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Projeto ‘Siza Baroque’: Museu acolhe Ciclo de Aulas Abertas

28 de Fevereiro, 2024

No âmbito do projeto de investigação Siza Barroco, desenvolvido pelo Centro de Estudos de Arquitetura e Urbanismo, da Faculdade de Arquitetura da Universidade do Porto, o Museu Nacional Soares dos Reis acolhe, no próximo dia 7 março, o ciclo de aulas abertas da unidade curricular História da Arquitetura Moderna.

 

Apesar de ser especialmente dirigido aos estudantes, o ciclo de aulas abertas será disponibilizado ao público em geral, sendo de entrada gratuita, mas sujeito à lotação do espaço e a prévia inscrição através do email comunicacao@mnsr.dgpc.pt

 

Ciclo de Aulas Abertas

‘Bernini e a Ideia de Barroco 1’
Por José Miguel Rodrigues | 7 de março 2024, 14h30
Auditório do Museu Nacional Soares dos Reis

 

‘Borromini e a Ideia de Barroco 2’
Por Joana Couceiro | 7 de março 2024, 16h30
Auditório do Museu Nacional Soares dos Reis

O barroco enquanto ideia pode ser melhor compreendido através de um díptico que confronta dois autores-arquitetos que nasceram, com um ano de diferença, na primeira dobra do dealbar do século barroco (XVI-XVII). A rivalidade e disputa entre ambos é histórica.

 

Este ciclo de duas aulas propõe-se retomar o que une estes dois adversários (que se respeitavam mutuamente) e cuja disputa ajudou ao desenvolvimento das respetivas expressões arquitetónicas individuais e, sobretudo, contribuiu para a mais espantosa reconstrução crítica da arquitetura clássica que o projeto Siza Barroco visa continuar.

 

Siza Barroco é um projeto de investigação que visa pôr em evidência a relação entre a ideia de Barroco e a obra de Álvaro Siza. Enquanto tendência na arte em geral e na arquitetura em particular, o Barroco quer construir um mundo novo com base no antigo que este crê não estar preparado para o presente e o futuro que há-de-vir. As relações entre a arquitetura de Álvaro Siza e o Barroco estão presentes em vários autores que escreveram sobre Siza, além de permanecerem no modo como o próprio Siza, referindo-se ao Porto e a Nasoni em textos escritos, anuncia o seu interesse e empenho em conhecer melhor a arquitetura e a cidade Barrocas.

 

José Miguel Rodrigues é arquiteto e professor catedrático na FAUP, onde leciona a disciplina de História da Arquitectura Moderna e, no âmbito do Programa de Doutoramento, Projecto de tese [perfil E]. É co-autor do projeto da Nova Aldeia da Luz (1995-2002). Desde 2011 desenvolve um projeto de tradução para português da obra escrita de Giorgio Grassi. Em 2013, publicou a tese de doutoramento ‘O Mundo Ordenado e Acessível das Formas da Arquitectura’ e em 2020 o livro ‘Palladio e o Moderno’, distinguido com o prémio FAD, pensamento e crítica (2021). Atualmente é director do Centro de Estudos de Arquitectura e Urbanismo da FAUP (CEAU-FAUP) e coordenador do grupo de investigação T2P, sendo o Investigador Responsável do projeto Siza Barroco.

 

Joana Couceiro é arquiteta, licenciada pelo DAarq/FCTUC (2005) e doutorada pela FAUP (2018). Foi colaboradora no aNC arquitectos e no atelier Pedra Líquida, sendo co-autora de obras já publicadas. É co-fundadora da editora de arquitetura Circo de Ideias (tendo integrado a equipa da direção até 2018) e da Pechakucha Night Porto. A convite da Casa da Arquitectura, foi curadora do V Open House Porto, com o epíteto ‘Vida Interior’. Entre 2013 e 2021 foi professora convidada de História da Arquitectura Moderna, na FAUP. Entre 2021 e 2023 foi investigadora na esad-idea e assistente de curadoria do programa de conferências das segunda e terceira edições da Porto Design Biennale. Atualmente é investigadora no CEAU, onde se encontra a desenvolver, enquanto Co-IR, o projeto Siza Barroco.

 

Créditos de imagem:

Francesco Borromini, desenho de San Carlo alle Quattro Fontane, Roma, 1660

Albertina Collection AZRom175

Curso de Ilustração Científica superou as melhores expetativas

28 de Fevereiro, 2024

Decorreu, durante este mês de fevereiro, o Curso ‘A Natureza Ilustrada’, promovido pelo Serviço de Educação do Museu Nacional Soares dos Reis.

 

Destinado, em exclusivo a membros do Círculo Dr. José de Figueiredo – Amigos do Museu Nacional Soares dos Reis, este Módulo da Ilustração Científica, incidiu na aprendizagem das técnicas clássicas do desenho, nomeadamente grafite sobre papel e carvão composto.

 

A adesão e entusiasmo dos participantes superaram todas as expetativas, estando já a ser ponderada a realização de uma segunda edição.

 

Independentemente da forma como uma ilustração científica possa ser apreciada, importa referir os objetivos que guiaram a sua conceção: atrair, informar, descrever, explicar, sensibilizar, transmitir um facto ou conceito científico, com honestidade.

 

Nesta formação foram produzidas pelos participantes várias ilustrações monocromáticas (preto e branco), dando relevo à estrutura e volumetria dos objetos representados.

 

O Círculo Dr. José de Figueiredo – Amigos do Museu Nacional Soares dos Reis é uma associação criada em 1940, pessoa coletiva de carácter cultural, sem fins lucrativos, com estatuto de utilidade pública, que tem como objetivo concorrer para o desenvolvimento da cultura, das artes, da defesa do património cultural, tendo como principal objetivo a progressiva valorização do Museu Nacional Soares dos Reis.

 

A Associação tem centrado a sua atividade no apoio ao desenvolvimento do Museu, aumento das suas coleções, aquisições e doações, complementando a programação do Museu com viagens, cursos e visitas várias, organização de conferências, congressos, concertos, etc.

 

O Círculo Dr. José de Figueiredo – Amigos do Museu Nacional Soares dos Reis conta, atualmente, com muitas centenas de amigos individuais tornando-a, no panorama das associações culturais de amigos dos museus, uma associação de referência, para além de um conjunto muito alargado de associados institucionais que apoiam as várias iniciativas levadas a cabo em nome do Museu Nacional Soares dos Reis.

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As camélias na coleção de pintura e no Jardim do Museu

28 de Fevereiro, 2024

No próximo fim-de-semana (dias 2 e 3 março), o Parque de São Roque é, novamente, o local escolhido para mais uma edição da Exposição de Camélias do Porto. Associando-se ao evento que homenageia a flor de eleição da cidade do Porto, o Museu Nacional Soares dos Reis apresenta uma seleção de obras representando as camélias, que integram o seu acervo de pintura.

 

Desde o ‘Vaso com camélias’, de António José da Costa, à ‘Natureza Morta’, de Alberto Aires de Gouveia, até à obra ‘Flores’, de Henrique Pousão, passeamos ainda pelo Jardim das Camélias, localizado no centro do Palácio dos Carrancas.

 

Conhecidas como “rainhas do Inverno”, as camélias florescem na estação mais fria do ano e “emprestam”, também, o seu colorido ao Museu Nacional Soares dos Reis.

O Palácio dos Carrancas começou a ser construído em 1795. Em 1861, o Palácio dos Carrancas foi adquirido pelo rei D. Pedro V para passar a residência oficial da família real nas suas visitas ao Norte do País e foi remodelado.

 

Foi doado, em 1915, à Misericórdia, através do testamento de D. Manuel II, que pretendia aí construir um hospital, o que nunca chegou a concretizar-se. Mais tarde, o Estado comprou o palácio para aqui instalar o Museu Nacional de Soares dos Reis que tinha sido fundado em 1833 e funcionava no Convento de Santo António, atual Biblioteca Pública Municipal do Porto.

 

O Palácio das Carrancas foi novamente alvo de remodelações para a sua nova função e, em 1940, foi aqui inaugurado o Museu Nacional Soares dos Reis, o mais antigo museu público de arte em Portugal.

 

Entre 1992 e 2001, o edifício sofreu uma série de profundas remodelações da autoria do arquiteto Fernando Távora. No exterior há um pátio com paredes cor-de-rosa e azulejos que dá lugar ao jardim resguardado pelas paredes do edifício. O espaço verde com relvados dá total destaque às camélias.

MNSR no Encontro de Profissionais de Conservação e Restauro

27 de Fevereiro, 2024

A equipa de conservadores-restauradores do Museu Nacional Soares dos Reis participou, ontem, em Lisboa, no Encontro de Profissionais de Conservação e Restauro, promovido pela Museus e Monumentos de Portugal, E.P.E. (na imagem).

 

A iniciativa “foi uma oportunidade para partilhar experiências e boas práticas entre todos os profissionais responsáveis pela conservação dos bens culturais à guarda das instituições museológicas nacionais, e para debater o trabalho em rede que se pretende implementar, em estreita ligação com o Laboratório José de Figueiredo”.

O conservador-restaurador é um profissional altamente qualificado, que estuda matérias interdisciplinares, desde a química à biologia, passando pela história da arte, arqueologia e museologia. Este profissional tem a seu cargo tarefas de elevada complexidade e responsabilidade e trabalha frequentemente em redes multidisciplinares.

