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Visita ‘Ao encontro do ensino artístico nas coleções do Museu’

12 de Fevereiro, 2024

O Museu Nacional Soares dos Reis propõe visitas com temas variados, para conhecer detalhes inesperados e surpreendentes sobre a sua história e coleções. No âmbito da programação do mês de fevereiro, decorre no próximo dia 16, pelas 15 horas, a Visita Orientada ‘Ao encontro do ensino artístico nas coleções do Museu’. Inscrições a decorrer.

 

Falar do ensino artístico no Porto implica fazer uma viagem no tempo que se inicia século XVIII com a criação da Aula de Debuxo e Desenho, em 1779, passando pela Aula de Desenho da Academia Real de Marinha e Comércio, em 1803, dirigida por Vieira Portuense até à criação da Academia Portuense de Belas-Artes em 1836, mais tarde Escola superior de Belas-Artes, em 1950.

 

Uma visita que pretende dar a conhecer alguns aspetos da história do Ensino Artístico a partir das coleções do Museu, identificando as várias gerações de artistas.

“Alguns anos depois da criação de Aula de Náutica, a Junta Administrativa da Companhia Geral da Agricultura das Vinhas do Alto Douro solicitou ao rei a criação de um outro estabelecimento de ensino — a Aula de Debuxo e Desenho — instituído pelo Decreto de 27 de Novembro de 1779.

 

Procurando complementar o trabalho da aula de Náutica, o ensino ministrado nesta Aula – iniciado em Fevereiro de 1780 – visava, especialmente, o curso de pilotagem. A aula era frequentada essencialmente por jovens nobres, mas também por comerciantes, fabricantes, artistas, oficiais, aprendizes e marinheiros que li encontravam a formação necessária para ‘desenharem as máquinas e instrumentos; para tirarem cartas geográficas e topográficas dos países, plantas de cidades, de embarcações, etc.’.

 

A Aula funcionou no Colégio dos Meninos Órfãos até 1802, ano em que foi transferida para o Hospício dos Religiosos de Santo António. O primeiro “lente da Aula” foi António Fernandes Jácome, sucedendo-lhe o pintor Vieira Portuense, nomeado em 20 de Dezembro de 1800, que, passados três anos, se converteu em diretor do estabelecimento.

 

A Aula de Debuxo e Desenho foi a primeira manifestação do ensino artístico na cidade do Porto, precursora de instituições como a Academia Portuense de Belas-Artes, a Escola Superior de Belas Artes do Porto e as atuais faculdades de Arquitetura e de Belas Artes da Universidade do Porto”.[1]

 

Imagem: Manuel da Silva Godinho (gravura); Teodoro de Sousa Maldonado (desenho), Porto, 1789

 

[1] Texto adaptado de SANTOS, Cândido dos – Universidade do Porto: raízes e memória da Instituição. Porto: UP, 1996.

Artur Loureiro e as pinturas realizadas em Vila do Conde

11 de Fevereiro, 2024

Artur Loureiro nasceu no Porto, a 11 fevereiro de 1853. Começou a estudar desenho e pintura com o mestre e amigo António José da Costa, tendo depois ingressado na Academia Portuense de Belas Artes, onde continuou a sua aprendizagem com João António Correia.

 

Em 1873, concorreu ao pensionato em Paris, do qual viria a desistir em favor de Silva Porto. Em 1875 voltou a concorrer a pensionista, desta vez para Roma, onde acabou por ingressar no Círculo Artístico.

 

Em 1879, o artista voltou a candidatar-se a bolseiro em Paris, onde viveu no Quartier Latin e frequentou a École des Beaux-Artes, onde foi discípulo de Cabanel. Aqui se apaixonou, ligando-se sentimentalmente a uma australiana, Marie Huybers, com quem casou.

Em 1884, fisicamente debilitado, emigrou para a Austrália, fixando-se em Melbourne. Só no início do século XX regressou em definitivo ao Porto, empenhando-se no fomento das artes. Na sua cidade natal montou, então, um atelier-escola, numa ala do já desaparecido Palácio de Cristal, o qual se tornou um espaço de referência, procurado por aspirantes a artistas e admiradores do pintor. Aí ensinou, pintou e expôs.

 

Passou uma temporada em Vila do Conde, onde produziu várias obras. Este facto é reforçado por, em 1933, ter sido apresentada em exposição a obra “Tio Francisco” como pertença da coleção que, anos mais tarde, foi legada ao Museu Nacional Soares dos Reis e de onde provém esta figura de homem (Cabeça de velho – na imagem). A paisagem de fundo desta pintura situa a representação em Vila do Conde, identificada pela presença inconfundível da cúpula da Capela de Nossa Senhora do Socorro, inserida no casario ribeirinho daquela cidade.

 

A este propósito, recordamos o artigo de António de Lemos, no qual se escreve:

«Arthur Loureiro, esse grande artista que durante tantos annos viveu longe de nós, n’esse bello paiz, a Australia, e que uma vez cá, filho do Porto, amando o seu ninho com um amor especial de artista, apoz a sua primeira exposição onde nos mostrou que era um delicado pintor de figura, com os seus retratos, e os seus typos admiravelmente executados, vae para bem perto do Porto, para Villa do Conde e cheio de vontade e repleto de savoir faire, lança á tela lindos quadros que são como filigranas da arte pintural. (…)

 

Andam os nossos pintores delineando paisagens, por esse paiz em fóra e nenhum, que me lembre, tinha ido pintar para Villa do Conde. Talvez porque julgassem não haver alli nada que pintar e Arthur Loureiro, que ha vinte annos estava fóra do seu paiz, chegou e para socegar dos seus trabalhos escolares foi para essa linda praia descançar e que descanço o seu, voltou trazendo na sua bagagem deliciosas telas, formosissimas. Querer citar as melhores seria cital-as todas, eu porém notarei como primordial?A Senhora da Guia?depois, as Azenhas e d’estas não sei se o que resplende de sol, se o outro, feito por uma manhã triste de chuva.

 

A Igreja matriz, tambem o noto pelo bello do effeito. Como uma mancha retumbante, n’aquella suavidade de côr, os reposteiros da igreja fazem resaltar o quadro (ora aqui está onde eu decerto dou raia, em ter recebido uma bella impressão pelo vermelho que destaca do quadro, mas sou assim e não ha nada que me atrapalhe).

 

A Paisagem geral de Villa do Conde, com o seu convento e a sua cazaria branca é formosa.

