Portuense de Belas Artes.

 

A partir de 1851, passou a ocupar nesta mesma Academia o cargo de professor substituto da cadeira de Pintura Histórica, nomeação feita por decreto especial, firmado pela Rainha D. Maria II.

Com o objetivo de finalizar a sua aprendizagem artística partiu para Paris em 1854, custeado particularmente pelo rei D. Fernando II, ingressando no ateliê de Adolphe Yvon, onde trabalhou sob a sua direção durante 5 anos. De volta a Portugal, retomou o seu lugar na Academia Portuense de Belas Artes, prosseguindo com as mesmas funções de regente da cadeira de Pintura Histórica até ser jubilado.

 

Realizou obra vasta e variada, marcada por algumas quebras da qualidade que lhe valeram, ainda em vida, acesas críticas por parte de alguns colegas. Conhecido pela pintura de género, onde fixou tipos e costumes populares das regiões nortenhas, Resende pintou também inúmeros retratos, algumas paisagens, flores e naturezas mortas. A sua atividade artística passou pela miniatura, pontualmente pela escultura, estendendo-se à crítica literária colaborando em vários jornais, com destaque para “O Comércio do Porto”.

 

Participou em numerosas exposições em Portugal e no estrangeiro, nomeadamente Paris, Madrid e Londres, onde foi premiado com uma medalha de prata atribuída ao quadro “Pescadores de Leça”. Seguindo na esteira de Roquemont com uma pintura de género a valorizar o lado pitoresco dos costumes, Resende marcou lugar na história do romantismo português.

 

Francisco José Resende faleceu a 30 novembro de 1893. Seis anos após a morte do artista, Claire, sua filha, doou a tela “Amai-vos uns aos outros” (pormenor na foto) à Academia Portuense de Belas Artes, quadro que hoje integra o acervo do Museu Nacional Soares dos Reis.

Programação de Natal no Museu Nacional Soares dos Reis

30 de Novembro, 2023

O Museu Nacional Soares dos Reis oferece, em dezembro, um programa de atividades evocativo da quadra natalícia, tendo como inspiração a renovada exposição de longa duração.

 

Visitas temáticas, sessões comentadas, oficinas e concertos fazem parte do calendário proposto.

A primeira iniciativa decorre a 2 e 9 de dezembro, com uma oficina de criação do cartão postal dirigida a maiores de 16 anos.

 

A pensar nas famílias será realizada uma oficina de construção de um móbil alusivo ao Natal a 16 de dezembro.

 

Em período de férias escolares, a 20 e 21 de dezembro, o Serviço de Educação dinamiza oficinas de construção de postais de Natal para crianças e jovens dos 7 aos 12 anos.

 

Nas sessões comentadas, destaca-se a sessão dedicada à pintura Visitação, de Aurélia de Souza, escolhida pelos seguidores das redes sociais do Museu Nacional Soares dos Reis como peça do mês. Na tela, a artista representa num espaço interior doméstico uma mulher vestida de negro a fazer uma vénia a um anjo. A sessão comentada realiza-se a 13 de dezembro, às 18h, com repetição dia 15, às 13h30.

 

Já as visitas temáticas decorrem entre os dias 8 e 22 de dezembro e percorrem cenas alusivas à natividade em pinturas e esculturas presentes na exposição de longa duração. O Museu Nacional Soares dos Reis propõe, igualmente, visitas comentadas que estimulam a abordagem sobre a descoberta de novos lugares, percorrendo as origens da produção artística, e a importância da Arte portuguesa na encruzilhada dos tempos (1900) e dos materiais utilizados para a produzir, tanto na pintura como no têxtil.

 

Ainda em dezembro, o Auditório do Museu Nacional Soares dos Reis acolhe dois concertos com entrada gratuita. A 16 de dezembro (sábado), às 16h, o Ensemble Music Theater traz música-cénica num repertório de 12 obras para piano, violino e violoncelo.

 

A 19 de dezembro (terça-feira), às 21h30, o Coral Vox Cantabile, o Grupo vocal “MSS Voices” e o Ensemble de Cordofones da Escola de Música Maestro Samuel Santos apresentam um Concerto de Natal, abarcando diferentes estilos, desde a música gospel à música tradicional americana.

Obra de Augusto Roquemont causa “forte sensação” em Lisboa

29 de Novembro, 2023

Em 1843 (há precisamente 180 anos), Augusto Roquemont causou “forte sensação” em Lisboa, na Exposição Trienal da Academia de Belas Artes, com alguns quadros de costumes.

 

Considerada até então uma temática sem interesse, valeu o comentário de Almeida Garrett quando, defronte de um dos quadros expostos, proclama acerca do pintor: “artista português legítimo, como oxalá que sempre sejam todos os nossos naturalistas”.

Filho natural do príncipe e general alemão Frederico Augusto de Hesse-Darmstad, nasceu a 2 de junho de 1804, em Genebra, Suíça. Aos 8 anos inicia os seus estudos num colégio em Paris e com 14 anos vai para Itália onde se fixa até ao ano de 1827, para fazer a sua formação artística. Roma, Veneza, Bolonha e Florença são as cidades escolhidas para a sua aprendizagem. Alcança em 1820, na Academia de Belas Artes de Veneza, o 1º prémio numa prova de exame.

 

Veio para Portugal em 1828 a pedido do pai. O príncipe apoiava politicamente D. Miguel I que conhecera em Viena. Roquemont, na qualidade de seu secretário particular, acompanhou-o durante a sua permanência em Portugal e por cá ficou depois de regressar à Alemanha.

 

A zona Norte do país foi a escolhida para fixar residência e Guimarães e Porto são as cidades mais importantes onde decorre a sua vida. À primeira liga-o o início da sua estadia em Portugal, onde foi hóspede do conde da Azenha – miguelista convicto – ali permanecendo longas temporadas. Influência miguelista, não foi alheia a sua nomeação em 1831 para professor da Aula de Desenho da Academia Real da Marinha e do Comércio, cargo que recusou para se dedicar inteiramente à pintura.

 

Com estadias pontuais em Lisboa, fixa-se em 1847 definitivamente na cidade do Porto, onde vem a falecer em 1852.

 

Mestre de Francisco José Rezende e João Correia, marca profundamente a primeira geração de pintores românticos. Estes, atentos ao realismo com que Roquemont tratava os seus retratos e à grande novidade introduzida na pintura portuguesa, através de quadros de paisagem e de costumes – um dos temas preferidos do Romantismo – deixam-se influenciar, contribuindo para um professorado benéfico que viria a colher os seus frutos na segunda metade do século XIX. Para além da técnica da pintura a óleo, Roquemont executou também trabalhos a lápis, carvão e esfuminho.

 

Imagem: Óleo sobre tela Procissão de Augusto Roquemont

Henrique Pousão: o regresso a Portugal há 140 anos

28 de Novembro, 2023

Henrique Pousão nasceu em Vila Viçosa, onde viria também a morrer, aos 25 anos.

 

Ingressou na Academia Portuense de Belas-Artes, tendo-se sagrado como pintor da primeira geração naturalista, e foi pensionista do Estado em França e Itália.

 

A pintura de caminhos e ruas, pátios, casas, aspetos de Paris, testemunha o seu percurso criativo, que culmina nas estadias em Roma e Capri.

 

Desde cedo que a família lhe reconhecera talento, manifesto sobretudo em retratos a lápis. Com 10 anos passa a residir em Barcelos e, em 1872, fixa-se no Porto. É nesta cidade que frequenta o atelier do pintor António José da Costa para preparar a entrada na Academia Portuense de Belas-Artes (1872).