 

No Museu Nacional Soares dos Reis é desenvolvido um trabalho contínuo nas áreas de conservação e restauro, no contexto da gestão e acompanhamento das diferentes coleções, formação contínua, orientação de estagiários e investigação, realizada em colaboração com universidades.

 

A equipa de conservadores-restauradores participa regularmente em projetos de investigação com o objetivo de contribuir para novos estudos sobre técnicas e procedimentos de conservação e restauro.

 

Em 2023, foram intervencionadas 163 obras (115 pela equipa do MNSR e 48 realizadas por profissionais externos).

António Ponte modera debate no ‘Porto de Arquitetura’

27 de Fevereiro, 2024

O Diretor do Museu Nacional Soares dos Reis, António Ponte, será o moderador da conversa ‘Turismo e cultura como ativos da cidade’, a qual contará com as participações de Miguel Guedes, João Paulo Rapagão e Catarina Santos Cunha.

 

Agendada para o próximo sábado, dia 2 março, a conversa terá lugar após a visita conduzida pelo atelier Arquitectos Aliados ao M.Ou.Co Hotel, no âmbito da primeira edição do “Porto de Arquitetura”.

 

“Porto de Arquitetura” é um programa desenvolvido, em conjunto, pela Câmara Municipal do Porto e a Casa da Arquitectura. Entre fevereiro e julho, oito edifícios da cidade, representativos da mais recente arquitetura contemporânea, vão ser alvo de visitas gratuitas e abertas ao público mediante inscrição prévia.

Cada visita surge acompanhada de uma conversa com os arquitetos autores e outras personalidades ligadas aos espaços que vai permitir conhecer o processo de conceção, construção e recuperação das obras de um modo privilegiado.

 

Os edifícios representam algumas das mais relevantes intervenções recentes na cidade, da habitação até às infraestruturas, passando pelos edifícios destinados ao ensino, cultura, turismo e serviços municipais.

 

Todos eles são referências urbanas que, revelados e desvendados deste modo, pretendem inspirar intervenções futuras de qualidade e evidenciar o referencial de exigência que desejamos para a cidade que habitamos.

 

Todas as visitas são guiadas pelos arquitetos autores das obras e começam sempre às 16 horas. No final de cada visita, haverá lugar a uma conversa com um conjunto de personalidades ligadas às obras.

 

Mais informação aqui.

 

Créditos fotográficos: Câmara Municipal do Porto @Andreia Merca

MNSR lança Programa «Olhares Cruzados sobre as Coleções»

27 de Fevereiro, 2024

‘A Pintura vista por quem pinta’ é o tema da primeira sessão do Programa «Olhares Cruzados sobre as Coleções», a realizar no próximo dia 14 março, pelas 18 horas, com entrada livre, sujeita a inscrição prévia que pode ser efetuada aqui.

Nesta sessão, estará em destaque a obra “Casas brancas de Capri”, de Henrique Pousão, contando com a participação de Ana Paula Machado, gestora da coleção de pintura do Museu Nacional Soares dos Reis, e de Francisco Araújo, aluno de Mestrado em Artes Plásticas na Faculdade de Belas Artes do Porto, e autor de cópias de pormenores da obra em questão, no âmbito da disciplina de Técnicas da Pintura.

 

Na sessão ‘A Pintura vista por quem pinta’ será feita uma apresentação breve da pintura do ponto de vista da História da Arte, seguida da análise das técnicas e modos de fazer, desafios, recursos e respostas do pintor. Os participantes serão depois convidados a visitar a obra “Casas brancas de Capri” no seu espaço de exposição.

 

O Programa «Olhares Cruzados sobre as Coleções» pretende fomentar espaços de reflexão participada, através do cruzamento de diferentes olhares, leituras e interpretações sobre as obras das coleções do Museu Nacional Soares dos Reis.

 

Tendo presente que cada um dos objetos que integra as coleções tem o poder de transmitir mensagens, despertar emoções e provocar reflexões sobre questões sociais, políticas ou mesmo filosóficas, o Museu Nacional Soares dos Reis considera que as peças que integram o seu acervo são um recurso fundamental na construção de conhecimento e entendimento, não só dos objetos em si, mas também da pessoa, das instituições e do mundo.

 

É este o ponto de partida que, ao longo dos próximos meses, permitirá lançar ‘Olhares Cruzados sobre as Coleções’, abordando temas tão diversos como ‘Liberdades e transgressões à luz de obras escolhidas de Cristóvão de Figueiredo, Domingos Sequeira e José Tagarro’; ‘A Pintura do Romantismo como documento etnográfico do Minho’ ou as ‘Artes decorativas portuguesas’.

Oficina para Famílias ‘Pigmentos e Ciência da Cor’

27 de Fevereiro, 2024

Oficina Pigmentos e Ciência da Cor

3 mar, 10h30/12h30, domingo

 

Público-alvo Famílias com crianças e adolescentes a partir dos 12 anos
Entrada 2 Euros/pessoa
Responsável Salomé Carvalho e Filipe Fernandes
Inscrições se@mnsr.dgpc.pt

A história da utilização da cor está intimamente relacionada com a história dos pigmentos naturais e artificiais.

 

A cor em si é mais do que pigmento, pode ser cor luz, perceção, soma ou subtração de radiação. Trata-se de uma matéria de estudo muito interessante, quer para a compreensão da nossa perceção do mundo, quer para o entendimento da produção artística.

 

Os pigmentos dizem muito sobre uma obra de arte, e convidamo-lo a descobrir connosco todos os mistérios que esta matéria pictórica esconde.

 

‘Uma pintura, seja ela mural ou de cavalete, é formada por um conjunto de materiais de diferente natureza química organizados numa estrutura em camadas.

 

A face visível da pintura, onde se misturam cores e formas, é constituída pelas camadas mais superficiais, de que fazem parte o verniz, quando existente, por um lado, e os pigmentos, os corantes e os aglutinantes, por outro, camadas estas aplicadas sobre uma preparação, ela própria contendo pigmentos, e esta sobre o suporte ou então encontram-se estas camadas cromáticas diretamente colocadas sobre o suporte – que, em qualquer um dos casos, pode ser de tela, madeira, alvenaria, vidro, metal ou outro material.

 

Os pigmentos, no sentido restrito do termo, são geralmente materiais de origem inorgânica, cristalinos e insolúveis, utilizados pela cor que apresentam. Distinguem-se dos corantes, igualmente usados por causa da sua cor, pelo facto de estes serem materiais orgânicos normalmente solúveis’.[i]

 

 

[i] Cruz, António João. «A matéria de que é feita a cor. Os pigmentos utilizados em pintura e a sua identificação e caracterização» Comunicação aos “1.os Encontros de Conservação e Restauro – Tecnologias”, Instituto Politécnico de Tomar, 2000.

Visita Orientada ao ‘Serviço de Documentação e Informação’

26 de Fevereiro, 2024

Sábado, 2 março, 11H00
Duração: 1h (aprox.)
Visita orientada por Teresa Pinheiro Torres
Mínimo de 5 pessoas e máximo de 20 pessoas

 

Inscrições aqui

 

Iniciativa exclusiva para membros do Círculo Dr. José Figueiredo – Amigos do Museu Nacional Soares dos Reis.

No âmbito da programação proposta para o mês de março, decorre no dia 2, pelas 11 horas, uma visita orientada dedicada à reestruturação em curso do Serviço de Documentação e Informação.

 

A Biblioteca e o Arquivo do Museu Nacional Soares dos Reis dispõem de um espólio muito diverso, sendo a sua principal missão gerir e fornecer a informação necessária à atividade do museu e à investigação académica.

 

Nesta visita, damos a conhecer o projeto – atualmente em curso – de remodelação dos serviços: os espaços, o acervo, os fundos documentais, a sua organização, arrumação e tratamento.

 

A Biblioteca é especializada em História da Arte, nomeadamente nas áreas temáticas das suas coleções — Pintura, Escultura, Artes Decorativas, Gravura, Desenho, Arqueologia — e ainda em História da cidade do Porto e Museologia.

 

O fundo documental é composto por obras de referência, monografias, publicações periódicas, catálogos de museus, catálogos de exposições, catálogos de leilões, teses académicas e ainda coleções de cartazes, postais e desdobráveis.

 

O Arquivo, reflexo da atividade e da história da instituição, divide-se em dois fundos, o do Museu Nacional Soares dos Reis e o do Museu Municipal do Porto. O tratamento e controlo da documentação e informação, bem como a consulta e divulgação são alguns dos serviços disponibilizados.

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Conversa dedicada à Exposição Teresa G. Lobo e Domingos Sequeira

26 de Fevereiro, 2024

António Filipe Pimentel, Diretor do Museu Calouste Gulbenkian (desde 2021), estará presente no Museu Nacional Soares dos Reis, no próximo sábado, dia 2 março, pelas 16 horas, numa conversa dedicada à Exposição «Teresa Gonçalves Lobo e Domingos Sequeira – um diálogo no tempo».

 

A iniciativa, integrada no programa paralelo da exposição temporária, contará ainda com as participações do Diretor do Museu Nacional Soares dos Reis, António Ponte, do curador da exposição Bernardo Pinto de Almeida e da artista Teresa Gonçalves Lobo.

 

A entrada é gratuita, sujeita a inscrição prévia através do formulário online.