 

O Passado, quadro cheio de poesia e de candura. Como um poema, de amor, de dôr e de miseria aquella velha sentada á porta da igreja, onde talvez ella se baptisara, casára e seria enterrado o seu companheiro de muitos annos, talvez um pescador, que ella hoje chora, pedindo esmola, na sua miseravel e angustiosa viuvez.

 

Mas vamos fechar este artigo que vae já longo de mais. Antes porém notaremos dous quadros, um que se intitula?Não voltará mais, e que é outro poema de dôr. Junto d’uma bella arvore em flor, um redondendro, uma viuva e uma creança olham o mar.

 

Esse mar gigantesco e barbaro que foi, decerto, quem subjugou para sempre o ente querido d’essas duas figuras insinuantemente bellas nas suas silhouetes».[1]

 

[1] In «Notas d’arte», António de Lemos, 1906

135 anos da escultura ‘Ismael’ do gaiense Augusto Santo

9 de Fevereiro, 2024

Escultor naturalista e simbolista, que assinou as suas obras como Augusto Santo, teve uma carreira breve e atribulada. Homem constantemente insatisfeito, Augusto Santo destruiu parte da sua produção escultórica.

 

Natural de Coimbrões, Vila Nova de Gaia, nasceu a 1 abril de 1869. Cursou a Academia Portuense de Belas Artes entre 1882 e 1889, tendo sido condiscípulo e rival de António Teixeira Lopes (ambos se matricularam no dia 20 de outubro de 1882).

 

Em 1891, Augusto Santo adquiriu a ferramenta do falecido mestre Soares dos Reis, antes de prosseguir os estudos em Paris, cidade onde se fixou durante três anos, usufruindo de uma subscrição particular do benemérito Joaquim Fernandes de Oliveira Mendes.

Em Paris, instalou-se na rua Denfert-Rochereau, onde residiam outros artistas portugueses como Teixeira Lopes, filho. Contactou com o artista parisiense Alexandre Falguière (1831-1900) e com vários compatriotas, entre os quais os escritores Eça de Queiroz (1845-1900) e António Nobre (1867-1900), os pintores Carlos Reis (1863-1940) e Amadeo de Souza-Cardoso (1887-1918) e o historiador e crítico de arte José de Figueiredo (1872-1937).

 

Em 1893, com o fim do apoio financeiro e a falta de resultados, Augusto Santo viu-se obrigado a regressar a Portugal. Começou, então, a trabalhar no seu ateliê em Coimbrões e a frequentar os cafés portuenses da Praça Nova, onde conheceu intelectuais como Pádua Correia e Manuel Laranjeira, que o descreveu como um rosto triste, de misantropo sonâmbulo na multidão.

 

Entre as poucas obras que sobreviveram à destruição destaca-se a escultura Ismael, prova de final de curso na APBA, datada de 1889. O original, em gesso, conserva-se no Museu Nacional Soares dos Reis, onde se encontra em exposição a obra fundida em bronze.

 

Sobre esta escultura, escreveu Romero Vila, sacerdote e investigador, em 1963:

 

Ismael, a estátua final do curso de Augusto Santo, tem a sua história prosaicamente triste como a poderia ter euforicamente alegre, porque saiu dum esforço interior e consagração humana. Comparam-na ao celebérrimo “Desterrado” de Soares dos Reis, pela imensa desolação e tortura psíquica que ambas as esculturas descrevem dos seus autores. Diogo de Macedo atreve-se a afirmar que são autobiografias de amargura amassadas no barro com o próprio sangue.

 

Augusto Santo morreu no Hospital de Santo António, no Porto, em 26 setembro de 1907, vítima de tuberculose.

184º Aniversário de Nascimento de António José da Costa

8 de Fevereiro, 2024

Mestre particular de Henrique Pousão, de João Marques de Oliveira e de Artur Loureiro, António José da Costa nasceu a 8 fevereiro de 1840, no Porto.

 

Com 12 anos inscreveu-se nas aulas da Associação Industrial Portuense, onde foi aluno a Desenho de António José de Souza Azevedo. Este professor, ao descobrir o seu talento artístico, convenceu o pai a matriculá-lo na Academia Portuense de Belas Artes.

 

Na Academia frequentou os cursos de Desenho, Pintura Histórica e Arquitetura Civil (1853-1865). Foi aluno de Tadeu de Almeida Furtado (Desenho) e de João António Correia (Pintura) e viu a sua pintura ser comparada com a de dois mestres do barroco espanhol, Ribera (1591-1652) e Murillo (1618-1682).

No início da carreira pintou retratos e paisagens, quadros que assinou com o nome de António José da Costa Júnior. Porém, foi a pintura de naturezas mortas e de composições de flores, sobretudo camélias, iniciadas cerca de 1890, que o tornou conhecido.

 

Nos finais do século XIX assistiu à introdução da pintura naturalista no Porto e, ao contrário de outros artistas românticos, decidiu seguir o exemplo da nova geração.

 

António José da Costa ajudou a criar o Centro Artístico Portuense. Colaborou na Arte Portuguesa, a primeira revista nacional dedicada em exclusivo às belas artes, para a qual executou ilustrações. Foi um dos promotores das Exposições d’ Arte, realizadas no Porto entre 1887 e 1895, juntamente com Marques de Oliveira, Marques Guimarães e Júlio Costa.

 

Em 1921, e em cumprimento de um voto pessoal, produziu um painel para a igreja de Ramalde representando a Adoração do Santíssimo Sacramento. Nos últimos anos, continuou a receber alunos de desenho e de pintura e a ser visitado por antigos discípulos como Artur Loureiro.

 

António José da Costa morreu no Porto em agosto de 1929. Várias das suas obras integram o acervo do Museu Nacional Soares dos Reis.

 

Imagem Texto: Óleo sobre madeira Lilases e rosas (1920), António José da Costa @Museu Nacional Soares dos Reis

Imagem Capa: Retrato de António José da Costa (1921), da autoria de Júlio Costa @Museu Nacional Soares dos Reis

MNSR acolhe Oficina Imaginários coletivos: Ruturas

7 de Fevereiro, 2024

Público-alvo Famílias (crianças a partir dos 6 anos)
Local Museu Nacional Soares dos Reis
Entrada 20 Euros (1 criança e 1 acompanhante)
Inscrições se@mnsr.dgpc.pt

Com produção do Balleteatro, a Oficina Imaginários coletivos: Ruturas vai decorrer, no Museu Nacional Soares dos Reis, no próximo domingo, dia 18, pelas 10h30.