 

Muito influenciado por Marques de Oliveira, regressado de Paris em 1879, Pousão ganha o concurso de pensionista, chegando a Paris no final do ano de 1880, acompanhado de Sousa Pinto (1856 – 1939).

Antes de ingressar no atelier de Cabanel e de Yvon, visitou galerias de arte e museus tanto em Paris, como em Madrid.

 

Neste ano, muda-se para Roma, onde aluga um atelier e, em 1882, produz significativas obras, também em Nápoles e Capri.

Paisagens de um poético e vibrante cromatismo, em exercícios de captação de luz, pinturas de género como Cecília, e retratos, com Senhora Vestida de Preto, realizado já em Paris, revelam a sua modernidade, invulgar no panorama artístico português.

 

No final de 1883, já doente, decide regressar a Portugal. A viagem foi efetuada via Génova, passando por Marselha e Barcelona, onde pinta “Cais de Barcelona” (na imagem ao lado).

 

Em março de 1884, poucos dias antes de falecer pinta “Um ramo de flores” (na imagem superior).

 

A sua obra, que revela o arrojo e o talento do jovem pintor e o seu interesse absoluto nos valores da pintura em si em detrimento dos temas ou da narrativa, foi entregue, após a sua morte prematura, à Academia Portuense de Belas Artes.

 

Na coleção do Museu Nacional Soares dos Reis, a obra de Henrique Pousão está fortemente representada com destaque para as obras “Casas Brancas de Capri”, “Senhora Vestida de Preto” e “Janelas das Persianas Azuis”, todas classificadas como tesouros nacionais.

Cais de Barcelona, Henrique Pousão

142º Aniversário de Nascimento de Eduardo Afonso Viana

28 de Novembro, 2023

Considerado um dos maiores pintores da primeira geração do modernismo nacional, Eduardo Afonso Viana nasceu a 28 novembro de 1881, em Lisboa.

 

Frequentou a Academia de Belas Artes de Lisboa, onde foi discípulo, entre outros, de Veloso Salgado, entre 1896 e 1905. Neste mesmo ano partiu para Paris, tendo frequentado o ateliê de Jean-Paul Laurens na Academia Julian.

 

Ao longo de todo este período participou em várias exposições em Portugal. Regressa de Paris em 1915 e, durante cerca de dois anos, convive com Sonia e Robert Delaunay, refugiados em Portugal em consequência da guerra e instalados em Vila do Conde.

Eduardo Viana realizou a sua 1ª exposição individual no Porto, na Galeria da Misericórdia, em 1920 e, em 1921 outra, em Lisboa. Nesta cidade realizará a sua terceira e última exposição individual, em 1923.

 

Neste ano colabora em Lisboa, na exposição dos Cinco Independentes (Dórdio Gomes, Henrique e Francisco Franco, Alfredo Migueis e Diogo de Macedo). Organizou o primeiro Salão de Outono na Sociedade Nacional de Belas Artes (SNBA), em 1925, exposição que marcou uma nova fase artística no país e, logo em 1926, participa no segundo Salão de Outono, ao lado de António Soares, José Tagarro e Carlos Botelho, entre outros.

 

Entre 1930 e 1940, Viana reside durante longos períodos em Paris e Bruxelas. Em 1965 recebe o Prémio Nacional de Arte do Secretariado Nacional de Informação e, em 1967, participa na Exposição Internacional de Bruxelas.

 

No Porto, em dezembro de 1967, passados poucos meses da sua morte, realiza-se, na Galeria Alvarez, uma mostra dos quadros, alguns inacabados, deixados no ateliê do pintor. Logo no ano seguinte, em abril, realizou-se a primeira exposição retrospetiva da sua obra, organizada pelo Secretariado Nacional de Informação.

 

Eduardo Viana é o mais velho de um grupo de pintores, nascidos entre 1881 e 1893, que marcaram a primeira geração moderna portuguesa: Viana, Amadeo, Santa Rita e Almada.

 

O convívio com Amadeo e com Robert e Sónia Delaunay levaram-no a fazer experiências e a compor obras de tendência abstratizante. Documentos fundamentais da modernidade portuguesa, as pinturas que realiza, em 1925, para a decoração do café A Brasileira, paisagens de Sintra e do Algarve, a par dos nus deste mesmo ano, “pintura-programa” do artista, são exemplos da maturidade que atinge e expressa em sensualismo cromático.

 

A partir de 1940, definitivamente em Portugal, isolado de tudo e de todos, concentra-se na natureza-morta, tema quase exclusivo da sua pintura a partir de então.

Inscrições para a Visita Orientada «O Mundo no Museu»

27 de Novembro, 2023

Público
Jovens e adultos

 

Duração
50 minutos

 

Inscrições
Formulário online (com 48 horas de antecedência)

A primeira visita orientada do mês de dezembro, no Museu Nacional Soares dos Reis, propõe um roteiro exploratório pela Exposição de Longa Duração.

 

Agendada para o próximo dia 8 dezembro, com entrada gratuita, nesta visita inicia-se uma viagem que permite falar sobre novos lugares e construir novas memórias.

 

Poderá o mundo caber num Museu? Uma viagem começa num lugar que tem em si muitos lugares e muitas memórias: o Museu. Mas até onde seremos capazes de ir e que lugares poderemos conhecer?

 

As inscrições estão a decorrer.

 

Um dos pontos de paragem desta visita será junto aos Biombos Namban (Japão/ Escola de Kano).

A presença dos portugueses nos portos do sul do Japão e o contacto com uma nova cultura em finais do século XVI é o tema destes biombos. A composição de grande formato apresenta uma colorida panorâmica sobre um fundo de ouro.

 

Uma meticulosa representação interpreta os trajes e os símbolos de um lucrativo comércio de produtos de luxo, as sedas, as porcelanas, os pequenos móveis e um elemento poucas vezes retratado, a arca da prata.

 

No primeiro biombo, destaca-se uma nau, embarcação de grande porte, e o desembarque dos viajantes e suas mercadorias. No segundo biombo mantém-se a narrativa da atividade comercial e documenta, ainda, a presença dos missionários da Companhia de Jesus. Em plano de fundo a missão cristã é assinalada por uma cruz e os portugueses testemunham, exibindo práticas locais, um amplo encontro cultural.

Salão Piolho: cine-concerto em estreia absoluta

27 de Novembro, 2023

O ciclo Salão Piolho, iniciativa da Fundação Inatel, estreia-se, este ano, no Museu Nacional Soares dos Reis, com uma sessão agendada para o próximo dia 1 dezembro.

 

Dando seguimento ao espírito dos antigos Cinemas Piolho, que se “propagavam” pelas grandes cidades do país, por locais tantas vezes improvisados, assim segue o Salão Piolho na sua 7ª edição, percorrendo as cidades de Leiria, Porto e Lisboa.

O ciclo Salão Piolho, iniciativa da Fundação Inatel, estreia-se, este ano, no Museu Nacional Soares dos Reis, com uma sessão agendada para o próximo dia 1 dezembro, pelas 15 horas. Será exibido o filme «A Rosa do Adro», pelo projeto musical Hibridux, num cine-concerto em estreia absoluta. Entrada livre, sujeita à lotação do espaço.