Entre 2010 e 2019, António Filipe Pimentel assumiu as funções de Diretor do Museu Nacional de Arte Antiga (Lisboa), e de Subdiretor-Geral do Património Cultural. Foi ainda coordenador científico da Candidatura da Universidade de Coimbra a Património da Humanidade UNESCO.

 

Galardoado com o Prémio Gulbenkian de História da Arte 1992/94, pela obra Arquitectura e Poder, o Real Edifício de Mafra, é académico correspondente nacional da Academia Nacional de Belas Artes, académico correspondente da Academia da Marinha e membro da Sociedade Científica da Universidade Católica Portuguesa. Conta com mais de três centenas de títulos publicados, em Portugal, Espanha, França, Itália, Inglaterra, Bélgica, Alemanha, Polónia, Eslováquia, Eslovénia e Brasil.

 

Inaugurada no passado dia 27 janeiro, a mostra coloca em diálogo a nova exposição de desenhos de Teresa Gonçalves Lobo com obras de Domingos Sequeira, o grande artista português da transição do século XVIII para XIX.

 

No diálogo que sustenta esta exposição, percebe-se como uma semelhante aproximação ao desenho e ao modo do riscar acontece nas obras destes dois artistas apesar da longa distância no tempo que os separa, mas cujo propósito de fazer nascer a forma desse uso do risco os aproxima.

 

Teresa Gonçalves Lobo nasceu em 1968 no Funchal. Vive e trabalha em Lisboa e no Funchal. Estudou desenho, pintura, gravura e fotografia no Ar.Co Centro de Comunicação Visual e no Cenjor, respetivamente. Encontra-se representada em diversas coleções, privadas e institucionais, em Portugal e no estrangeiro.

141 Anos da Morte do percursor do realismo no retrato em Portugal

26 de Fevereiro, 2024

Miguel Ângelo Lupi, retratista da sociedade burguesa entre 1870 e 1880, é considerado o percursor do realismo no retrato em Portugal. Natural de Lisboa, faleceu a 26 fevereiro de 1883.

 

O pintor encontra-se representado no Museu Nacional Soares dos Reis, nomeadamente através dos retratos de Pedro Paulo Ferreira de Sousa, 1º barão de Pernes e bravo combatente da Batalha de Pernes de 1834, e sua esposa, a baronesa, Helena de Águeda Bom (na imagem).

 

Nestas obras, o artista destaca as duas personalidades representando-as sobre fundos trabalhados em esquemas de gradação de cor, conferindo ilusão de profundidade. O casal é retratado onze anos após a morte do barão, o que terá obrigado o artista a recorrer a uma imagem, ao passo que a sua esposa ainda terá pousado para o artista.

Miguel Ângelo Lupi nasceu em Lisboa a 8 maio de 1826, filho de pai italiano e mãe portuguesa. Aos 15 anos entra para a Academia de Belas Artes de Lisboa. De 1841 a 1843 foi aluno de Joaquim Rafael na aula de Desenho Histórico, tendo obtido dois prémios. Discípulo de António Manuel da Fonseca na aula de Pintura Histórica de 1844 a 1846, abandona nesse ano a Academia e passa a frequentar a Escola Politécnica.

 

Entre 1849 e 1860 exerceu vários cargos como funcionário público, um deles na província de Angola. Desses anos conhecem-se alguns trabalhos pouco relevantes no percurso do pintor. Em 1859, então com 33 anos, é convidado a realizar o retrato de D. Pedro V para o Tribunal de Contas de Lisboa, onde trabalhava. Com o agrado do rei e da Academia obtém o pensionato do Estado para completar a sua aprendizagem em Roma. Instalado no Hospício de Santo António dos Portugueses desde o Outono de 1860 até fins de 1863, nunca procurou o ensino direto de um mestre.

 

Interessado no estudo de anatomia, do nu e do retrato, copia, em pequenos formatos, obras de Ticiano, Corregio, Rubens, Andrea del Sartro, Velásquez. Trabalha também a partir do modelo vivo, cenas e figuras locais e esboça pequenas composições inspiradas em temas literários como Fausto e Margarida (MNSR). Prepara a prova final de pensionista – a pintura histórica D. João de Portugal.

 

No regresso de Roma e depois em 1867 visitou Paris. Este contacto revelou-se crucial na formação do pintor. Tocado pela corrente realista, particularmente pela obra de Courbet, introduziu nova intensidade na análise e interpretação dos temas que futuramente trabalhou, especialmente no retrato. Chegado a Lisboa em 1864, foi de imediato nomeado Académico de Mérito e professor de Desenho de Figura da Academia de Belas Artes de Lisboa, vindo em 1868 a ocupar o cargo de professor de Pintura Histórica que exerceu até à sua morte, ocorrida a 26 fevereiro de 1883.

 

 

Créditos de Imagem
Foto Capa: Revista Occidente, Volume VI, Nº 153 de 21 de Março de 1883 – Hemeroteca Digital

146º Aniversário de Nascimento de Acácio Lino Magalhães

25 de Fevereiro, 2024

Natural de Travanca, Amarante, onde nasce a 25 fevereiro de 1878, Acácio Lino Magalhães foi para o Porto frequentar o Liceu Central. Concluído o curso, matriculou-se na Academia Portuense de Belas Artes tendo como colegas as irmãs Aurélia e Sofia de Sousa. Enquanto aluno da Academia, participou nas exposições aí promovidas, dos “alunos considerados dignos de distinção”. Na Academia Portuense foi discípulo de Marques de Oliveira.

 

Em 1904 partiu para Paris como pensionista do Estado, onde continuou os estudos junto a Jean Paul Laurens e F. Cormon. Daí enviava assiduamente trabalhos que eram expostos na Academia do Porto. Em Paris conviveu com Constantino Fernandes, Alves Cardoso, Sousa Lopes, João da Silva e Simões de Almeida (sobrinho). Depois da permanência nesta cidade, seguiu-se uma viagem a Itália.

De regresso ao Porto, concorreu ao lugar de Professor da Academia na cadeira de Pintura Histórica, aí iniciando uma longa carreira docente, abandonando-a como professor jubilado. Autor de uma vasta obra, distinguiu-se sobretudo como paisagista, pintor de trechos rústicos e animalista. Do retrato, de que é autor de uma vasta galeria, foi intérprete sóbrio.

 

Acácio Lino dedicou-se às grandes composições históricas, revelando preocupação pelo rigor histórico. A temática preferencial incidiu em grandes dramas da História de Portugal: o artista é autor do célebre quadro “O Grande Desvairo” (Câmara Municipal do Porto) que representa a tragédia de D. Pedro e D. Inês. Realizou trabalhos de decoração no Museu da Artilharia (1907) e no Palácio da Assembleia Nacional (1921 – 1922). No Porto, em colaboração com José de Brito, executou a pintura do teto da sala de espetáculos do Teatro Nacional de S. João.

 

Em Portugal, Acácio Lino expôs regularmente nos salões da Sociedade de Belas Artes do Porto, desde 1910 e noutros, como o Salão Silva Porto, recebendo a Medalha de Ouro de Mérito Artístico da Câmara Municipal. Em Lisboa, obteve a Medalha de Honra na Sociedade Nacional de Belas Artes, expondo “Moleirinhas da Minha Aldeia” e, consequentemente, foi nomeado professor na Academia Nacional de Belas Artes. O artista recebeu ainda a Comenda da Ordem de Santiago de Espada. Em 1943, a Sociedade Nacional de Belas Artes promoveu uma Exposição de Homenagem. Acácio Lino morreu no Porto, em 1956.

 

Imagens
Arrancada, Acácio Lino, 1928 @Museu Nacional Soares dos Reis
Palhaços Músicos, Acácio Lino, 1903 @Museu Nacional Soares dos Reis

187º Aniversário de Nascimento de Teixeira Lopes (Pai)

24 de Fevereiro, 2024

Escultor e ceramista português, José Joaquim Teixeira Lopes, ou Teixeira Lopes (Pai), nasceu em São Mamede de Ribatua, concelho de Alijó, no dia 24 fevereiro de 1837. Entre as suas numerosas obras, destacam-se a estátua de Passos Manuel, em Matosinhos, e a estátua de D. Pedro V, na Praça da Batalha, no Porto.

 

José Joaquim Teixeira Lopes foi trabalhar, aos 13 anos, como aprendiz no atelier do Professor de escultura da Academia Portuense de Belas Artes, Manuel da Fonseca Pinto, na confeção de ornamentos de proas de navios, onde permaneceu 6 anos.

 

Estudou ainda na Escola Industrial do Porto e, com dois professores da referida Academia, João António Correia e Francisco José Resende, desenvolveu a sua técnica de desenho e modelação do barro.

Passou depois cerca de um ano em Paris, onde estudou com o célebre escultor François Jouffroy e, ao retornar, dedicou-se intensamente à cerâmica. Na Fábrica de Cerâmica das Devesas, da qual foi fundador, sócio e principal artista, criou um curso de desenho e modelação, o qual eventualmente deu origem à Escola Industrial Passos Manuel, em Vila Nova de Gaia.

 

Entre as suas numerosas obras, destacam-se a estátua de Passos Manuel em Matosinhos, a estátua de D. Pedro V, na Praça da Batalha do Porto; o relevo Baptismo de Cristo em bronze no batistério da Sé do Porto, estando o gesso original na Igreja Matriz de S. Mamede de Ribatua; o desastre da Ponte das Barcas, ocorrido em 1809;  as estátuas “União faz a força”, “Filho pródigo”, “Caridade”, “Conde Ferreira”, e diversas estátuas alegóricas.