 

Dirigida a famílias, com crianças a partir dos 6 anos, a iniciativa irá proporcionar momentos de exploração de movimentos e linguagens através da dança, tendo como mote as ‘ruturas’.

 

A rutura transforma-nos, faz-nos viajar para territórios desconhecidos. O corpo que dança estimula essa mudança, social ou artisticamente, impulsiona novos hábitos e relações de estar no mundo. Através desta oficina, os participantes irão experimentar e compreender algumas ruturas, ocupando os seus corpos com movimentos que permitem explorar outros imaginários coletivos.

 

A Oficina Imaginários coletivos: Ruturas será orientada por Sónia Cunha (Porto, 1975). Iniciou os seus estudos de dança clássica na Escola de Bailado Fátima Valle da Veiga, segundo o método da Escola Royal Academy of Dancing. Concluiu o Curso Profissional de Dança no Balleteatro Contemporâneo do Porto.

 

Lecciona Ballet Clássico no Balleteatro Escola Profissional desde 1996, sendo intérprete do Balleteatro desde 1992. Frequentou um estágio de Ballet Clássico ministrado por Anabela Guimarães e Workshops orientados por Jordi Cortês Molina, João Fiadeiro, Clara Andermatt, Peter Michael Dieis, Paulo Ribeiro, Companhia Raiz di Polon.

Evocação dos 135 anos da morte de António Soares dos Reis

7 de Fevereiro, 2024

Patrono do Museu desde 1911, António Soares dos Reis, considerado um dos maiores escultores portugueses do séc. XIX, faleceu a 16 fevereiro de 1889. A doença e insatisfação levam-no ao suicídio, no seu atelier.

 

António Soares dos Reis nasceu a 14 de outubro de 1847, no lugar de Santo Ovídio, freguesia de Mafamude, concelho de Vila Nova de Gaia.

 

Com apenas 14 anos, matriculou-se na Academia Portuense de Belas Artes, onde – durante a frequência do curso – colheu vários prémios e louvores. Em poucos anos o curso estava concluído, obtendo o 1º prémio nas cadeiras de desenho, arquitetura e escultura.

Aos 20 anos, António Soares dos Reis tornou-se pensionista do Estado no estrangeiro. Entre 1867 e 1870 permanece em Paris como pensionista, recebendo lições de Jouffroy, Yvon e Taine. Em Paris recebe vários prémios pelos seus trabalhos.

 

Após breve estada em Portugal, em 1871 parte para Roma, etapa decisiva na sua formação. É em Roma que inicia a execução de O Desterrado (1872), obra de inspiração clássica, ensaio de transição para o naturalismo, premiada na Exposição Geral de Belas-Artes de Madrid de 1881.

 

Regressado ao Porto em 1873 para se dedicar à carreira artística, Soares dos Reis colabora em publicações e preside ao Centro Artístico Portuense. A partir de 1881, leciona Escultura na Escola de Belas-Artes do Porto, embora discorde da orgânica do ensino.

 

Soares dos Reis é admirado pelos seus contemporâneos, recebe encomendas, participa em concursos e exposições, concebe monumentos públicos.

 

Incapaz de se sobrepor à incompreensão e ao descrédito lançados contra o seu valor artístico e de enfrentar a obstrução sistemática aos seus esforços de inovação como docente, recorreu ao suicídio, deixando uma obra ímpar na escultura da segunda metade do século XIX.

 

Sobre o Museu Nacional Soares dos Reis

O Museu Nacional Soares dos Reis tem origem no Museu de Pinturas e Estampas e outros objetos de Belas Artes, criado em 1833 por D. Pedro IV de Portugal, primeiro Imperador do Brasil, para salvaguarda dos bens sequestrados aos absolutistas e conventos abandonados na guerra civil (1832-34).

 

Com a extinção das ordens religiosas recolheram-se obras, entre outros, nos mosteiros de Tibães e de Santa Cruz de Coimbra. Conhecido como Museu Portuense, ficou instalado no extinto Convento de Santo António da Cidade, na praça de S. Lázaro, vindo a ser formalizado por decreto em 1836 por D. Maria II.

 

Em 1839, passou para a direção da Academia Portuense de Belas Artes, que promoveu uma série de exposições em que foram premiados notáveis artistas como Soares dos Reis, Silva Porto, Marques de Oliveira e Henrique Pousão, em sucessivas gerações de mestres e discípulos.

 

Com a proclamação da República passou a designar-se Museu Soares dos Reis em memória de um dos mais destacados nomes da Arte Portuguesa.

 

Em 1932, passou à categoria de Museu Nacional, época marcada por uma reorganização significativa de Vasco Valente, através da incorporação dos objetos do Paço Episcopal do Porto (Mitra) e do Museu Industrial, bem como do depósito das coleções do extinto Museu Municipal. Segue-se, em 1940, a instalação do Museu no Palácio dos Carrancas, onde ainda se mantém.

Sessão de Apresentação do livro “Deus na Escuridão”

7 de Fevereiro, 2024

“Deus na Escuridão”, o mais recente livro de Valter Hugo Mãe, será apresentado no Museu Nacional Soares dos Reis, numa sessão agendada para o próximo dia 29 fevereiro, pelas 19h00, com entrada gratuita, sujeita a inscrição prévia.

 

Este livro explora a ideia de que amar é sempre um sentimento que se exerce na escuridão. Uma aposta sem garantia que se pode tornar absoluta. A dúvida está em saber se os irmãos podem amar como as mães que, por sua vez, amam como Deus.

 

Passada na ilha da Madeira, esta é a história de dois irmãos e da necessidade de cuidar de alguém. Delicado e profundo, Deus Na Escuridão é um manifesto de lealdade e resiliência.

Valter Hugo Mãe é um dos mais destacados autores portugueses da atualidade. A sua obra está traduzida em variadíssimas línguas, merecendo um prestigiado acolhimento em muitos países.

 

Autor dos romances: Deus na escuridão, As doenças do Brasil, Contra mim (Grande Prémio de Romance e Novela – Associação Portuguesa de Escritores); Homens imprudentemente poéticos; A Desumanização; O filho de mil homens; a máquina de fazer espanhóis (Prémio Oceanos); o apocalipse dos trabalhadores; o remorso de baltazar serapião (Prémio Literário José Saramago) e o nosso reino.

 

Escreveu alguns livros para todas as idades, entre os quais: Contos de cães e maus lobos, O paraíso são os outros, As mais belas coisas do mundo, Serei sempre o teu abrigo e A minha mãe é a minha filha.