 

1 Dez | Sex. | 15h | Museu Nacional Soares do Reis

A ROSA DO ADRO de Georges Pallu | Com Hibridux | M/12

1919 | 76 min. | Portugal | Com Maria de Oliveira, Carlos Santos Erico Braga

 

Hibridux

Projeto musical que surge da fusão criativa de Luís Peixoto – Dazkarieh, Ana Bacalhau, Júlio Pereira – e DJDeão – Charanga, Tem.pô, Eliseo Parra, Hibridux é a confluência de duas espécies musicais preexistentes na cena da música eletrónica tradicional portuguesa. Com um amplo espectro de estilos, desde techno melódico até dubstep, esta espécie única harmoniza essas vertentes sem esforço. Além disso, incorpora elementos da tradição musical ibérica na sua composição genética, proporcionando uma experiência musical inovadora que é, ao mesmo tempo, surpreendentemente familiar. Uma viagem musical que desafia os limites dos géneros e expande horizontes.

 

O Salão Piolho reabre assim as suas “portas” a todos aqueles que adoram o Cinema, a Música e o Património, estreando-se no Museu Nacional Soares dos Reis.

 

A sétima edição do ciclo Salão Piolho, iniciativa da Fundação Inatel, conta com um total de 12 concertos em diferentes espaços, convidando músicos portugueses a criar abordagens sonoras a clássicos do cinema mudo.

 

No Salão Piolho, que vai buscar o nome aos sítios onde, antigamente, era exibido cinema, estes clássicos surgem acompanhados de bandas sonoras de música portuguesa, desde a folk, à música tradicional, ao jazz e eletrónica.

135º Aniversário de Nascimento de Fernando de Castro

26 de Novembro, 2023

Assinala-se, hoje, 26 novembro, o 135º aniversário de nascimento de Fernando de Castro, colecionador e empresário portuense. O Museu Nacional Soares dos Reis é responsável pela gestão da sua Casa-Museu, no Porto.

 

O acervo da Casa-Museu Fernando de Castro é constituído por diferentes coleções reunidas ao longo de várias décadas. É composto, maioritariamente, por arte religiosa com representações eruditas e de cariz popular, pintura naturalista portuguesa e artes decorativas. Destaca-se, ainda, um interessante núcleo de caricaturas e alguns livros da autoria de Fernando de Castro, colecionador, artista e poeta.

Fernando de Castro (Sé, 26 nov. 1888 – Paranhos, 7 out. 1946) foi um colecionador e empresário portuense reconhecido pela sua veia poética manifesta em publicações, com gosto pela leitura e inclinação para o desenho tendo criado várias séries de caricaturas.

 

Fernando de Castro viveu na rua das Flores junto da loja do pai, cujo negócio prosperou em vidros, espelhos e papéis pintados. Entre 1893-1908, o empresário empenhou-se na construção de uma nova casa situada na Rua de Costa Cabral, no Porto.

 

Desde cedo, Fernando de Castro cresceu dentro de um imaginário pleno de figuras de estilo e de ícones, em particular no que diz respeito ao mobiliário e recheio da casa de Costa Cabral— património que conservou e respeitou após a morte do pai em 1918.

 

Na idade adulta, desenvolveu os seus interesses culturais num círculo de amigos ligados aos negócios e com um gosto particular pelas artes e letras. Terá sido após a morte da mãe em 1925 que Fernando de Castro fez novas aquisições de peças.

 

A Casa-Museu Fernando de Castro é administrada pelo Museu Nacional Soares dos Reis desde 1952, promovendo diversas visitas guiadas ao espaço.

 

O acesso à Casa-Museu Fernando de Castro é feito, sempre, por marcação prévia online e sujeita a confirmação de disponibilidade. Em visitas de grupo, o número máximo é de 10 participantes.

 

 

Imagem de capa

Retrato de Fernando de Castro, óleo sobre tela, de Alberto Joaquim da Silva, 1933

Serviço Educativo propõe Oficina «Cartão postal e as memórias de Natal»

24 de Novembro, 2023

Cartão postal e as memórias de Natal

2 dezembro (sábado), 10h30-12h30 | 14h30-17h30
9 dezembro (sábado), 10h30-12h30 | 14h30-17h30
Público | Maiores de 16 anos
Valor | 5 Euros
Oficina orientada pelo Serviço de Educação

 

Inscrições
se@mnsr.dgpc.pt (até 48 horas de antecedência)

Os cartões-postais estiveram no auge no final do século XIX e no início do século XX. Eram uma forma de comunicação rápida e barata e não implicavam as formalidades textuais das cartas comuns.

 

Transformaram-se rapidamente na forma de comunicação mais utilizada e, aos poucos, em verdadeiros registos documentais de viagens e experiências, que se comunicavam aos familiares e amigos, e também na forma como se transmitiam notícias, boas ou más, e ainda se manifestava saudade ou desejava felicidades.

 

Nesta oficina propomos que cada participante elabore, recorrendo a várias técnicas e diferentes materiais, o seu postal 3D personalizado e recupere o hábito e a tradição de desejar um Feliz Natal com um cartão-postal.

 

A oficina é dirigida a maiores de 16 anos e serão realizadas duas sessões, podendo os interessados inscrever-se na data que lhes for mais conveniente: 2 dezembro (sábado), entre as 10h30-12h30 e as 14h30-17h30 ou 9 dezembro (sábado), entre as 10h30-12h30 e as 14h30-17h30.

 

Inscrições a decorrer, através do endereço se@mnsr.dgpc.pt (até 48 horas de antecedência).

163º Aniversário de Nascimento de João Augusto Ribeiro

24 de Novembro, 2023

João Augusto Ribeiro nasceu em Vila Real a 24 de novembro de 1860. Entre 1877 e 1885 estudou na Academia Portuense de Belas Artes, onde foi discípulo de João António Correia.

 

Participou em exposições da Academia Portuense de Belas Artes (1881 e seguintes), nas do Grémio Artístico de Lisboa (1892 e seguintes), nas da Sociedade Nacional de Belas Artes (entre 1903 e 1919) e nas da Sociedade de Belas-Artes do Porto (entre 1908 e 1932).

 

No Porto ficou conhecido como um retratista fiel ao modelo, caraterística bem patente no seu autorretrato (foto da capa) datado de 1920, mas também nos retratos do pintor Cândido da Cunha, do engenheiro J. Cordewener e do cirurgião Couto Soares.

 

João Augusto Ribeiro pintou temas rústicos, paisagens e temas históricos, como os três quadros sobre a viagem marítima de Vasco da Gama à Índia – “A Partida”, “A Chegada” e “O Regresso” -, que se encontram reproduzidos no livro “Virtudes e Heroísmos Lusíadas”, organizado por Estefânia Cabreira e Oliveira Cabral.

 

A obra pictórica de João Augusto Ribeiro está representada no Museu Nacional de Soares dos Reis e na Casa-museu Marta Ortigão Sampaio, no Porto, no Museu do Chiado e na Câmara Municipal, em Lisboa, no Museu Grão Vasco, em Viseu, e nas coleções Dr. Couto Soares e Rodrigo Faria de Castro. Foi distinguida com a 1.ª medalha da Sociedade Nacional de Belas-Artes, em 1918, e com uma medalha de ouro na Exposição do Rio de Janeiro (1922).

 

O artista também fez carreira no ensino, tendo sido professor no Instituto Industrial e Comercial do Porto durante 44 anos. Lecionou na Escola de Belas Artes do Porto, regendo interinamente várias cadeiras.

 

Colaborou como publicista nas revistas Arte Portuguesa e A Águia e foi vogal efetivo do Conselho de Arte e Arqueologia da 3.ª Circunscrição.