 

José Joaquim Teixeira Lopes (pai do escultor António Teixeira Lopes e do arquiteto José Teixeira Lopes) foi também pintor de azulejos e criador de dezenas de figuras em terracota pintada, representando figuras e costumes regionais. Atendendo à grande quantidade de artistas a quem ensinou ou que com ele privaram, Teixeira Lopes (Pai) foi uma das mais influentes figuras da Arte em Portugal, no período do Romantismo.

 

Foi agraciado com a Ordem de Cristo, condecoração que lhe foi atribuída por El-Rei D. Luís, e ganhou diversos prémios em exposições nacionais e internacionais. José Joaquim Teixeira Lopes faleceu em 1918, em Vila Nova de Gaia, estando sepultado no jazigo-capela da família, na sua terra natal.

 

Foi um ceramista criativo e um inovador pedagogo, justamente considerado como o primeiro impulsionador da “Escola de Gaia” de escultura.

 

Foto @Direitos Reservados

Ministro defende “capacidade de abertura e de diálogo dos museus”

23 de Fevereiro, 2024

O Ministro da Cultura, Pedro Adão e Silva, visitou hoje o Museu Nacional Soares dos Reis, onde teve oportunidade de apreciar a recém-inaugurada exposição temporária «Teresa Gonçalves Lobo e Domingos Sequeira: um diálogo no tempo», bem como «Paisagem», exposição temporária de fotografia de José Zagalo Ilharco.

 

Acompanhado por Pedro Sobrado, Presidente do Conselho de Administração da Museus e Monumentos de Portugal, EPE, o Ministro da Cultura foi recebido por Paula Oliveira, em representação do Museu Nacional Soares dos Reis.

 

A visita contou ainda com as presenças do curador da exposição Bernardo Pinto de Almeida e da artista Teresa Gonçalves Lobo.

Pedro Adão e Silva referiu que a visita foi motivada pelo seu “interesse e curiosidade em ver esta exposição em particular [«Teresa Gonçalves Lobo e Domingos Sequeira: um diálogo no tempo»], porque se trata de uma mostra que corresponde àquilo que deve ser a afirmação de um museu como o Museu Nacional Soares dos Reis. Ou seja, a possibilidade de abertura e de cruzamento entre as coleções que pertencem ao museu e o diálogo com aquilo que se faz atualmente a nível artístico”.

 

Considerando que os museus não devem ser encarados como uma espécie de ‘arquivo morto’, onde são depositadas várias peças de interesse histórico, o Ministro da Cultura salientou a necessidade de “estimular a capacidade de abertura e de diálogo [dos acervos dos museus] com a contemporaneidade, neste caso particular, das artes visuais”, acrescentando que “esse diálogo e esse cruzamento são fundamentais para que os museus se abram à sociedade”, conquistando assim novos públicos.

 

Teresa Gonçalves Lobo (Funchal, 1968), cujo trabalho se iniciou há mais de duas décadas, centrou-se logo de início no desenho como campo expressivo onde tem desenvolvido notável pesquisa. Está representada em diversas coleções, privadas e institucionais, em Portugal e no estrangeiro.

 

Domingos Sequeira (Lisboa, 1768 – Roma, 1837), considerado por alguns o mais talentoso e original pintor português do seu tempo, desempenhou um papel fundamental no desenvolvimento da arte portuguesa de início do século XIX.

 

As exposições temporárias «Teresa Gonçalves Lobo e Domingos Sequeira: um diálogo no tempo» e «Paisagem» estarão patentes ao público, no Museu Nacional Soares dos Reis, até 28 abril.

Visita Orientada ‘Pintura de Flores, Aves e Costumes Nórdicos’

23 de Fevereiro, 2024

Público
Jovens e adultos

 

Duração
50 minutos

 

Inscrições
Formulário online (até 48 horas de antecedência)

 

Valor
Bilhete de entrada no MNSR

Tomando como ponto de partida uma Merenda ao ar livre, tema popular que fazia eco das famosas “bambochatas flamengas”, nesta visita orientada vamos ao encontro da pintura dos Países-Baixos através de algumas das melhores obras dos Museus do Porto.

 

A visita será orientada por Paula Santos Triães no próximo dia 1 março, sexta-feira, pelas 11 horas. Inscrições a decorrer.

 

A pintura dos Países-Baixos do sul conheceu grande expansão a partir da cidade de Antuérpia (Bélgica), em torno da corporação de artistas Guilda de São Lucas. A produção repartia-se por especialidades em que a Pintura de História, Paisagem, Natureza-morta (objetos e seres inanimados) e temas de costumes alcançaram extraordinária difusão.

 

A burguesia procurava na obra de arte a representação do seu género de vida, que se traduziu na produção em série de cenas do quotidiano, interiores de catedrais e composições de flores e frutos.

 

No norte dos Países-Baixos (Holanda), sob influência da religião protestante, a pintura tende a ser mais austera e a desenvolver aspetos de metáfora, que conduzem a uma reflexão sobre a conduta humana.

 

Créditos de Imagem
Natureza-morta, de Pieter Claesz, Século XVII, acervo do Museu Nacional Soares dos Reis

145 anos da pintura ‘O Mártir Cristão’ de Joaquim Vitorino Ribeiro

23 de Fevereiro, 2024

Produzida em 1879, a obra “O Mártir Cristão” de Joaquim Vitorino Ribeiro, que integra a exposição de longa duração do Museu Nacional Soares dos Reis, foi exposta em 1880 no Salon (França), tendo sido referida pelo jornal “Le Figaro”.

 

Joaquim Vitorino Ribeiro cursou a Academia Portuense de Belas-Artes, onde teve como professor João António Correia.

 

Em 1873 foi para Paris completar a sua educação artística, como pensionista particular e depois do Estado. Aí estudou com o célebre professor da Escola de Belas-Artes Alexandre Cabanel, tal como os seus conterrâneos Silva Porto, Henrique Pousão, Sousa Pinto.

Mereceu o epíteto de Père Ingres pela preocupação obsessiva e o rigor do desenho que utilizava na pintura, depois dos inúmeros estudos e esbocetos em que se aplicava. Nas suas composições “frias e literárias”, sobressaem os temas históricos como a “Partida de Vasco da Gama para a índia” e “O Juramento de Viriato”, e os mais interessantes temas bíblicos, de que são bons exemplos o “Cristo no Túmulo” e “O Mártir Cristão”, expostos em Paris nos Salons de 1879 e 1880.

Adquirida pouco depois para o Museu Municipal do Porto, O Mártir, estará presente desta vez em Madrid na Exposição de Bellas Artes de 1881.

 

No Porto, para além de expor nas Trienais da APBA (1869, 1874, 1881), tomou parte nas Exposições d’Arte de 1888, 1889, 1893 e 1894. As suas obras irão aparecendo regularmente nas mais conhecidas exposições realizadas nesta cidade em 1917, 1927, 1932, 1933, 1936.

 

Outra faceta da sua personalidade foi a de colecionador apaixonado, enchendo a sua casa de um numeroso e interessante núcleo de peças, tendo sido transformada na Casa-Museu Vitorino Ribeiro graças à doação que os seus filhos, o Dr. Pedro Vitorino e o Arquiteto Emanuel Ribeiro, fizeram à Câmara Municipal do Porto.

Casa da Família Vitorino Ribeiro @Arquivo Municipal do Porto

Casa da Família Vitorino Ribeiro @Arquivo Municipal do Porto

118º Aniversário de Nascimento de José Dominguez Alvarez

23 de Fevereiro, 2024

Filho de pais de naturalidade galega mas nascido no Porto, a 23 de fevereiro de 1906, chamou-se de seu nome completo José Cândido Dominguez Alvarez.

 

Aos 20 anos matricula-se no curso de Arquitetura da Escola de Belas Artes do Porto, mudando logo a seguir para o curso de Pintura, onde teve como mestres Dórdio Gomes, Acácio Lino, Aarão de Lacerda e Joaquim Lopes. Só terminaria a sua formação académica em 1940, com a classificação de 20 valores e durante os dois anos seguintes foi bolseiro do Instituto de Alta Cultura e professor da Escola Infante D. Henrique.

 

Integrara, entretanto, como um dos mais empenhados protagonistas, o grupo de artistas da Escola de Belas Artes do Porto que lança, em 1929, o manifesto “+ Além”, contra o ensino académico, contra os valores naturalistas de Marques de Oliveira, contra a arte como fenómeno mundano, acontecimento que marcará toda a sua vida de marginalidade em relação aos valores instituídos.

José Augusto França integra-o no segundo modernismo português, juntamente com Mário Eloy e Júlio Reis Pereira. Na pintura de Dominguez Alvarez reside uma espontaneidade que resulta numa composição de formas e cores aparentemente ingénua.

 

Fernando Lanhas caraterizou a produção do artista em diferentes fases. Na fase vermelha, iniciada em 1927, Dominguez Alvarez utilizou cores intensas e pouco trabalhadas, ao mesmo tempo que descreveu um paisagismo urbano e primário, de que é exemplo o Aspecto da Sé do Porto e a série das fábricas.

 

Numa outra fase, após algumas incursões inconsequentes no âmbito da abstração, mantendo o mesmo colorido, regressou ao paisagismo, com outra maturidade técnica, voltando ao Porto e às paisagens nortenhas como as de S. João da Ribeira em Ponte de Lima.