 

A sua poesia encontra-se reunida no volume publicação da mortalidade. Publica a crónica Autobiografia Imaginária, no Jornal de Letras, e Cidadania Impura, na Notícias Magazine.

 

Entrada livre com inscrição prévia até 27 fevereiro para o email comunicacao@mnsr.dgpc.pt

 

(Foto @Direitos Reservados)

Caixa das Histórias Ensarilhadas – Oficina Marionetas de Papel

6 de Fevereiro, 2024

Público-alvo Famílias (crianças a partir dos 4 anos)
Local Museu Nacional Soares dos Reis
Entrada 15 Euros por criança (gratuito para os acompanhantes)

Inscrições se@mnsr.dgpc.pt

A marioneta faz parte do nosso imaginário e da nossa história, memória e tradição. Esta forma de arte é inesgotável nas experiências artísticas e cénicas, de criação e manipulação, renovando-se continuamente.

 

No Museu Nacional Soares dos Reis, pais e filhos terão oportunidade de partilhar a experiência de construção de marionetas e teatro de papel, partindo de histórias para dar corpo às personagens, abrindo espaço à improvisação e à teatralização das mesmas.

 

A Oficina Marionetas de Papel – Caixa das Histórias Ensarilhadas, dinamizada pelo Teatro e Marionetas de Mandrágora, está marcada para o próximo domingo, dia 11, pelas 10h30, sendo dirigida a famílias com crianças a partir dos 4 anos. Cada participante irá criar o seu teatro, bem como um conjunto de figuras que, no final, levará consigo para dar continuidade à exploração.

 

O Teatro de Papel surgiu no século XVIII e serviu desde sempre como elemento de jogo teatral, de modo a permitir a narrativa de histórias através das suas figuras recortadas.

Visita Orientada «Os móveis falam do seu tempo»

6 de Fevereiro, 2024

Sábado, 10 fevereiro, 11H00
Duração: 1h (aprox.)
Visita orientada por Paula Oliveira
Mínimo de 5 pessoas e máximo de 20 pessoas

Inscrições aqui

 

Iniciativa exclusiva para membros do Círculo Dr. José Figueiredo – Amigos do Museu Nacional Soares dos Reis.

No âmbito da programação proposta para o mês de fevereiro, decorre no dia 10, pelas 11 horas, uma visita orientada dedicada à coleção de mobiliário do Museu Nacional Soares dos Reis, sob o mote «Os móveis falam do seu tempo».

 

Os núcleos de mobiliário religioso e civil formam no seu conjunto um arco temporal que se estende do século XVI ao século XX. A coleção do Museu Nacional Soares dos Reis inclui alguns exemplares que ilustram ciclos artísticos que notabilizaram o mobiliário português. Integra também peças de origem europeia e outras de produção oriental.

 

Entre os exemplares de mobiliário português destaca-se o designado estilo nacional, um período de individualização artística situado entre 1675-1725, assim como o mobiliário barroco desenvolvido em Portugal na segunda metade do século XVIII, com materiais e técnicas que igualmente o particulariza. Da passagem do século XVIII para o XIX, do período neoclássico, preserva-se um conjunto de peças criado para os espaços de receção do antigo palácio, que permitem uma rara leitura entre mobiliário e arquitetura, pintura e estuques decorativos.

 

As peças de origem europeia enquadram-se em movimentos artísticos que apontam para gostos e influências de relevo para o mobiliário nacional.

 

O conjunto de peças de produção oriental, legado artístico resultante da Expansão Portuguesa e do seu império colonial, proporciona a leitura de um cruzamento de culturas através de objetos luxuosos realizados numa pluralidade de materiais raros e exóticos.

Faça parte dos Amigos do Museu

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Visita Orientada Artes decorativas, proveniências e colecionadores

5 de Fevereiro, 2024

O Museu Nacional Soares dos Reis promove uma Visita Orientada dedicada ao tema Artes decorativas, proveniências e colecionadores, na próxima quinta-feira, dia 8, pelas 15 horas. Inscrições a decorrer.

 

No processo de constituição do acervo atualmente à guarda do Museu Nacional Soares dos Reis, as artes decorativas tiveram um papel fundamental a partir da década de 1940, quando o museu foi transferido para o Palácio dos Carrancas.

 

Ao longo da visita, será abordado esse passado, relacionando-se a história do museu com as artes decorativas e o colecionismo no Porto.

 

A cerâmica é uma das mais importantes coleções do Museu Nacional Soares dos Reis, não só pelo número de peças, mas também pela sua relevância, representando a produção de faiança em Portugal desde o século XVI.

Entre as muitas peças que compõem esta coleção predomina a faiança nacional nortenha, em particular de Viana do Castelo, Porto e Vila Nova de Gaia. Das outras regiões do país, destacam-se os conjuntos cerâmicos provenientes de Coimbra, Lisboa (Rato) e a que é atribuída a Aveiro.

 

A coleção integra também três valiosos núcleos: um de faiança holandesa de Delft (séculos XVII e XVIII), outro de porcelana chinesa e japonesa (séculos XVI a XX), e outro de porcelana europeia (séculos XIX e XX). O núcleo de porcelanas é constituído na sua grande maioria por peças chinesas de várias épocas, que vão desde o século XVI, do período Jiajing (dinastia Ming), até ao século XIX.

 

Em reserva conservam-se outras peças relacionadas com as que são apresentadas na exposição de longa duração, assim como outros núcleos relativos ao século XX. Refira-se a doação de João Castel Branco Pereira e Paulo Henriques e um expressivo conjunto da obra cerâmica do escultor e pintor alemão Hein Semke (1899-1995).

110º Aniversário de Nascimento de João Navarro Hogan

4 de Fevereiro, 2024

De ascendência irlandesa, João Navarro Hogan nasceu em Lisboa a 4 fevereiro de 1914, no seio de uma família de pintores. Está representado em diversas coleções e museus, nomeadamente no Museu Nacional Soares dos Reis, no Porto, no Museu do Chiado e no Centro de Arte Moderna da Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa.

 

Frequentou o curso geral da Escola Superior de Belas Artes de Lisboa de 1930 a 1931. Descrente no ensino académico, abandonou a escola.

 

Certo da sua vocação de pintor, manteve-se autodidata, exercendo a pintura em paralelo com a marcenaria – sua profissão desde 1930 e por mais de 20 anos. Dessa atividade apreendeu o rigor, precisão e premeditação, características que tanto marcarão o seu processo de trabalho como pintor. Aluno em 1937 de Frederico Ayres e de Mário Augusto nas aulas noturnas da Sociedade Nacional de Belas Artes, foi em Van Gogh e em Cézanne que encontrou os seus primeiros verdadeiros mestres.