 

Faleceu no Porto em 1932.

 

Imagem: O Pescador, óleo sobre tela, de J. A. Ribeiro, 1917 (?)

Obras do Museu Nacional Soares dos Reis em exposição no MNAA

23 de Novembro, 2023

Inaugura, no próximo dia 30 novembro, pelas 18 horas, no Museu Nacional de Arte Antiga, em Lisboa, a Exposição temporária «Identidades Partilhadas – Pintura Espanhola em Portugal».

 

A mostra, patente ao público até 30 março 2024, integrará quatro obras cedidas pelo Museu Nacional Soares dos Reis.

A presença da pintura espanhola em Portugal é uma consequência das relações culturais que existiram entre os dois países vizinhos e concretizou-se através do colecionismo, por meio de ofertas diplomáticas, de patrocínio eclesiástico e, mais recentemente, através de aquisições levadas a cabo por museus e instituições privadas e públicas.

 

Tendo estado na origem de uma importante campanha de restauro, investigação e valorização das pinturas espanholas, a mostra, comissariada por Joaquim Oliveira Caetano, diretor do Museu Nacional de Arte Antiga, e Benito Navarrete, professor catedrático de história de arte na Universidade Complutense, integra as atividades culturais da Presidência Espanhola da União Europeia.

 

Obras cedidas do Museu Nacional Soares dos Reis:

Retrato do Infante D. Carlos de Habsburgo

Retrato do Infante D. Carlos de Habsburgo 

Sánchez Coello, Alonso (1531-1588)
1564-65
Óleo sobre tela
Câmara Municipal do Porto em depósito no Museu Nacional Soares dos Reis

Retrato de D. Manuel Rodrigues

Retrato de D. Manuel Rodrigues  

Rafael Tegeo Díaz (Caravaca de la Cruz, Murcia, 1798-Madrid, 1856)
Óleo sobre cobre
Museu Nacional Soares dos Reis

São Francisco de Assis recebendo os estigmas

São Francisco de Assis recebendo os estigmas  

atrib.: Vincenzo Camuccini (1773 – 1844). atrib. por Benito Navarrete em 2023 a Vicente López Portaña  (1772-1850)
Óleo sobre tela
Câmara Municipal do Porto em depósito no Museu Nacional Soares dos Reis

Composição

Composição 

Francisco Pradilla Ortiz (Villanueva de Gállego, Zaragoza, 1848-Madrid, 1921)
1878, Roma
Óleo sobre madeira
Museu Nacional Soares dos Reis

Serviço Educativo dinamiza «Oficina É preciso ter lata»

23 de Novembro, 2023

Oficina É preciso ter lata

26 novembro (domingo), 10h30-12h30

Público | Famílias com crianças e jovens dos 6 aos 16 anos

Valor | 2 Euros

Oficina orientada pelo Serviço de Educação

 

Inscrições
se@mnsr.dgpc.pt (até 48 horas de antecedência)

Dezembro encontra-se aí à porta e com ele a hora de pensar na quadra que se aproxima a passos largos: o Natal.

 

Nesta oficina propomos a reutilização de uma lata de refrigerante (ou parte dela), transformando-a com genialidade e criatividade num objeto com uma nova função: um adorno natalício.

 

O objetivo é o de reutilizar diferentes materiais e demonstrar que é possível dar uma nova vida a objetos que, de outro modo, seriam considerados resíduos.

134º Aniversário de Nascimento de Diogo de Macedo

22 de Novembro, 2023

Diogo Cândido de Macedo nasceu em Vila Nova de Gaia, a 22 novembro de 1889. Destacou-se como um dos mais importantes escultores da primeira geração de artistas modernistas portugueses.

 

Em 1944 é convidado a dirigir o Museu Nacional de Arte Contemporânea, cargo que mantém até ao final da vida. Faleceu, em Lisboa, a 19 fevereiro de 1959.

Em 1902 ingressa no curso de Escultura da Academia Portuense de Belas-Artes, por sugestão de Teixeira Lopes. Conclui o curso em 1911, ano em que parte para Paris. Os escultores Bourdelle e Rodin serão os grandes influenciadores do seu trabalho.

 

Em 1913 participa no Salão dos Artistas Franceses e realiza a primeira exposição individual, no Porto. Em 1915 participa no 1.º Salão dos Humoristas do Porto, com desenhos assinados sob o pseudónimo de «Maria Clara».

 

Nos anos seguintes divide a sua atividade entre o Porto, Lisboa e Paris e, em 1921, fixa-se na capital francesa. Esta fase é marcada pela intensa vida social e atividade profissional, esculpindo, escrevendo e organizando exposições.

 

Da sua fase parisiense destaca-se o grupo escultórico L’Adieu ou Le pardon (1920), obra gestualmente estática que alia uma sensibilidade neo-romântica e uma conotação simbolista a uma dimensão formal e plástica cosmopolita e moderna.

 

Em 1926 estabelece-se em Lisboa e em 1930 publica a sua primeira obra (14, Cité Falguière, memórias dos tempos de Paris). Nos anos seguintes mantém a produção artística, respondendo a encomendas privadas e oficiais.

 

Em 1941, após viuvez, renuncia à escultura e dedica-se à atividade literária. Publica biografias de artistas, estudos, separatas, prefácios de catálogos de exposições.

 

Em 1944 é convidado a dirigir o Museu Nacional de Arte Contemporânea, cargo que mantém até ao final da vida. Em 1946 torna a casar e, dois anos depois, é incumbido pelo Ministério das Colónias para dirigir e acompanhar uma exposição itinerante de Artes em Angola e Moçambique.

 

Na década de 1950 é convidado a organizar os processos de classificação dos imóveis de interesse público, atividade que mantém a par da participação em certames artísticos e da escrita de críticas e ensaios sobre assuntos de arte e de museologia.

 

Fonte: Museu Nacional de Arte Contemporânea do Chiado

Foto: Escultura Cabeça de Rapaz, de Diogo de Macedo, acervo do Museu Nacional Soares dos Reis

Foto da Capa: Diogo de Macedo @Fundação Calouste Gulbenkian

«Entre o distúrbio da lucidez e a semântica da loucura»

21 de Novembro, 2023

A exposição “Portreto de la Animo” e as atividades paralelas são o foco do programa «Arte & Saúde» em 2023, prosseguindo com oferta cultural orientada à minimização do impacto da doença mental.

 

Portreto de la Animo pode ser visitada de terça a domingo, das 10h00 às 18h00.

 

Inscrições online

A programação paralela da Exposição Portreto de la Animo Art Brut Etc. propõe, no dia 9 dezembro, pelas 12h00, uma visita comentada por José Rui Teixeira, dedicada ao tema «Retratos e Autorretratos – Entre o distúrbio da lucidez e a semântica da loucura». Inscrições a decorrer.

 

Nesta exposição, só sabemos por onde entrar e, no fim, por onde sair. No seu interior, todos os itinerários são aleatórios. Não existe sinalética, apenas tendências de deslocação, com a consciência de que quem se desloca situa-se deslocado numa realidade que se transforma no lugar deslugarizado de uma deriva. O que cabe nos domínios da arte bruta? Aceitemos – como exercício de uma epistemologia sem responsabilidades – que arte bruta é a que resulta da intrínseca violência de estar entre esses dois abandonos: ser existir.