 

Em 1936, Dominguez Alvarez realiza no Salão Silva Porto a sua única exposição individual. Dois anos depois verá as suas obras recusadas na III Exposição de Arte Moderna do Secretariado de Propaganda Nacional, mas logo aceites na exposição do ano seguinte.

 

Em 1942, meses depois da sua morte, tem lugar, mais uma vez no Salão Silva Porto, a primeira exposição retrospetiva da sua obra, organizada, entre outros, por seu pai e os pintores Guilherme Camarinha e Dórdio Gomes e sob a égide do Instituto de Alta Cultura, na qual se expõem, sem seleção nem critério, cerca de 300 obras suas, e que será repetida no ano seguinte em Lisboa, na Sociedade Nacional de Belas Artes.

 

Nos anos 50 vários acontecimentos trazem para primeiro plano a sua figura de inconformista e solitário e dá-se a abertura da Galeria Alvarez, homenagem de Jaime Isidoro e António Sampaio. Nos anos 80, e à volta do centenário do seu nascimento, várias manifestações procuram posicioná-lo na arte moderna portuguesa. Assim a revista “Prelo”, da Imprensa Nacional Casa da Moeda, dedica-lhe um número e em 1987 a Secretaria de Estado da Cultura organiza, em Lisboa e Porto, uma exposição retrospetiva da sua obra.

 

Foto: Obras de José Dominguez Alvarez na Exposição de Longa Duração do Museu Nacional Soares dos Reis

Foto Capa: Autorretrato de José Dominguez Alvarez, óleo sobre cartão, sem data @Fundação Calouste Gulbenkian

Valter Hugo Mãe assina editorial do Museu Nacional Soares dos Reis

22 de Fevereiro, 2024

O escritor Valter Hugo Mãe é o autor do editorial da newsletter de fevereiro, do Museu Nacional Soares dos Reis, assinando o texto «Outras famílias».

 

Valter Hugo Mãe é um dos mais destacados autores portugueses da atualidade. A sua obra está traduzida em variadíssimas línguas, merecendo um prestigiado acolhimento em muitos países. Estará presente no Museu Nacional Soares dos Reis, no próximo dia 29 fevereiro, pelas 19h00, para a sessão de apresentação do seu mais recente livro “Deus na Escuridão”.

 

A sessão, que contará ainda com as presenças de Albuquerque Mendes, Rosa Alice Branco e Rui Couceiro, tem entrada gratuita, sujeita a inscrição prévia até dia 27 fevereiro para o email comunicacao@mnsr.dgpc.pt.

O livro “Deus na Escuridão” explora a ideia de que amar é sempre um sentimento que se exerce na escuridão. Uma aposta sem garantia que se pode tornar absoluta. A dúvida está em saber se os irmãos podem amar como as mães que, por sua vez, amam como Deus. Passada na ilha da Madeira, esta é a história de dois irmãos e da necessidade de cuidar de alguém. Delicado e profundo, Deus Na Escuridão é um manifesto de lealdade e resiliência.

 

Autor dos romances: Deus na escuridão, As doenças do Brasil, Contra mim (Grande Prémio de Romance e Novela – Associação Portuguesa de Escritores); Homens imprudentemente poéticos; A Desumanização; O filho de mil homens; a máquina de fazer espanhóis (Prémio Oceanos); o apocalipse dos trabalhadores; o remorso de baltazar serapião (Prémio Literário José Saramago) e o nosso reino.

 

Escreveu alguns livros para todas as idades, entre os quais: Contos de cães e maus lobos, O paraíso são os outros, As mais belas coisas do mundo, Serei sempre o teu abrigo e A minha mãe é a minha filha. A sua poesia encontra-se reunida no volume publicação da mortalidade. Publica a crónica Autobiografia Imaginária, no Jornal de Letras, e Cidadania Impura, na Notícias Magazine.

José Teixeira Barreto: de monge beneditino a pintor e colecionador

22 de Fevereiro, 2024

José Teixeira Barreto iniciou a sua aprendizagem como pintor na oficina do pai, pintor, dourador e riscador de talha portuense. Aos 19 anos, tomou o hábito beneditino no Mosteiro de S. Martinho de Tibães, em Braga, adotando o nome de Fr. José da Apresentação.

 

Durante esta fase inicial da sua vida executou várias pinturas para os mosteiros de Tibães e de Santo Tirso. Quando foi para Lisboa estudar Desenho na aula do professor Joaquim Manuel da Rocha passou a residir no Mosteiro de S. Bento da Saúde (hoje edifício da Assembleia da República).

 

Em 1790, cinco anos depois de ter ido viver para Lisboa, viajou até Roma, para aperfeiçoar a sua pintura, frequentar os museus de arte italianos e copiar obras da Arte Clássica. Entre as obras que então realizou, contam-se duas águas-fortes datadas de 1794 e de 1795, dedicadas ao seu patrono, e 41 gravuras para o livro “Scherzi Poetici Pittorici” de Giovanni Gherardo Rosse, publicadas na edição de luxo dessa obra (Parma, 1811), oferecida a Napoleão.

De regresso a Portugal, trouxe uma coleção de pintura que veio a constituir um museu no Mosteiro de Tibães (dispersa após 1834 e que veio a integrar o Museu Portuense, atual Museu Nacional Soares dos Reis), as relíquias da virgem e mártir Santa Clara, depositadas na igreja do Terço (1798) e depois trasladadas (1803) para a capela do Bonfim, e três livros de desenhos da sua autoria, dois deles hoje pertencentes à Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto e o outro ao Museu Nacional Soares dos Reis.

 

No período pós-romano, produziu as pinturas do coro-alto da igreja matriz de Santo Tirso, o pano de boca do camarim do altar-mor da igreja da Venerável Ordem Terceira de S. Francisco, no Porto (c. 1800), o pano de boca do altar-mor da igreja paroquial de S. João da Foz, no Porto, pinturas para os mosteiros de S. João de Pendorada e de Santa Maria de Pombeiro, possivelmente duas telas para a igreja portuense de S. Lourenço e hoje guardadas no Museu Nacional Soares dos Reis (“S. Pedro mostrando a Eucaristia” e “O Maná”), o autorretrato (Museu Nacional Soares dos Reis) e um retrato do pintor Francisco Vieira, o Portuense.

 

Na fase final da vida solicitou o reingresso na ordem beneditina. Porém, a morte surpreendeu-o no dia 6 de novembro de 1810. Foi sepultado no dia seguinte, numa campa rasa com o n.º 18, no cruzeiro da igreja do Mosteiro de S. Bento da Vitória, no Porto. José Teixeira Barreto deixou um valioso legado, composto pela sua obra pictórica e também pelos quadros que colecionou.

 

Fonte documental

Visita ‘Artur Loureiro – Um pintor Português no encontro dos séculos’

21 de Fevereiro, 2024

Sábado, 24 fevereiro, 10H30
Duração: 1h (aprox.)
Visita orientada por Ana Paula Machado
Mínimo de 5 pessoas e máximo de 20 pessoas

 

Inscrições aqui

 

Iniciativa exclusiva para membros do Círculo Dr. José Figueiredo – Amigos do Museu Nacional Soares dos Reis.

No âmbito da programação proposta para o mês de fevereiro, decorre no dia 24, pelas 10h30, uma visita orientada dedicada ao pintor naturalista Artur Loureiro.

 

Em 1901 Artur Loureiro regressa ao Porto, depois de mais de 20 anos de permanência no estrangeiro, 16 dos quais passados na Austrália, protagonizando com isso um percurso de vida fora do comum.

 

Tido como responsável pela introdução do movimento simbolista no contexto artístico australiano, Loureiro não abandonaria nunca o naturalismo de princípio.

 

Nos antípodas caminhara, sem o saber, a par dos artistas do seu País, vivendo à distância um mesmo universo de contradições, o mesmo que se manteria no seu regresso ao Porto, entre a pintura que ora parece buscar a absoluta verdade do “natural”, ora se embebe de emoções e estados de alma.

 

Artur Loureiro nasceu no Porto, a 11 fevereiro de 1853. Começou a estudar desenho e pintura com o mestre e amigo António José da Costa, tendo depois ingressado na Academia Portuense de Belas Artes, onde continuou a sua aprendizagem com João António Correia.

 

Em 1873, concorreu ao pensionato em Paris, do qual viria a desistir em favor de Silva Porto. Em 1875 voltou a concorrer a pensionista, desta vez para Roma, onde acabou por ingressar no Círculo Artístico.

 

Em 1879, o artista voltou a candidatar-se a bolseiro em Paris, onde viveu no Quartier Latin e frequentou a École des Beaux-Artes, onde foi discípulo de Cabanel. Aqui se apaixonou, ligando-se sentimentalmente a uma australiana, Marie Huybers, com quem casou.

 

Em 1884, fisicamente debilitado, emigrou para a Austrália, fixando-se em Melbourne. Só no início do século XX regressou em definitivo ao Porto, empenhando-se no fomento das artes. Na sua cidade natal montou, então, um atelier-escola, numa ala do já desaparecido Palácio de Cristal, o qual se tornou um espaço de referência, procurado por aspirantes a artistas e admiradores do pintor.

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15 Anos da Morte do Mestre Escultor Lagoa Henriques

21 de Fevereiro, 2024

Autor da icónica Estátua de Fernando Pessoa, no Chiado, em Lisboa, Lagoa Henriques faleceu a 21 fevereiro de 2009, aos 85 anos, vítima de doença prolongada.