Elegendo a paisagem como tema por excelência, interpreta-a exaustiva e obsessivamente durante cinco décadas: “A minha paisagem nasce dentro e debaixo da terra. O céu nunca me interessou, e às vezes até o corto” (João Hogan, 1985). Logo nos anos 30 colheu ensinamentos nos naturalistas portugueses da 1ª geração e na pintura construída de Cézanne.

 

Pintando ao ar livre nos arredores de Lisboa e mais tarde na Beira Baixa, cedo criou um estilo próprio, marcando um percurso isolado no panorama artístico nacional. De formas sólidas e rigorosas, construídas na busca da síntese, as suas paisagens inconfundíveis mostram um profundo interesse pela vastidão e rudeza da terra. Representando lugares inabitados, imanam um silêncio cheio de significações, enfatizado pela ausência da figura humana.

 

Em 1957, começou a trabalhar em gravura, sobre a influência de William Hayter, de quem foi aluno. Se as primeiras gravuras, realizadas em madeira, têm ainda um cunho realista, as gravuras em cobre – incluindo o acaso proporcionado pelo ácido e influências do surrealismo – atingem um enorme grau de irrealidade, fantasia e mesmo humor. Dedicando-se até 1975 a esta técnica, criou uma obra extremamente lírica, de enorme diversidade, verdadeiramente autónoma da obra de pintor.

 

Sócio fundador da Sociedade Cooperativa de Gravadores Portugueses em 1957, aí dirigiu mais tarde cursos de gravura. Realizou a partir de 1960 ilustrações para livros.

 

Escolhido em 1971 para realizar um dos quadros que decoram o café A Brasileira, no Chiado, em Lisboa, formou em 1976 o grupo 5 + 1, que expôs nesse ano em Lisboa e em Viena, com os pintores Teresa Magalhães, Júlio Pereira, Sérgio Pombo, Guilherme Parente e o escultor Virgílio Domingues.

 

Imagem Texto: Óleo sobre tela Alto dos sete moinhos (1954) de João Hogan @Museu Nacional Soares dos Reis

Imagem Capa: Óleo sobre tela Autorretrato (1959) de João Hogan @Centro de Arte Moderna de Lisboa

MNSR apresenta exposição inédita da obra de José Zagalo Ilharco

2 de Fevereiro, 2024

Até 28 de abril, o Museu Nacional Soares dos Reis apresenta Paisagem, uma exposição inédita da obra de José Zagalo Ilharco, fotógrafo amador de grande mérito, premiado a nível nacional e internacional.

 

Dedicou-se especialmente à fotografia de paisagem, com enfoque em Matosinhos, Leça da Palmeira, Porto, Lamego, Guarda e Penafiel. A sua obra fotográfica, composta por mais de 260 imagens, integra ainda uma série de retratos dos seus familiares e amigos, bem como das casas onde residiu e respetivos jardins.

 

O título desta exposição inspira-se no homónimo da fotografia do Rio Sousa, premiada em Bruxelas, em 1895.

 

José Zagalo Ilharco nasceu a 31 outubro de 1860 na freguesia da Sé, na cidade de Lamego, e faleceu a 5 novembro de 1910, no Porto, repentinamente, aos 50 anos de idade.

 

Quando jovem adulto fixou residência na cidade do Porto, onde se tornou um bem-sucedido homem de negócios, entre outros, nos setores dos Seguros e do Comércio, tendo-se dedicado ainda, nos seus tempos livres, a diversas atividades culturais e recreativas, com destaque para a fotografia amadora e a floricultura, interesses que partilhava com o seu amigo Aurélio Paz dos Reis, pioneiro cineasta português.

 

José Zagalo Ilharco foi sócio fundador e diretor do Real Velo Club do Porto, tendo fotografado, em 1893, ano da sua fundação, o grupo de membros da Direção e o Velódromo, localizado nas traseiras do Palácio das Carrancas, onde se encontra instalado o Museu Nacional Soares dos Reis.

 

Com pista para velocípedes, a grande atração do espaço, e dois cortes de lawn-tennis ao centro, o Velódromo recebia novas modalidades em expansão entre as elites da cidade. José Zagalo Ilharco é o autor das únicas fotografias existentes deste equipamento, destacado num artigo de Vasco Valente, então Diretor do Museu Nacional Soares dos Reis, publicado na revista O Tripeiro em maio 1946.

Em 1947, o seu filho Norberto, em testemunho de apreço pela obra do pai, compilou, em dois álbuns, as reproduções das suas melhores fotografias. Todas as obras que integram esta exposição retrospetiva, resultam de uma seleção do volume 2, dedicado exclusivamente à Paisagem, cujas fotografias foram impressas no Bazar Foto-Amador no Porto, em fevereiro de 1945.

 

Esta é a primeira exposição de sempre da obra fotográfica de José Zagalo Ilharco, apresentando parte significativa das peças e documentos do seu espólio.

 

Créditos Fotográficos José Zagalo Ilharco @Coleção Particular

Museu Soares dos Reis na rota do Dia do Vizinho do Museu do Porto

1 de Fevereiro, 2024

O Museu Nacional Soares dos Reis faz parte do roteiro de atividades programadas para assinalar o Dia do Vizinho, iniciativa promovida pelo Museu do Porto.

 

Com o objetivo de divulgar a programação junto das comunidades locais, o Museu do Porto tem vindo a realizar regularmente o Dia do Vizinho, desde 2022, com iniciativas em torno de alguns dos espaços do museu, abertas à participação de todos e gratuitas.

 

A próxima sessão acontece no dia 4 de fevereiro, domingo, das 10 às 18 horas, no Museu Romântico. Entre as atividades previstas inclui-se uma visita ao Museu Nacional Soares dos Reis, agendada para as 14 horas.

Domingos Sequeira, Augusto Roquemont, Francisca Almeida Furtado, Francisco José Resende e João António Correia serão alguns dos artistas em destaque nesta visita, na qual serão abordados temas representados no romantismo.

 

Segue-se um percurso pedonal em torno da figura romântica de Carlos Alberto de Savoia-Carignano, rei italiano, que chegou ao Porto em 19 abril de 1849, escolhendo esta Cidade para viver durante o seu exílio.