 

Bio

José Rui Teixeira nasceu no Porto, em 1974. Depois dos estudos teológicos e filosóficos, doutorou-se em Literatura na Faculdade de Letras da Universidade do Porto. É diretor da Cátedra de Sophia, na Universidade Católica. Colabora com importantes centros de investigação, institutos e cátedras europeias e sul-americanas, integrando projetos, pronunciando conferências e publicando uma ensaística que coloca em diálogo as suas áreas de formação e interesse científico: teologia, filosofia, literatura e arte, antropologia e história da cultura e das religiões. É diretor pedagógico do Colégio Luso-Francês (Porto), editor e poeta.

Pintura de Sousa Pinto na Bienal dos Antiquários de Paris

21 de Novembro, 2023

O óleo sobre tela datado de 1875 “Retrato de homem de perfil”, do artista português José Júlio de Sousa Pinto, será apresentado na Bienal dos Antiquários de Paris, a decorrer entre 21 e 26 de novembro, no Grand Palais Ephémère, com 110 galerias provenientes de 12 países.

 

Nesta edição, com 41 novos expositores, participam sobretudo galerias francesas, mas também de Portugal, Espanha, Estados Unidos, Bélgica, Reino Unido, Japão, Hong Kong, Itália, Países Baixos, Áustria, Suíça e Alemanha.

 

A pintura de José Júlio de Sousa Pinto será apresentada pelo galerista luso-francês Philippe Mendes, residente em Paris.

 

Este “Retrato de homem de perfil”, óleo sobre tela datado de 1875, é uma “obra precoce” do então jovem artista, que viria a ser reconhecido como um dos maiores pintores portugueses do seu tempo, segundo a referência na página do certame da capital francesa, onde Philippe Mendes abriu uma galeria em 2007, sobretudo com pintura francesa e italiana do século XVI ao XIX.

José Júlio de Sousa Pinto, nascido nos Açores, a 15 de Setembro de 1856, morre em França, a 14 de Abril de 1939. Em 1870, iniciou os seus estudos na Academia Portuense de Belas Artes, onde foi discípulo de Thadeu Maria de Almeida Furtado, João António Correia e Soares dos Reis, tendo-se revelado um aluno brilhante. Com o curso de Pintura concluído em 1878 e elevadas classificações, abrem-se-lhe novos horizontes.

 

Em 1880, candidata-se ao pensionato português no estrangeiro e, vindo a ganhar o concurso, parte para Paris nesse mesmo ano para estudar Pintura de História ou de “figura”. Partirá ao mesmo tempo que o seu condiscípulo Henrique Pousão, concorrente em Paisagem. Em Paris, inscreve-se na École des Beaux-Arts e é aluno de Yvon e Cabanel e virá a ser influenciado por Jules Breton e, sobretudo, por Bastien-Lepage. Desde logo dá provas dos seus dotes e capacidades de aplicação, trabalhando muito e alcançando prémios.

 

Ainda como estudante, apresenta no ano de 1884, nas exposições do Salon, a obra “Aprês L’Ouragan” (A Macieira Partida, hoje propriedade do MNSR). Em 1899, a pintura “La récolte des pommes de terre” conduzi-lo-á à glória da representação no Museu do Luxemburgo (hoje Museu d’Orsay).

 

Artista consagrado em vida, para além dos prémios que alcançou em muitas das exposições a que concorreu, Sousa Pinto foi condecorado com as Ordens de Santiago de Espada e de Cristo de Portugal, com a Legião de Honra de França e era membro Honorário da Sociedade de Artistas de Madrid. Está representado em vários museus de França, em Monte Carlo, nos Estados Unidos da América, na Austrália e no Rio de Janeiro.

 

Em Portugal existem obras suas dispersas por um grande número de colecionadores particulares e em museus como o de Grão Vasco, Casa-Museu dos Patudos, Casa-Museu Teixeira Lopes e Museu do Chiado.

 

O Museu Nacional Soares dos Reis possui obras de Sousa Pinto provenientes da Academia Portuense de Belas Artes, do antigo Museu Municipal, de ofertas e de legados. É significativo o núcleo de obras com que este artista está representado na Casa-Museu Fernando de Castro, constituído por retratos, cenas de género e paisagens, óleos e pastéis, com temas de Portugal e de França.

 

Créditos da Imagem

Retrato de homem de perfil
Jose? Julio de SOUSA PINTO (1856-1939)
@Galerie Mendes

Jardim das Camélias começa a florir no Museu Nacional Soares dos Reis

21 de Novembro, 2023

No Jardim das Camélias, localizado no centro do Palácio dos Carrancas, observam-se várias espécies de Japoneira, que começam já a florir. Conhecidas como “rainhas do Inverno”, as camélias florescem na estação mais fria do ano e “emprestam” o seu colorido ao Museu Nacional Soares dos Reis.

 

O Palácio dos Carrancas começou a ser construído em 1795. O seu projeto é atribuído ao arquiteto Joaquim da Costa Lima Sampaio, que trabalhou na construção do Hospital de Santo António, da responsabilidade do inglês John Carr, e na Feitoria Inglesa, da autoria de Jonh Whitehead.

 

O projeto dividia a propriedade em três áreas principais: uma de residência, uma de jardim no interior do edifício e uma de cultivo nas traseiras.

Em 1861, o Palácio dos Carrancas foi adquirido pelo rei D. Pedro V para passar a residência oficial da família real nas suas visitas ao Norte do País e foi remodelado.

 

Foi doado, em 1915, à Misericórdia, através do testamento de D. Manuel II, que pretendia aí construir um hospital, o que nunca chegou a concretizar-se. Mais tarde, o Estado comprou o palácio para aqui instalar o Museu Nacional de Soares dos Reis que tinha sido fundado em 1833 e funcionava no Convento de Santo António, atual Biblioteca Pública Municipal do Porto.

 

O Palácio das Carrancas foi novamente alvo de remodelações para a sua nova função e, em 1940, foi aqui inaugurado o Museu Nacional Soares dos Reis, o mais antigo museu público de arte em Portugal.

 

Entre 1992 e 2001, o edifício sofreu uma série de profundas remodelações da autoria do arquiteto Fernando Távora. No exterior há um pátio com paredes cor-de-rosa e azulejos que dá lugar ao jardim resguardado pelas paredes do edifício. O espaço verde com relvados dá total destaque às camélias.

Brasil: Comunicação dedicada ao Turismo Cultural

21 de Novembro, 2023

O Diretor do Museu Nacional Soares dos Reis, António Ponte, participou na 12ª edição do FLIMAR – Festival Literário de Marechal Deodóro – Alagoas, Brasil, onde apresentou uma comunicação sobre turismo cultural.

 

A palestra A dinamização da região norte de Portugal ao transformar roteiros de bens culturais em produtos culturais: um impulso ao turismo cultural decorreu no passado sábado, no âmbito do 12º FLIMAR – Festival Literário de Marechal Deodóro – Alagoas.

 

António Ponte teve oportunidade de apresentar uma reflexão sobre o papel do Património no âmbito do Turismo Cultural e a importância do trabalho comunitário no contexto dessa atividade.

A edição deste ano do Flimar teve como tema o Património Histórico, contando com a presença de vários convidados especiais. As palestras e atividades programadas visaram promover a discussão e a reflexão sobre o património cultural e histórico do município, estabelecendo conexões entre a história local, a criação de emprego, e as perspetivas para o futuro.