 

António Augusto Lagoa Henriques estudou Escultura no Porto e na Sociedade Nacional de Belas-Artes de Lisboa, onde expôs pela primeira vez em 1946. Em 1950, 1952 e 1953 ganhou, respetivamente os 2.º e 1.º Prémios de Escultura Soares dos Reis.

 

Tornou-se membro da Academia Nacional de Belas-Artes e lançou-se internacionalmente em 1953, na II Bienal de São Paulo.

Nos anos de 1965, 1967 e 1968 marcou presença em exposições coletivas no Porto, em Amarante e Lisboa, no Rio de Janeiro, Bruxelas, Paris, Madrid e Luanda.

 

Algumas das suas obras integram coleções particulares nacionais e estrangeiras, podendo também ser contempladas no Museu Nacional de Soares dos Reis (Porto), no Museu do Chiado, no Museu da Fundação Calouste Gulbenkian (ambos em Lisboa) e ainda no Museu de Arte Moderna (São Paulo).

 

Lagoa Henriques encontra-se representado na Exposição de Longa Duração do Museu Nacional Soares dos Reis, com Cabeça de Rapariga, datada de 1953 (na imagem). Trata-se do retrato de uma rapariga, com fundição de bronze, fixa a uma base cilíndrica de granito. Pose frontal, rosto de pele lisa, contornos bem definidos da boca, nariz correto e olhos voltados para o observador, contornados por sobrancelhas finas. Sobre a cabeça parece existir uma pequena boina e o cabelo, cortado à altura do queixo, faz um penteado formando dois tufos, visto de frente.

 

Mestre e motivador de sucessivas gerações de criadores artísticos, é de Lagoa Henriques a escultura representativa do poeta Fernando Pessoa que se encontra na esplanada do Café Brasileira, no Chiado, em Lisboa. Foi ainda autor de desenhos e esculturas notáveis, poeta, conferencista e colecionador de peças tão diversas como pinturas, conchas, livros e troncos de árvores.

Oficina de Aguarela para Famílias ‘Visitar Henrique Pousão’

21 de Fevereiro, 2024

Oficina Visitar Pousão

25 fev, 10h30/12h30, domingo
Público-alvo | Famílias
Preço | Gratuito
Inscrições | se@mnsr.dgpc.pt

A partir da obra de Henrique Pousão na exposição de longa duração, a proposta desta oficina para famílias é explorar as infinitas possibilidades de uma composição plástica. Descobrir como a cor, as formas, a luz e os planos nos convidam a entrar na obra. Registar o “vivido in loco” num breve exercício de aguarela pintado na cerca no jardim ou na oficina.

 

A Oficina de Aguarela para Famílias ‘Visitar Pousão’ evoca o pintor naturalista Henrique Pousão, cuja obra está fortemente representada na coleção do Museu Nacional Soares dos Reis, onde se encontram as obras “Casas Brancas de Capri”, “Senhora Vestida de Preto” e “Janelas das Persianas Azuis”, todas classificadas como tesouros nacionais.

 

Desde cedo que a família lhe reconhecera talento, manifesto sobretudo em retratos a lápis. Com 10 anos passa a residir em Barcelos e, em 1872, fixa-se no Porto. É nesta cidade que frequenta o atelier do pintor António José da Costa para preparar a entrada na Academia Portuense de Belas-Artes (1872). Muito influenciado por Marques de Oliveira, regressado de Paris em 1879, Pousão ganha o concurso de pensionista, chegando a Paris no final do ano de 1880, acompanhado de Sousa Pinto (1856 – 1939).

 

Em Espanha, tinha visitado já o Museu do Prado e antes de ingressar no atelier de Cabanel e de Yvon, visitou também galerias de arte e museus em Paris, e conheceu o Impressionismo, especialmente em 1881 na região francesa de Puy-de-Dômes, aldeia de Saint-Sauves.

 

Neste ano, muda-se para Roma, onde aluga um atelier e, em 1882, produz significativas obras, também em Nápoles e Capri. Paisagens de um poético e vibrante cromatismo, em exercícios de captação de luz, pinturas de género como Cecília (MNSR), e retratos, como Senhora Vestida de Preto (MNSR), realizado já em Paris, revelam a sua modernidade, invulgar no panorama artístico português.

 

Vitimado aos 25 anos pela tuberculose, a sua obra adquire importância décadas mais tarde, tendo sido entregue, após a sua morte prematura, à Academia Portuense de Belas Artes.

Olhares em Diálogo no MNSR – Ciclo de Visitas a Duas Vozes

20 de Fevereiro, 2024

O Museu Nacional Soares dos Reis e o Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar (ICBAS) da Universidade do Porto dão início, no próximo mês de março, a um novo programa de parceria, intitulado «Olhares em Diálogo no Museu Nacional Soares dos Reis. Ciclo de Visitas Orientadas a Duas Vozes».

 

A iniciativa, nesta primeira fase, é dirigida aos estudantes e profissionais do ICBAS, proporcionando visitas temáticas que irão explorar as ligações entre a medicina, as ciências da vida e da saúde e a arte, colocando lado a lado as visões e perspetivas de gestores de coleção do Museu e de docentes do ICBAS.

Pretende-se, igualmente, incentivar o conhecimento e o interesse dos estudantes pelas várias expressões artísticas e culturais; ilustrar diferentes visões da arte e cultura acerca de temas da medicina e das ciências da vida e da saúde e promover novas e diversificadas leituras das coleções do Museu Nacional Soares dos Reis.

 

Para o Diretor do Museu Nacional Soares dos Reis, António Ponte, esta iniciativa “vem reforçar a relação de parceria institucional com o ICBAS, no seguimento da atividade realizada em 2021/2022. No âmbito do programa «Outros Lugares», a partir da alegoria Quatro Estações, o MNSR levou ao Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar uma série de quatro telas do século XVII, que estabelece uma relação com as diferentes fases da vida do Ser Humano. Abrimos agora as portas do MNSR para receber toda a comunidade do ICBAS num ciclo de visitas que, por certo, irá abrir novos horizontes”.

 

Permitindo leituras de cruzamento entre a arte e a medicina, o ciclo de visitas agora proposto possibilitará perceber como arte e ciência, duas áreas de conhecimento muitas vezes tidas como distintas, podem ser aliadas e contribuir uma melhor qualidade de vida.

 

Para o Diretor do ICBAS, Henrique Cyrne Carvalho, esta é uma proposta que “procura dar continuidade a um projeto iniciado em 2021, onde abrimos as portas ao Museu para a exposição de pintura ‘Ciclo da Vida’, mas também é o reafirmar da nossa visão para uma formação integrada e alargada dos nossos estudantes, onde a arte assume um papel fundamental, no seu desenvolvimento como profissionais e como pessoas”.

 

‘Fontes e Fontanários – a água e a cidade’, ‘O Homem, os Animais e o Ambiente – do trabalho, da companhia até à subsistência’; ‘Soares dos Reis e a Relação com a Anatomia Humana’, ‘Entre Viagens, Portugueses e Genes’ são os temas das visitas a realizar durante os meses de março e abril.

 

Calendário das Visitas

19 de março – 12h45 às 13h45 – Adelaide Carvalho e Adriano Bordalo e Sá: ‘Fontes e Fontanários – a água e a cidade’

03 de abril – 12h30 às 13h30 – Ana Paula Machado e Paulo Martins da Costa – ‘O Homem, os Animais e o Ambiente – do trabalho, da companhia até à subsistência’

09 de abril – 12h30 às 13h30 – Paula Santos, Maria João Oliveira e Paula Proença – ‘Soares dos Reis e a Relação com a Anatomia Humana’

17 de abril – 12h30 às 13h30 – Paula Oliveira e Rosário Almeida: ‘Entre Viagens, Portugueses e Genes’

Visitas Orientadas à Exposição de Fotografia ‘Paisagem’

20 de Fevereiro, 2024

Com curadoria de Rui Pinheiro, a exposição Paisagem apresenta uma seleção de fotografias do arquivo familiar de José Zagalo Ilharco, fotógrafo amador que deixou relevante obra, por poucos conhecida, num valioso testemunho de paisagens de Portugal do final do século XIX e início do século XX.

 

Nos próximos dias 22 e 29 fevereiro, pelas 18 horas, serão realizadas visitas a esta exposição, orientadas pelo curador Rui Pinheiro e por Maria Carneiro (familiar de José Zagalo Ilharco), respetivamente. Inscrições a decorrer aqui.

José Zagalo Ilharco (Lamego, 1860 – Porto, 1910), fotógrafo amador, premiado internacionalmente com uma imagem do rio Souza, dedicou-se primordialmente à fotografia de paisagem, mas também à antropologia dos espaços, de que são exemplo as imagens agora reveladas do Porto e de Matosinhos.

 

As reproduções das melhores imagens que produziu foram reunidas em álbum pelo filho Norberto de Melo Zagalo Ilharco em dois volumes (1947) e, sendo propriedade dos herdeiros, são tornadas públicas num reconhecimento ao seu legado.

 

A seleção apresentada no Museu Nacional Soares dos Reis inclui, entre originais e reproduções, sobretudo paisagens de Matosinhos, Leça da Palmeira, Porto e Douro. Das imagens apresentadas destaca-se, igualmente, um núcleo de fotografias realizadas em 1893 do velódromo Maria Amélia, produzidas antes da sua inauguração nos terrenos do Paço Real do Porto, onde se encontra instalado, atualmente, o Museu Nacional Soares dos Reis.