 

Será feito o percurso entre a sua 2.ª residência num edifício junto ao Palácio dos Carrancas (atual MNSR) e a casa na Quinta da Macieirinha (Museu Romântico) que o hospedou até à sua morte, a 27 julho de 1849. Nesta casa agora museu, serão destacados elementos da presença do rei.

Visita «Uma casa incomum – a Casa-Museu Fernando de Castro»

31 de Janeiro, 2024

Sábado, 3 fevereiro, 11H00
Duração: 1h (aprox.)
Visita orientada por Ana Mântua
Mínimo de 5 pessoas e máximo de 20 pessoas

Inscrições aqui

 

Iniciativa exclusiva para membros do Círculo Dr. José Figueiredo – Amigos do Museu Nacional Soares dos Reis.

No âmbito da programação proposta para o mês de fevereiro, decorre no dia 3, pelas 11 horas, uma visita orientada à Casa-Museu Fernando de Castro, no Porto.

 

O acervo da Casa-Museu Fernando de Castro é constituído por diferentes coleções reunidas ao longo de várias décadas. É composto, maioritariamente, por arte religiosa com representações eruditas e de cariz popular, pintura naturalista portuguesa e artes decorativas. Destaca-se, ainda, um interessante núcleo de caricaturas e alguns livros da autoria de Fernando de Castro, colecionador, artista e poeta.

 

Fernando de Castro (Sé, 23 nov. 1888 – Paranhos, 7 out. 1946) foi um colecionador e empresário portuense reconhecido pela sua veia poética manifesta em publicações, com gosto pela leitura e inclinação para o desenho tendo criado várias séries de caricaturas.

 

Fernando de Castro viveu na rua das Flores junto da loja do pai, cujo negócio prosperou em vidros, espelhos e papéis pintados. Entre 1893-1908, o empresário empenhou-se na construção de uma nova casa situada na rua de Costa Cabral.

 

Desde cedo, Fernando de Castro cresceu dentro de um imaginário pleno de figuras de estilo e de ícones, em particular no que diz respeito ao mobiliário e recheio da casa de Costa Cabral— património que conservou e respeitou após a morte do pai em 1918.

 

Na idade adulta, desenvolveu os seus interesses culturais num círculo de amigos ligados aos negócios e com um gosto particular pelas artes e letras. Terá sido após a morte da mãe em 1925 que Fernando de Castro fez novas aquisições de peças.

 

A Casa-Museu Fernando de Castro é administrada pelo Museu Nacional Soares dos Reis desde 1952. As visitas estão sujeitas a marcação prévia. Saiba mais aqui.

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Visita Orientada Fontes e Chafarizes na coleção do Museu

31 de Janeiro, 2024

Inscrições
Inscrição online

 

Público Alvo
Jovens e adultos

 

Observações
Mínimo de 5 e máximo de 15 participantes

O Museu Nacional Soares dos Reis propõe visitas com temas variados, para conhecer detalhes inesperados e surpreendentes sobre a sua história e coleções. No âmbito da programação do mês de fevereiro, decorre no próximo dia 2 fevereiro, pelas 11 horas, a Visita Orientada Fontes e Chafarizes nas coleções do MNSR.

 

A água, elemento essencial à vida, inspirou a construção de estruturas para a sua distribuição, fontes e chafarizes, que marcaram o urbanismo e a vivência nas cidades.

 

Pontos de vivacidade do município do Porto, as Fontes e os Fontanários espalhados pelas ruas, largos e praças da cidade constituem locais onde o património e a história do Porto é visível e som da água ecoa. Fonte dos Leões, Fonte Monumental Mouzinho da Silveira, Fonte da Cantareira, Chafariz do Passeio Alegre, Chafariz da Trindade e Fonte da Praça da Ribeira são alguns exemplos da Fontes mais emblemáticas da cidade.

 

Atualmente o Porto dispõe de um total de 170 Fontes e 65 Fontanários distribuídos pelo tecido urbano (fonte: Águas do Porto).

 

Nesta visita, propomos descobrir algumas estátuas fontanárias, que pertenceram a fontes desparecidas da cidade do Porto, entre outros objetos e representações, na exposição de longa-duração do Museu Nacional Soares dos Reis.

Catálogo da Exposição Teresa Gonçalves Lobo e Domingos Sequeira

30 de Janeiro, 2024

A Sessão de Lançamento do Catálogo da Exposição Teresa Gonçalves Lobo e Domingos Sequeira – um diálogo no tempo vai decorrer no próximo sábado, dia 3 fevereiro, pelas 16 horas, no Museu Nacional Soares dos Reis, contando com a presença de Teresa Gonçalves Lobo e do Comissário da Exposição, Bernardo Pinto de Almeida.

 

Após a apresentação do catálogo, será realizada uma visita orientada pela artista à exposição. Entrada gratuita com inscrição pelo email comunicacao@mnsr.dgpc.pt

 

Inaugurada no passado dia 25 janeiro, a mostra coloca em diálogo a nova exposição de desenhos de Teresa Gonçalves Lobo com obras de Domingos Sequeira, o grande artista português da transição do século XVIII para XIX.

 

No diálogo que sustenta esta exposição, percebe-se como uma semelhante aproximação ao desenho e ao modo do riscar acontece nas obras destes dois artistas apesar da longa distância no tempo que os separa, mas cujo propósito de fazer nascer a forma desse uso do risco os aproxima.

Teresa Gonçalves Lobo nasceu em 1968 no Funchal. Vive e trabalha em Lisboa e no Funchal. Estudou desenho, pintura, gravura e fotografia no Ar.Co Centro de Comunicação Visual e no Cenjor, respetivamente.

 

Teresa Gonçalves Lobo, cujo trabalho se iniciou há quase duas décadas, centrou-se logo de início no desenho, campo expressivo onde tem desenvolvido notável pesquisa. Tendo exposto em diversos espaços em Portugal, e também internacionalmente, é hoje representada em Inglaterra pela prestigiada galeria londrina WATERHOUSE & DODD, onde expôs quer individual quer coletivamente.

 

O seu trabalho tem merecido uma grande atenção crítica, tendo sido objeto de ensaios monográficos de autoria de vários críticos e curadores portugueses como Nuno Faria, João Pinharanda ou Bernardo Pinto de Almeida.

 

Teresa Gonçalves Lobo encontra-se representada em diversas coleções, privadas e institucionais, em Portugal e no estrangeiro.

Dia Internacional dos Museus 2024 | Museus, Educação e Investigação

30 de Janeiro, 2024

Este ano, a celebração do Dia Internacional dos Museus terá como tema agregador «Museus, Educação e Investigação», visando sublinhar o papel fundamental das instituições culturais na oferta de uma experiência educativa holística.