 

Marechal Deodoro é um município brasileiro do estado de Alagoas. Foi a primeira capital de Alagoas e a cidade onde nasceu Manuel Deodoro da Fonseca, o então Marechal do Exército Brasileiro que proclamou a República do Brasil e foi o primeiro presidente do Brasil. O município faz parte da Região Metropolitana de Maceió.

 

É conhecida pelas construções de valor histórico, como igrejas, casarões, entre outras edificações.

Visita Comentada «Tomasz Machci?ski – um homem com mil caras»

20 de Novembro, 2023

A exposição “Portreto de la Animo” e as atividades paralelas são o foco do programa «Arte & Saúde» em 2023, prosseguindo com oferta cultural orientada à minimização do impacto da doença mental.

Portreto de la Animo pode ser visitada de terça a domingo, das 10h00 às 18h00.

 

Inscrições on-line

 

A programação paralela da Exposição Portreto de la Animo Art Brut Etc. propõe, no dia 6 dezembro, pelas 13h30, uma visita comentada por Miguel Almeida (Serviço Educativo do Centro de Arte Oliva), dedicada a «Tomasz Machci?ski – um homem com mil caras». Inscrições a decorrer.

 

Tomasz Machci?ski foi fotógrafo de si próprio. Retratou-se incontáveis vezes, ou, aplicando um termo atual, tirou selfies encarnando diferentes personagens. Muitas. Como o próprio disse: “suficientes para compor um exército”. Personagens famosas e fictícias – que viveram, vivem ou que ainda estão por nascer.

 

Nesta sessão vamos ver e conhecer a obra de Machci?ski onde o corpo transfigurado é um meio de expressão artística.

Nascido em 1942 na Polónia, Tomasz Machci?ski era um fotógrafo e performer autodidata. Enquanto órfão de guerra, recebeu um cartão autografado da actriz Joan Tompkins, estrela de Hollywood, com as palavras “Com amor para o ‘Tommy’ da ‘mãe’ Joan”, no âmbito de um programa de adoção à distância.

 

Durante os primeiros vinte anos de sua vida, Machci?ski estava convencido de que Tompkins era sua mãe. O fim do seu “sonho americano” e a perda dessa suposta identidade influenciaram o seu trabalho artístico.

 

A sua obra consiste em mais de 22.000 identidades fictícias ou apropriadas, capturadas em autorretratos fotográficos e cinematográficos. Nas suas encenações, o artista encarna despreocupada­mente estrelas de cinema, ícones da cultura pop, figuras históricas, literatura e política e outros personagens excêntricos de diferentes afiliações étnicas, sexuais ou sociais—reinvenções da sua própria identidade.

 

No seu trabalho, Machci?ski atua como realizador e ator, maquilhador e figurinista, arquivista, fotógrafo e artista performativo. A sua prática artística está relacionada com a História da Arte Europeia através do jogo com os métodos tradicionais de representação e as suas convenções.

 

Por outro lado, acompanha a estratégia da fotografia conceptual que usa a autoimagem como veículo para negociar dife­rentes significados, presente também no trabalho de Cindy Sherman ou Luigi Ontani. Tomasz Machci?ski é uma figura de destaque na fotografia “bruta”.

 

No ano seguinte à criação, em 2018, da Fundação Tomasz Machci?ski, os seus filmes foram exibidos na Whitechapel Gallery (Londres); nesse mesmo ano participou no Rencontres de la Photographie (Arles) na exposição PHOTO l BRUT, coleção Bruno Decharme & compagnie.

 

Em 2020, expõe no American Folk Art Museum em Nova York e, finalmente, uma grande exposição retrospe­tiva dedicada ao artista no Manggha (Cracóvia) em 2021.

 

Tomasz Machci?ski faleceu em janeiro de 2022 aos 79 anos.

Visita Orientada dedicada ao tema «O Natal na Arte Antiga»

20 de Novembro, 2023

Sábado, 2 dezembro, 11H00
Duração: 1h (aprox.)
Visita orientada por Paula Santos
Mínimo de 5 pessoas e máximo de 20 pessoas

Inscrições aqui

 

Iniciativa exclusiva para membros do Círculo Dr. José Figueiredo – Amigos do Museu Nacional Soares dos Reis.

No âmbito da programação proposta para o mês de dezembro, decorre no dia 2, pelas 11 horas, uma visita orientada dedicada ao tema «O Natal na Arte Antiga».

 

As cenas alusivas à Natividade contam-se entre as mais numerosas na produção artística do mundo ocidental. A simbologia que lhes está associada, desde os tempos mais remotos, traz consigo significados profundos levando à reflexão.

 

Pretende-se, através desta visita, contribuir para descodificar cenas do Novo Testamento alusivas à Natividade. E, em obras de Pintura e Escultura do acervo do Museu Nacional Soares dos Reis, aferir critérios de qualidade e diferenciar algumas tipologias ligadas ao culto da Virgem e da Infância de Cristo.

 

Desde cedo a arte cristã usou a imagem do Menino para transmitir a mensagem evangélica, mas, acima de tudo, com carácter celebrativo. A imagem associa-se à celebração da fé, à vivência dos sacramentos e à projeção, na vida dos cristãos, desses acontecimentos da revelação. A figura de Cristo, representada inicialmente através de múltiplos símbolos e variados modelos iconográficos, ganha um relevo imprescindível.

 

Imagens

Natividade – Adoração dos Anjos e Natividade – Adoração dos pastores 
Autor: Cornelis de Baellieur (Antuérpia)
Obras originárias do Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra (santuário) tendo sido incorporadas no Antigo Museu Portuense de Pinturas e Estampas (atual Museu Nacional Soares dos Reis) em 1834.

Faça parte dos Amigos do Museu

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Museu do Prado e Museu Soares dos Reis irmanados por sangue real

19 de Novembro, 2023

O Museu Nacional Soares dos Reis felicita o Museu do Prado, em Madrid, pela celebração do seu 204º Aniversário. Criado por Maria Isabel de Bragança, irmã de D. Pedro IV, o Real Museo de Pintura y Escultura abriu portas a 19 novembro de 1819.

 

Anos mais tarde, em 1833, D. Pedro IV cria, em Portugal, o Museu de Pinturas e Estampas e outros objetos de Belas Artes – atual Museu Nacional Soares dos Reis – para salvaguarda dos bens sequestrados aos absolutistas e conventos abandonados na guerra civil (1832-34).

O Museu do Prado, em Madrid, abriu ao público a 19 novembro 1819, com uma coleção de 311 pinturas da coleção real, todas de autores espanhóis, num edifício desenhado pelo arquiteto Juan de Villanueva, em 1785, e mandado construir por Carlos III para aí instalar o Gabinete de Ciencias Naturales.

 

Só mais tarde, Fernando VII, juntamente com a rainha sua mulher, a portuguesa Maria Isabel de Bragança, principal impulsionadora desta obra, tomaram a decisão de aí instalar o Real Museo.

 

Para além das obras expostas e referenciadas no primeiro catálogo do museu, publicado aquando da abertura, estavam guardadas em reserva 1510 obras igualmente provenientes das coleções reais, as quais tinham sido iniciadas, no século XVI, por iniciativa do imperador Carlos V e enriquecidas pelos seus sucessores, incluindo algumas das principais referências do museu.

 

Sobre Maria Isabel de Bragança

Maria Isabel de Bragança, esposa do rei Fernando VII e Rainha Consorte da Espanha de 1816 até 1818, era filha de João VI de Portugal e de sua esposa, a rainha Carlota Joaquina. Irmã mais velha de D. Pedro IV de Portugal (D. Pedro I do Brasil).