Eugénio Moreira: ‘um dos maiores pintores paisagistas portugueses’

20 de Fevereiro, 2024

Tendo falecido em fevereiro de 1913, com apenas 42 anos de idade, vítima de doença mental, Eugénio Moreira foi artista da segunda geração de naturalistas, embora praticamente ignorado em vida.

 

Eugénio Moreira foi homenageado postumamente numa exposição organizada pelo seu sobrinho, Fernando Ferrão Moreira, no Ateneu Comercial do Porto (1956).

 

O Museu Nacional de Soares dos Reis tem três telas da sua autoria: um autorretrato inacabado, onde o pintor se representa a meio-corpo, com paleta e pincéis e rosto entristecido; e as suas duas obras mais elogiadas: a paisagem Vale de Penacova (na imagem), obra patente na Grande Exposição do Norte de Portugal de 1933 e na 1.ª Exposição de Arte Retrospectiva (1880-1933) da SNBA em 1937; e o retrato Ferreirinha exposto em Lisboa, em 1937.

Eugénio Moreira nasceu no Porto em 1871. Frequentou a Escola Médico Cirúrgica do Porto (1892-1895), transferindo-se, depois, para a Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra. Nesta cidade conviveu com o grupo da Boémia Nova, mantendo relações de amizade com os escritores portuenses António Nobre (1867-1900), Alberto de Oliveira (1873-1940) e, em especial, com Agostinho de Campos (1870-1944). Regressou ao Porto sem ter concluído o curso, matriculando-se na Academia Portuense de Belas Artes, onde não chegou a diplomar-se.

 

Viveu alguns anos em Paris, onde frequentou a Academia Julien e a Academia Décluse. Foi discípulo de Jean Paul Laurens (1838-1921) e de Benjamin Constant (1845-1902) e recebeu influências de pintores dos movimentos impressionista, fauvista e Nabis. Visitou museus e templos italianos, registando as suas impressões em guias de viagem.

 

De regresso a Portugal, estudou paisagem e figuras portuguesas. Percorreu o Minho, em especial a zona de Vila Praia de Âncora, e Vale de Penacova na Beira, detendo-se nas terras do Mondego. Em 1907 expôs no ateliê do escultor Fernandes de Sá, seu companheiro e amigo.

 

Em 1955, Abel Salazar referia-se deste modo ao pintor: “Eugénio Moreira, o malogrado autor de “Vale” é, com Henrique Pousão, o maior dos paisagistas portugueses. Entre os dois existem diferenças na qualidade, não em valorização: são duas visões, porém igualmente elevadas”.

 

Fonte documental

Museu Nacional Soares dos Reis é palco da Wine & Travel Week

19 de Fevereiro, 2024

As reuniões profissionais da Wine & Travel Week decorrem no Museu Nacional Soares dos Reis, hoje e amanhã, integrando responsáveis por projetos de Enoturismo, agentes e operadores, empresas de animação turística, especialistas, associações e outros profissionais da área.

 

A Wine & Travel Week pretende posicionar-se como um evento global dedicado ao Enoturismo de luxo, para impulsionar projetos e marcas.

 

As galerias do Museu Nacional Soares dos Reis, instituição cultural e artística de referência, ocupadas com uma coleção de dimensão internacional, serão “o cenário inspirador para a realização de bons negócios”.

A Wine & Travel Week, um encontro que agrega profissionais de todo o mundo, conta nesta segunda edição, com uma comitiva de mais de 100 compradores e jornalistas especializados em enoturismo, a que se somam membros das capitais dos grandes vinhedos do mundo, a Great Wine Capitals (GWC). África do Sul, Espanha, França, Índia, Inglaterra, Israel, Japão, Nigéria, Portugal são alguns dos países representados.

 

Entre as diversas atividades paralelas do evento, destaca-se, no dia 20 fevereiro, o almoço com autoria do chefe Rui Paula (duas estrelas Michelin no restaurante Casa de Chá – Paço da Boa Nova), a ser servido no Museu Nacional Soares dos Reis.

 

Importa sublinhar que, pela primeira vez, WTW terá uma região convidada: Castela e Leão (Espanha), que aproveitará a presença na iniciativa para realizar, em paralelo, a estreia mundial do espetáculo “Merina: o ouro espanhol. Oteiza”. O palco será o Coliseu do Porto, ao final da tarde de 20 de fevereiro.

 

Wine & Travel Week é uma organização Essência Company.

65º Aniversário de Falecimento de Diogo de Macedo

19 de Fevereiro, 2024

Diogo Cândido de Macedo nasceu em Vila Nova de Gaia, a 22 novembro de 1889. Destacou-se como um dos mais importantes escultores da primeira geração de artistas modernistas portugueses.

 

Em 1944 é convidado a dirigir o Museu Nacional de Arte Contemporânea, cargo que mantém até ao final da vida. Faleceu, em Lisboa, a 19 fevereiro de 1959.

Em 1902 ingressa no curso de Escultura da Academia Portuense de Belas-Artes, por sugestão de Teixeira Lopes. Conclui o curso em 1911, ano em que parte para Paris. Os escultores Bourdelle e Rodin serão os grandes influenciadores do seu trabalho.

 

Em 1913 participa no Salão dos Artistas Franceses e realiza a primeira exposição individual, no Porto. Em 1915 participa no 1.º Salão dos Humoristas do Porto, com desenhos assinados sob o pseudónimo de «Maria Clara».

 

Nos anos seguintes divide a sua atividade entre o Porto, Lisboa e Paris e, em 1921, fixa-se na capital francesa. Esta fase é marcada pela intensa vida social e atividade profissional, esculpindo, escrevendo e organizando exposições.

 

Da sua fase parisiense destaca-se o grupo escultórico L’Adieu ou Le pardon (1920), obra gestualmente estática que alia uma sensibilidade neo-romântica e uma conotação simbolista a uma dimensão formal e plástica cosmopolita e moderna.

 

Em 1926 estabelece-se em Lisboa e em 1930 publica a sua primeira obra (14, Cité Falguière, memórias dos tempos de Paris). Nos anos seguintes mantém a produção artística, respondendo a encomendas privadas e oficiais.

 

Em 1941, após viuvez, renuncia à escultura e dedica-se à atividade literária. Publica biografias de artistas, estudos, separatas, prefácios de catálogos de exposições.

 

Em 1944 é convidado a dirigir o Museu Nacional de Arte Contemporânea, cargo que mantém até ao final da vida. Em 1946 torna a casar e, dois anos depois, é incumbido pelo Ministério das Colónias para dirigir e acompanhar uma exposição itinerante de Artes em Angola e Moçambique.

 

Na década de 1950 é convidado a organizar os processos de classificação dos imóveis de interesse público, atividade que mantém a par da participação em certames artísticos e da escrita de críticas e ensaios sobre assuntos de arte e de museologia.

 

Fonte: Museu Nacional de Arte Contemporânea do Chiado

Foto: Escultura Cabeça de Rapaz, de Diogo de Macedo, acervo do Museu Nacional Soares dos Reis

Foto da Capa: Diogo de Macedo @Fundação Calouste Gulbenkian

Programa Ensaio da RTP evoca António Soares dos Reis

16 de Fevereiro, 2024

Os 135 Anos da Morte de António Soares dos Reis foram lembrados num novo episódio do Ensaio, da RTP. Ensaio é um magazine cultural, emitido desde o último trimestre do ano passado, dedicado à divulgação de eventos e protagonistas que marcam a atualidade artística do país.

 

Patrono do Museu desde 1911, António Soares dos Reis, considerado um dos maiores escultores portugueses do séc. XIX, faleceu a 16 fevereiro de 1889. A doença e insatisfação levam-no ao suicídio, no seu atelier.

 

“Sou cristão, porém, nestas condições, a vida para mim é insuportável. Peço perdão a quem ofendi injustamente, mas não perdoo a quem me fez mal.” De acordo com a descrição de Diogo de Macedo, terão sido estas as últimas palavras deixadas pelo escultor António Soares dos Reis na manhã em que disparou dois tiros de revólver na cabeça, na sua casa-atelier de Vila Nova de Gaia, a 16 de Fevereiro de 1889 – faz hoje 135 anos.

António Soares dos Reis nasceu a 14 de outubro de 1847, no lugar de Santo Ovídio, freguesia de Mafamude, concelho de Vila Nova de Gaia. Com apenas 14 anos, matriculou-se na Academia Portuense de Belas Artes, onde – durante a frequência do curso – colheu vários prémios e louvores. Em poucos anos o curso estava concluído, obtendo o 1º prémio nas cadeiras de desenho, arquitetura e escultura.

 

Aos 20 anos, António Soares dos Reis tornou-se pensionista do Estado no estrangeiro. Entre 1867 e 1870 permanece em Paris como pensionista, recebendo lições de Jouffroy, Yvon e Taine. Em Paris recebe vários prémios pelos seus trabalhos.

 

Após breve estada em Portugal, em 1871 parte para Roma, etapa decisiva na sua formação. É em Roma que inicia a execução de O Desterrado (1872), obra de inspiração clássica, ensaio de transição para o naturalismo, premiada na Exposição Geral de Belas-Artes de Madrid de 1881.