 

Os museus são centros educativos dinâmicos que fomentam a curiosidade, a criatividade e o pensamento crítico.

 

Em 2024, o ICOM reconhece o seu contributo para a investigação, proporcionando uma plataforma para a exploração e a divulgação de novas ideias. Da arte e da história à ciência e à tecnologia, os museus são espaços vitais onde a educação e a investigação convergem para moldar a nossa compreensão do mundo.

Todos os anos, desde 2020, o Dia Internacional dos Museus apoia um conjunto de Objetivos de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas. Em 2024, as atividades a promover irão focar-se no Objetivo 4: Educação de Qualidade – Assegurar uma educação de qualidade inclusiva e equitativa e promover oportunidades de aprendizagem ao longo da vida para todos; e Objetivo 9: Indústria, Inovação e Infraestruturas – Construir infraestruturas resilientes, promover a industrialização inclusiva e sustentável e fomentar a inovação.

 

Celebrado anualmente a 18 de maio, o Dia Internacional dos Museus foi criado em 1977 pelo ICOM – Conselho Internacional de Museus, visando promover, junto da sociedade, uma reflexão sobre o papel dos Museus no seu desenvolvimento.

 

Cada vez mais museus em todo o mundo participam nesta celebração global. No ano passado, registou-se a adesão ao evento de 37 000 museus em 158 países e territórios.

Realizador da curta-metragem ‘Azul no Azul’ no Berlinale Talents

29 de Janeiro, 2024

Gianmarco Donaggio, realizador da curta-metragem ‘Azul no Azul’, foi selecionado para o programa de desenvolvimento de talentos do Festival Internacional de Cinema de Berlim – Berlinale Talents.

 

Dirigido a realizadores, atores, produtores, argumentistas, designers, representantes de festivais, compositores musicais, agentes de distribuição e venda, profissionais do som, críticos de cinema, etc., o Berlinale Talents abrange uma série de valências relacionadas com o universo do cinema e não só (criadores de séries e conteúdo de Realidade Aumentada, por exemplo), como palestras, workshops e think-tanks.

 

No total, na edição deste ano, concorreram 3.832 candidatos (recorde de participação) oriundos de 131 países, sendo escolhidas 202 pessoas, entre as quais se encontram os portugueses Rafael Morais, Cátia Rodrigues e Bruno Gularte Barreto.

‘Azul no Azul’ é uma curta-metragem experimental criada pelo cineasta italiano Gianmarco Donaggio e pelo pintor português Nelson Ferreira.

 

O filme foi produzido e distribuído em colaboração com o Museu Nacional de Arte Contemporânea, tendo sido criada uma segunda versão para o Museu Nacional de Soares dos Reis, no âmbito da comemoração dos 150 anos da escultura ‘O Desterrado’, de António Soares dos Reis.

 

A exposição Azul no Azul esteve patente no Museu Nacional Soares dos Reis de dezembro 2022 a março 2023. A mostra junta aguarelas do artista Nelson Ferreira e o filme do cineasta italiano Gianmarco Donaggio, permitindo aos jovens artistas demonstrar o quanto os mestres clássicos influenciam com as suas obras intemporais a criação de artistas contemporâneos.

 

Refira-se que o Festival Internacional de Cinema de Berlim decorre entre 15 e 25 de Fevereiro, enquanto o Berlinale Talents ocorrerá entre 17 e 22 de Fevereiro.

70 anos do retrato da escritora Maria Oswald, por Irene Vilar

29 de Janeiro, 2024

Datada de 1954, a escultura em bronze da escritora Maria de Castro Henriques Oswald (na foto), é de autoria de Irene Vilar e pertence ao acervo do Museu Nacional Soares dos Reis.

 

A escultura, que agora completa 70 anos, reflete a ligação que muitas vezes se gera entre escultores e intelectuais, aspeto que é notório na coleção de escultura do MNSR.

 

Tal relação teve na obra de Irene Vilar um significado especial, como fica claro nos seus retratos de poetas, entre eles, Fernando Pessoa, Florbela Espanca e Cesário Verde.

 

Este retrato de Maria Oswald pertence a uma fase inicial em que Irene Vilar concluiu o curso de Escultura da Escola de Belas Artes do Porto, onde foi aluna do mestre Barata Feyo.

Para além de escritora, Maria Henrique Oswald era também tradutora e uma ativa colaboradora de várias publicações da época, como o Mocidade Portuguesa Feminina. Um boletim mensal, órgão da Mocidade Portuguesa Feminina, fundado pelo Estado Novo, e publicado mensalmente entre 1939 e 1947, com o objetivo de filiar na ideologia nacionalista e cristã a “mentalidade das raparigas portuguesas”, bem como criar uma “mulher nova”, sublinhando o sentido cristão na sua vida, nomeadamente no lar, na família e na sociedade.

 

Esta publicação contou com várias colaborações de relevo, entre as quais se encontram os nomes de Maria Guardiola, Maria Henriques Oswald, António Correia de Oliveira, Cottinelli Telmo, Diogo de Macedo, Fernanda de Castro ou Domitila Carvalho.

 

Irene Vilar nasceu a 11 dezembro de 1930, em Matosinhos. Apesar de ter trabalhado em diferentes áreas, foi à escultura que Irene Vilar dedicou grande parte da sua vida, tendo sido discípula de Barata Feyo e Dórdio Gomes.

 

É autora de uma variada, ampla e riquíssima obra plástica, nas áreas da escultura, da medalhística, da numismática, da ourivesaria e da pintura, mostrada num sem número de exposições (individuais e coletivas) e distinguida com vários prémios.

Dia Internacional do Conservador-Restaurador | 2024

27 de Janeiro, 2024

Assinala-se, hoje, 27 de janeiro, o Dia Internacional do Conservador-Restaurador, profissional que restaura e conserva os bens culturais protegidos, móveis ou integrados, preservando o seu valor histórico-cultural.

 

O património cultural influencia a identidade e a vida quotidiana dos povos, tanto o material, o imaterial, o natural como o digital. Rodeia-os nas aldeias, vilas e cidades, nas paisagens naturais, nos monumentos, nos museus, palácios e sítios arqueológicos…

 

Está presente não só na literatura, na arte e nos objetos expostos nos museus, mas também nas técnicas que se aprendem com os antepassados, nos ofícios tradicionais, na música, no teatro, nos ambientes e no espírito dos lugares, na gastronomia e no cinema.