 

Maria Isabel de Bragança destacou-se pelo seu interesse pela cultura e afeição pela arte. Foi dela que partiu a iniciativa de reunir obras de arte dos monarcas espanhóis para criar um museu real, o futuro Museu do Prado.

 

Por ter falecido um ano antes da inauguração, Maria Isabel de Bragança não assistiu à abertura do Museu, mas o seu relevante papel na fundação do mesmo não foi esquecido.

 

Maria Isabel de Bragança tem um retrato no Museu datado de 1829, de autoria de Bernardo López Piquer, intitulado «María Isabel de Braganza como fundadora del Museo del Prado».

 

Na imagem, Maria Isabel de Bragança aponta com o braço direito para um local visível através de uma janela, com a mão esquerda revela alguns planos da construção do museu depositados sobre uma mesa, em pergaminhos ou papéis.

 

De acordo com Pedro de Madrazo, autor do catálogo dos quadros do Museu Real (documento datado de 1854) “foi a rainha Maria Isabel de Bragança quem sugeriu ao Rei a ideia (da criação do Museu), por “escitacion” de algumas personalidades amantes das Belas Artes, ideia que o Rei acolheu com verdadeiro entusiasmo”.

 

Imagem: María Isabel de Braganza como fundadora del Museo del Prado
LÓPEZ PIQUER, BERNARDO
Copyright ©Museo Nacional del Prado

Henrique Pousão em destaque no Google Arts & Culture

17 de Novembro, 2023

A plataforma Google Arts & Culture tem, atualmente, em destaque o editorial «10 Pintores Portugueses que tem de conhecer», nos quais inclui duas obras de Henrique Pousão: Vila de St. Sauves e Rapariga deitada num tronco de árvore (na foto), ambas pertencentes ao acervo do Museu Nacional Soares dos Reis e disponíveis na Exposição de Longa Duração.

 

Para além de Henrique Pousão, o editorial «10 Pintores Portugueses que tem de conhecer» inclui referências a Grão Vasco, Nuno Gonçalves, Paula Rego, Amadeo de Souza-Cardoso, José Malhoa, Almada Negreiros, Joaquim Rodrigo, Columbano Bordalo Pinheiro e Vieira da Silva.

Henrique Pousão nasceu a 01 de janeiro de 1859, em Vila Viçosa, onde viria também a morrer, aos 25 anos.

 

Ingressou na Academia Portuense de Belas-Artes, tendo-se sagrado como pintor da primeira geração naturalista, e foi pensionista do Estado em França e Itália.

 

A sua obra está fortemente representada na coleção do Museu Nacional Soares dos Reis, onde se encontram as obras “Casas Brancas de Capri”, “Senhora Vestida de Preto” e “Janelas das Persianas Azuis”, todas classificadas como tesouros nacionais.

 

A pintura de caminhos e ruas, pátios, casas, aspetos de Paris, testemunha o seu percurso criativo, que culmina nas estadias em Roma e Capri.

 

A sua obra, que revela o arrojo e o talento do jovem pintor e o seu interesse absoluto nos valores da pintura em si em detrimento dos temas ou da narrativa, foi entregue, após a sua morte prematura, à Academia Portuense de Belas Artes.

 

Henrique Pousão (1859-1884)

Desde cedo que a família lhe reconhecera talento, manifesto sobretudo em retratos a lápis. Com 10 anos passa a residir em Barcelos e, em 1872, fixa-se no Porto. É nesta cidade que frequenta o atelier do pintor António José da Costa para preparar a entrada na Academia Portuense de Belas-Artes (1872). Muito influenciado por Marques de Oliveira, regressado de Paris em 1879, Pousão ganha o concurso de pensionista, chegando a Paris no final do ano de 1880, acompanhado de Sousa Pinto (1856 – 1939).

 

Em Espanha, tinha visitado já o Museu do Prado e antes de ingressar no atelier de Cabanel e de Yvon, visitou também galerias de arte e museus em Paris, e conheceu o Impressionismo, especialmente em 1881 na região francesa de Puy-de-Dômes, aldeia de Saint-Sauves.

 

Neste ano, muda-se para Roma, onde aluga um atelier e, em 1882, produz significativas obras, também em Nápoles e Capri. Paisagens de um poético e vibrante cromatismo, em exercícios de captação de luz, pinturas de género como Cecília (na foto de capa), e retratos, com Senhora Vestida de Preto, realizado já em Paris, revelam a sua modernidade, invulgar no panorama artístico português. Vitimado aos 25 anos pela tuberculose, a sua obra adquire importância décadas mais tarde.

Exposição Portreto de la Animo propõe Oficina Máscaras

16 de Novembro, 2023

Máscaras

Oficina pela Sociedade Portuguesa de Psicodrama

26 novembro, 14h30-17h30

Mentores: Luciano Moura e Ana Silva Pinto

Participação gratuita, sujeita a inscrições online obrigatória.

A programação paralela da Exposição Portreto de la Animo Art Brut Etc. propõe, no dia 26 novembro, uma oficina de máscaras, conduzida por Luciano Moura e Ana Silva Pinto.  Inscrições a decorrer.

 

“Antes de conhecer os metais, quando os cavalos eram selvagens e o homem convivia com os animais, já a máscara existia. Vivia em cavernas onde gravava a imagem dos seres com os quais convivia (renas, ursos, etc.) e a sua própria imagem, mas mascarada. Antes de pintar o seu rosto, pintou a sua máscara”. (Ardiles, 1949)

Trata-se de uma cara artificial, antropomórfica ou zoomórfica, que colocamos sobre a cara, ou uma cobertura total ou parcial desta, de maneira a falsificar ou a ocultar a nossa individualidade.

A máscara é um elemento generalizado nas culturas. A máscara que esconde a sua própria expressão, transformando o rosto, protegendo, ocultando, e ao mesmo tempo mostrando a sua interioridade, desnudando o seu mundo interior e quem se é na realidade.

(Adaptado – “Teoría y Técnica Psicodramática”; J. Rojas Bermúdez)

 

Luciano Moura
Médico psiquiatra, Luciano Moura exerceu funções de Assistente graduado no Serviço de Psiquiatria do Hospital de S. João no Porto, onde além da atividade clínica, dirigiu diversos grupos de psicodrama nomeadamente Psicodrama com Crianças e grupos específicos de doentes: Psicóticos, Perturbações do Comportamento Alimentar, Seropositivos, Perturbações de Pós- Stress Traumático e Psicoterapia Psicodramática de casal e individual (desde 1990).

 

Sócio didacta e membro da Comissão de Ensino da Sociedade Portuguesa de Psicodrama (SPP), onde exerce atividades de formação e de supervisão. Dirigiu 2 grupos de supervisão no âmbito da Formação de Diretores de Psicodrama da SPP, um no Porto e um outro em Lisboa.

 

Faz parte do Comité de Ética da FEPTO (Federation of European Psychodrama Training). Foi “Chairman” deste Comité desde 2013 até 2015.

 

Ana Silva Pinto
Assistente Hospitalar Graduada de Psiquiatria, no Serviço de Psiquiatria e Saúde Mental do Centro Hospitalar Universitário de Santo António (CHUdSA).

 

Membro da Coordenação Regional de Saúde Mental da ARS Norte. Membro da Direção Colégio da Especialidade de Psiquiatria da Ordem dos Médicos.