 

Regressado ao Porto em 1873 para se dedicar à carreira artística, Soares dos Reis colabora em publicações e preside ao Centro Artístico Portuense. A partir de 1881, leciona Escultura na Escola de Belas-Artes do Porto, embora discorde da orgânica do ensino.

 

Soares dos Reis é admirado pelos seus contemporâneos, recebe encomendas, participa em concursos e exposições, concebe monumentos públicos.

 

Incapaz de se sobrepor à incompreensão e ao descrédito lançados contra o seu valor artístico e de enfrentar a obstrução sistemática aos seus esforços de inovação como docente, recorreu ao suicídio, deixando uma obra ímpar na escultura da segunda metade do século XIX.

Visita Orientada ‘Henrique Pousão: do Alentejo à Campânia’

15 de Fevereiro, 2024

Público
Jovens e adultos

 

Duração
50 minutos

 

Inscrições
Formulário online (até 48 horas de antecedência)

 

Valor
Bilhete de entrada no MNSR

Nascido no Alentejo, Henrique Pousão viveria, no breve trecho de tempo que foi o da sua vida, entre o Porto, Paris, Roma, Nápoles e Capri, confrontando-se com as afinidades e divergências da luz desses diferentes lugares e registando-as na sua pintura.

 

Henrique Pousão ingressou na Academia Portuense de Belas-Artes, tendo-se sagrado como pintor da primeira geração naturalista, e foi pensionista do Estado em França e Itália.

 

A sua obra está fortemente representada na coleção do Museu Nacional Soares dos Reis, onde se encontram as obras “Casas Brancas de Capri”, “Senhora Vestida de Preto” e “Janelas das Persianas Azuis”, todas classificadas como tesouros nacionais.

 

A pintura de caminhos e ruas, pátios, casas, aspetos de Paris, testemunha o seu percurso criativo, que culmina nas estadias em Roma e Capri.

 

A sua obra, que revela o arrojo e o talento do jovem pintor e o seu interesse absoluto nos valores da pintura em si em detrimento dos temas ou da narrativa, foi entregue, após a sua morte prematura, à Academia Portuense de Belas Artes.

 

Henrique Pousão (1859-1884)

Desde cedo que a família lhe reconhecera talento, manifesto sobretudo em retratos a lápis. Com 10 anos passa a residir em Barcelos e, em 1872, fixa-se no Porto. É nesta cidade que frequenta o atelier do pintor António José da Costa para preparar a entrada na Academia Portuense de Belas-Artes (1872). Muito influenciado por Marques de Oliveira, regressado de Paris em 1879, Pousão ganha o concurso de pensionista, chegando a Paris no final do ano de 1880, acompanhado de Sousa Pinto (1856 – 1939).

 

Em Espanha, tinha visitado já o Museu do Prado e antes de ingressar no atelier de Cabanel e de Yvon, visitou também galerias de arte e museus em Paris, e conheceu o Impressionismo, especialmente em 1881 na região francesa de Puy-de-Dômes, aldeia de Saint-Sauves.

 

Neste ano, muda-se para Roma, onde aluga um atelier e, em 1882, produz significativas obras, também em Nápoles e Capri. Paisagens de um poético e vibrante cromatismo, em exercícios de captação de luz, pinturas de género como Cecília (MNSR), e retratos, com Senhora Vestida de Preto (MNSR), realizado já em Paris, revelam a sua modernidade, invulgar no panorama artístico português. Vitimado aos 25 anos pela tuberculose, a sua obra adquire importância décadas mais tarde.

Pintor (e poeta) António Carneiro: o ‘retratista das almas’

15 de Fevereiro, 2024

António Carneiro ingressou na Academia Portuense de Belas Artes em 1884, há precisamente 140 anos, onde foi aluno de Soares dos Reis e de Marques de Oliveira, entre outros. António Carneiro foi também poeta mas, a sua obra principal, ‘Solilóquios’, só foi publicada, em 1936, poucos anos depois de morrer.

 

António Teixeira Carneiro Júnior nasceu em Amarante, em 1872. As circunstâncias precárias que envolvem o seu nascimento e primeira infância levam ao seu internamento, com 7 anos, no Asilo do Barão de Nova Sintra, no Porto.

 

Entre 1884 e 1896 frequentou a Academia Portuense de Belas Artes, onde foi discípulo de Soares dos Reis, João António Correia e Marques de Oliveira.

Em 1897 parte para Paris, onde se manteve até 1900, ano em que se realiza a Exposição Universal de Paris, para a qual é convidado, participando na decoração do pavilhão português.

 

Não foi na aprendizagem possível na Academia que o jovem encontrou respostas para as suas questões: embora não indiferente à estética impressionista em particular, identificou-se mais com sensibilidades enquadradas no Simbolismo.

 

António Carneiro era um homem místico, melancólico e solitário, carácter a que não seriam alheias as privações e dificuldades de toda a ordem que experimentou. Carregado de interrogações existenciais, encontrou em Paris, nesse fin-de-siècle de grandes reflexões e crise espiritual, o meio ideal para a problematização das suas questões. É neste contexto que surge o tríptico “A Vida, feito Esperança, Amor e Saudade”, obra emblemática de Carneiro e da arte portuguesa, iniciada em Paris e apresentada pela primeira vez no Porto, em 1901, na Galeria da Misericórdia.

 

No Porto, a sua carreira artística vai desenvolver-se num contexto cultural muito particular e, só nele, se poderá entender o seu percurso. Pintor e poeta, “o artista mais intelectual do seu tempo”, vive rodeado de um grupo de pensadores, poetas, políticos, homens cultos associados em torno da revista “A Águia”. Fundada em 1910 é, a partir de 1912, o órgão do movimento literário e cultural, a “Renascença Portuguesa”, constituído no Porto. António Carneiro foi diretor artístico da revista desde a sua fundação até 1927, data em que deixa de ser publicada. Desde 1918 foi professor na Escola de Belas Artes do Porto e nomeado seu diretor em 1929, cargo que nunca chegaria a exercer.

 

Ao longo de toda a sua carreira, António Carneiro praticou principalmente dois géneros de pintura – o retrato e a paisagem – e fez das ilustrações um meio de subsistência. Aceitava, com alguma relutância, encomendas de retratos de pessoas com quem não tinha afinidades ou simplesmente desconhecia. Embora referenciado como “pintor de retratos” era a paisagem o que mais o atraía e que, no conjunto da sua obra, melhor manifesta as potencialidades inovadoras do artista que deu à arte portuguesa novos valores de modernidade.

 

Entre os anos de 1925 e 1927 concentrou-se num género de pintura de grande intimidade: uma série de interiores de igrejas que traduzem os seus mais íntimos sentimentos de homem dilacerado pela morte da filha (1925).

 

Em 1929 realiza uma composição, Camões lendo os Lusíadas aos frades de S. Domingos, obra de síntese que o pintor executa perto do fim da vida e que vende, no Brasil, nesse mesmo ano.

 

Já na ilustração, os 42 desenhos da ilustração do lnferno de Dante, que se encontram no Museu Nacional Soares dos Reis, revelam o melhor do seu talento de poeta visionário.

 

A este propósito, recordamos que está patente no Lionesa Business Hub, a Exposição Inferno – A Viagem de Dante pela mão de António Carneiro, a qual resulta de uma parceria entre o Lionesa Business Hub, o Lionesa Group, o Museu Nacional Soares dos Reis e a ASCIPDA – Associazione Socio-Culturale Italiana del Portogallo Dante Alighieri.

 

A exposição tem acesso gratuito e estará patente até 30 março 2024, das 09h00 às 18h00.

São Pantaleão, padroeiro do Porto durante vários séculos

14 de Fevereiro, 2024

O culto de São Pantaleão tem longa tradição na igreja Católica e o mártir do século III e IV foi santo padroeiro da cidade do Porto, durante vários séculos, até que, em 1984, o orago da cidade passou para Nossa Senhora da Vandoma.

 

A devoção a S. Pantaleão, médico martirizado na antiga cidade grega Nicomédia em 303 d.C, instalou-se na cidade do Porto por influência de um grupo de cristãos arménios. Segundo relatos da época, este grupo terá chegado ao Porto no final da Idade Média, trazendo consigo as relíquias daquele santo, que depositaram na Igreja de São Pedro de Miragaia.

Em 1499, por decisão do bispo D. Diogo de Sousa, as relíquias foram transladadas para a Sé Catedral do Porto. No busto relicário, utilizado na visita a doentes, foi guardado um fragmento do crânio de São Pantaleão.

 

Este objeto devocional, que integra as coleções do MNSR desde 1941, é um dos mais antigos bustos relicários conhecidos em Portugal. Pela ausência de objetos similares, torna-se difícil estabelecer uma cronologia exata para a sua execução e definir a origem do seu fabrico.

 

Ao longo da sua existência nesta Instituição conta com uma bibliografia longa, tendo sido alvo de estudos multidisciplinares após a sua abertura em 1999, materializados em 2003, numa Exposição no Museu Soares dos Reis e no Catálogo que lhe serviu de suporte, com o título Esta é a cabeça de São Pantaleão.

 

De autoria desconhecida, elaborado em prata branca, dourada e pintada, esmaltes, ouro e quartzo hialino, o busto relicário de São Pantaleão data dos séculos XV e XVI. Encontra-se classificado como Tesouro Nacional, pelo seu valor cultural de significado para a história e para a memória coletiva.