 

Docente convidada, nas cadeiras de Saúde Mental e de Psicologia Médica do Mestrado integrado em Medicina do Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar da Universidade do Porto. Terapeuta Cognitivo-comportamental e Psicodramatista faz parte da atual Direção da Sociedade Portuguesa de Psicodrama.

Visita Orientada inspirada no tema «Fogo que arde sem se ver»

15 de Novembro, 2023

Visita «Fogo que arde sem se ver»

25 novembro (sábado), 11h00
Público | Jovens e adultos
Valor | Bilhete de entrada + 2 EUR
Orientada por Paula Azeredo

 

Inscrições
Formulário online (com 48 horas de antecedência)

Nesta visita, sob o fio condutor do amor e seus contrários, detemo-nos em obras singulares de António Soares dos Reis (1847-1889), Marques de Oliveira (1853-1927), Henrique Pousão (1859-1884), Teixeira Lopes (1866-1942), José Malhoa (1855-1933), António Carneiro (1872-1930), Canto da Maia (1890-1981), Abel Salazar (1889-1946) e Augusto Gomes (1910-1976).

 

António Soares dos Reis (1847-1889)

Considerado um dos maiores escultores portugueses do séc. XIX, foi o grande renovador da escultura portuguesa do seu tempo. Patrono do Museu desde 1911.

 

Marques de Oliveira (1853-1927)

Ligado à pintura histórica por dever de pensionato e, mais tarde, de docência, Marques de Oliveira manifestou sempre uma grande sensibilidade pela natureza e pelos estudos de paisagem.

 

Henrique Pousão (1859-1884)

Muito influenciado por Marques de Oliveira, regressado de Paris em 1879, Pousão ganha o concurso de pensionista, chegando a Paris no final do ano de 1880, acompanhado de Sousa Pinto (1856 – 1939).

 

Teixeira Lopes (1866-1942)

António Teixeira Lopes iniciou a aprendizagem de escultura com o seu pai, o escultor José Joaquim Teixeira Lopes, e foi discípulo de Soares dos Reis, na Academia Portuense de Belas-Artes, de Cavalier e Barrias, na École de Paris.

 

José Malhoa (1855-1933)

Foi pioneiro do Naturalismo em Portugal, tendo integrado o Grupo do Leão. Destacou-se também por ser um dos pintores portugueses que mais se aproximou da corrente artística Impressionista.

 

António Carneiro (1872-1930)

Um dos nomes maiores da pintura e do desenho em Portugal, foi discípulo de Soares dos Reis e de Marques de Oliveira na Academia Portuense de Belas-Artes. Retratista emérito e muito solicitado, interessou-se igualmente pela paisagem.

 

Canto da Maia (1890-1981)

Canto da Maia ou Canto da Maya, escultor português, destaca-se como uma figura de primeiro plano no quadro da primeira geração de artistas modernistas portugueses. Natural dos Açores, estudou, trabalhou e viveu longos anos no estrangeiro, principalmente em França e Espanha.

 

Abel Salazar (1889-1946)

Médico, professor catedrático, artista e escritor português. Reconhecido como pintor e desenhador, tem também qualificada obra como caricaturista, gravador, escultor e martelador de cobres, caso único entre os artistas contemporâneos.

 

Augusto Gomes (1910-1976)

Pintor português, Augusto Gomes formou-se em pintura na Escola de Belas-Artes do Porto. A fase inicial da sua obra, nos anos 30, foi profundamente marcada pela tendência naturalista vigente na época.

Visita «Uma casa incomum – a Casa-Museu Fernando de Castro»

15 de Novembro, 2023

Sábado, 25 novembro, 11H00
Duração: 1h (aprox.)
Visita orientada por Ana Mântua
Mínimo de 5 pessoas e máximo de 20 pessoas

Inscrições aqui

 

Iniciativa exclusiva para membros do Círculo Dr. José Figueiredo – Amigos do Museu Nacional Soares dos Reis.

No âmbito da programação proposta para o mês de novembro, decorre no dia 25, pelas 11 horas, uma visita orientada à Casa-Museu Fernando de Castro, no Porto.

 

O acervo da Casa-Museu Fernando de Castro é constituído por diferentes coleções reunidas ao longo de várias décadas. É composto, maioritariamente, por arte religiosa com representações eruditas e de cariz popular, pintura naturalista portuguesa e artes decorativas. Destaca-se, ainda, um interessante núcleo de caricaturas e alguns livros da autoria de Fernando de Castro, colecionador, artista e poeta.

 

Fernando de Castro (Sé, 23 nov. 1888 – Paranhos, 7 out. 1946) foi um colecionador e empresário portuense reconhecido pela sua veia poética manifesta em publicações, com gosto pela leitura e inclinação para o desenho tendo criado várias séries de caricaturas.

 

Fernando de Castro viveu na rua das Flores junto da loja do pai, cujo negócio prosperou em vidros, espelhos e papéis pintados. Entre 1893-1908, o empresário empenhou-se na construção de uma nova casa situada na rua de Costa Cabral.

 

Desde cedo, Fernando de Castro cresceu dentro de um imaginário pleno de figuras de estilo e de ícones, em particular no que diz respeito ao mobiliário e recheio da casa de Costa Cabral— património que conservou e respeitou após a morte do pai em 1918.

 

Na idade adulta, desenvolveu os seus interesses culturais num círculo de amigos ligados aos negócios e com um gosto particular pelas artes e letras. Terá sido após a morte da mãe em 1925 que Fernando de Castro fez novas aquisições de peças.

 

A Casa-Museu Fernando de Castro é administrada pelo Museu Nacional Soares dos Reis desde 1952. As visitas estão sujeitas a marcação prévia. Saiba mais aqui.

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136º Aniversário de Nascimento de Amadeo de Souza-Cardoso

14 de Novembro, 2023

Amadeo de Souza-Cardoso pertence à primeira geração de pintores modernistas portugueses, destacando-se pela qualidade excecional da sua obra e pelo diálogo que estabeleceu com as vanguardas históricas do início do século XX.

 

Nascido em Mancelos (Amarante) a 14 novembro 1887, faleceu a 25 outubro de 1918, em Espinho, vítima da epidemia “pneumónica” que assolou a Europa no final da Guerra.

A morte aos 30 anos de idade irá ditar o fim abrupto de uma obra pictórica em plena maturidade e de uma carreira internacional promissora, mas ainda em fase de afirmação.

 

Amadeo de Souza-Cardoso teve uma vida curta e intensa em Paris, onde fez contactos com os artistas modernistas, e regressou a Portugal no início da Primeira Guerra Mundial como um pintor reconhecido nos meios da vanguarda.

 

Participou em exposições coletivas em Paris, Berlim, Nova Iorque, Chicago, Boston e Londres, e chegou a exibir e a vender o seu trabalho nos Estados Unidos, sendo considerado, pelo crítico de arte norte-americano Robert Loescher, “um dos segredos mais bem guardados do início da arte moderna”.

 

Em 2016, mais de 40 mil pessoas visitaram a exposição dedicada a Amadeo de Souza-Cardoso no Museu Nacional Soares dos Reis, no Porto (que depois seguiu para o Museu do Chiado, em Lisboa), e, no mesmo ano, no Grand Palais, em Paris, uma outra exposição reuniu cerca de 250 obras em pintura, desenho e gravura do artista.

 

A mostra que esteve patente no Museu Nacional Soares dos Reis foi uma recriação da exposição que o próprio Amadeo de Souza-Cardoso fez no Porto, em 1916, a única exposição individual do artista (então, no salão de festas do Jardim Passos Manuel).