A celebração do Dia Internacional do Conservador-Restaurador é, assim, uma oportunidade de sensibilizar a população, especialmente as gerações mais jovens, para os resultados carregados de valor que a conservação e restauro pode proporcionar ao património cultural e à sociedade.

 

Destaca-se o respeito pela história e os valores presentes nas intervenções, além dos artistas e ofícios, que garantem a integridade do testemunho material europeu e a autenticidade do património cultural, crucial para o processo de identificação individual e coletivo.

 

O conservador-restaurador é um profissional altamente qualificado, que estuda matérias interdisciplinares, desde a química à biologia, passando pela história da arte, arqueologia e museologia. Este profissional tem a seu cargo tarefas de elevada complexidade e responsabilidade e trabalha frequentemente em redes multidisciplinares.

 

No Museu Nacional Soares dos Reis é desenvolvido um trabalho contínuo nas áreas de conservação e restauro, no contexto da gestão e acompanhamento das diferentes coleções.

 

A equipa de conservadores e restauradores participa, ainda, em projetos de investigação com o objetivo de contribuir para novos estudos sobre técnicas e procedimentos de conservação e restauro.

151º Aniversário de Falecimento de Amélia de Leuchtenberg

26 de Janeiro, 2024

Amélia Augusta Eugênia Napoleona foi a segunda esposa de D. Pedro I Imperador do Brasil (Pedro IV, Rei de Portugal), foi Imperatriz Consorte do Império do Brasil de 1829 a 1831.

 

Nasceu a 31 julho de 1812 em Milão e faleceu a 26 janeiro de 1873, em Lisboa. Filha do príncipe Eugénio, Duque de Leuchtenberg, e da sua esposa, a princesa Augusta da Baviera.

 

Encontra-se representada no Museu Nacional Soares dos Reis, no óleo sobre tela de autoria de Friedrich Durck, retratista pintor alemão.

 

A Imperatriz é retratada a meio corpo, trajando um vestido de veludo negro (enviuvara havia pouco e envergaria luto até ao final da vida), com ornamentação de arminho nas mangas. Usa um colar de pérolas, e uma tiara fina também de pérolas. O cabelo dividido em três partes, com coque no alto da cabeça (seguro com um alfinete cónico, igualmente de pérolas) e cachos soltos, lateralmente. Está sentada numa cadeira da qual se vê um segmento do espaldar entalhado, dourado. Tem como cenário um reposteiro vermelho e, à esquerda, uma coluna com a respectiva base. Ao fundo vê-se um pequeno trecho de paisagem de mar ou rio.

 

Em 1838, D. Amélia terá viajado para a Baviera, onde, presume-se, se fez retratar, junto de sua filha D. Maria Amélia, pelo pintor Joseph Karl Stieler (Mainz 1781- Munique 1858).

 

Aparentemente, a partir desse retrato terão sido feitos vários outros em que a Imperatriz é representada rigorosamente na mesma pose, com a mesma indumentária e acessórios e tendo os mesmos elementos como cenário, mas sozinha, isto é, sem a figura da filha, D. Maria Amélia.

Estes retratos estão distribuídos por várias coleções na Europa e no Brasil (Paço Ducal de Vila Viçosa, Museu Militar de Lisboa, Fundação Maria Luisa e Oscar Americano, São Paulo, Museu Imperial de Petropolis, Palácio Real de Estocolmo, além de outros em coleções particulares, no Brasil e na Alemanha).

 

Essas versões têm vindo a ser atribuídas a Friedrich Dürk, discípulo e sobrinho de Stieler, que terá preparado um retrato de D. Amélia para edição de uma gravura, na qual consta o seu nome como autor da pintura original. Porém, a matriz de todos esses retratos, mesmo do executado por Stieler, poderá ser afinal um retrato triplo, representando D. Pedro IV, D. Maria II e D. Amélia, (hoje no Centro Cultural da Casa Pia de Lisboa), datado de 1834 e assinado por Maurício do Carmo Sendim (1786-1870).

 

Nesse retrato D. Amélia é representada com o rosto na mesma posição e usando exatamente o mesmo penteado e joias. Diferem a torção do tronco e a cor do vestido (aliás do mesmo corte que o vestido representado nos retratos atribuídos a Stieler e Dürk).

 

O retrato de D. Amélia da coleção do Museu Nacional de Soares dos Reis difere de todos os outros pelo facto de a Imperatriz aí ser representada usando uma faixa de tecido azul, verde e branco, cruzada sobre o tronco.

Museu Nacional Soares dos Reis é palco da Wine & Travel Week

26 de Janeiro, 2024

De 18 a 25 fevereiro, a cidade do Porto acolhe a segunda edição da Wine & Travel Week. As reuniões profissionais decorrem no Museu Nacional Soares dos Reis, nos dias 19 e 20 de fevereiro, integrando responsáveis por projetos de Enoturismo, agentes e operadores, empresas de animação turística, especialistas, associações e outros profissionais da área.

 

A Wine & Travel Week pretende posicionar-se como um evento global dedicado ao Enoturismo de luxo, para impulsionar projetos e marcas.

 

As galerias do Museu Nacional Soares dos Reis, instituição cultural e artística de referência, ocupadas com uma coleção de dimensão internacional, serão “o cenário inspirador para a realização de bons negócios”.

A Wine & Travel Week, um encontro que agrega profissionais de todo o mundo, conta nesta segunda edição, com uma comitiva de mais de 100 compradores e jornalistas especializados em enoturismo, a que se somam membros das capitais dos grandes vinhedos do mundo, a Great Wine Capitals (GWC). África do Sul, Espanha, França, Índia, Inglaterra, Israel, Japão, Nigéria, Portugal são alguns dos países representados.

 

Entre as diversas atividades paralelas do evento, destaca-se, no dia 20 fevereiro, o almoço com autoria do chefe Rui Paula (duas estrelas Michelin no restaurante Casa de Chá – Paço da Boa Nova), a ser servido no Museu Nacional Soares dos Reis.

 

Importa sublinhar que, pela primeira vez, WTW terá uma região convidada: Castela e Leão (Espanha), que aproveitará a presença na iniciativa para realizar, em paralelo, a estreia mundial do espetáculo “Merina: o ouro espanhol. Oteiza”. O palco será o Coliseu do Porto, ao final da tarde de 20 de fevereiro.

 

Wine & Travel Week é uma organização Essência Company.

Visita Guiada à Exposição «Teresa Gonçalves Lobo e Domingos Sequeira»

25 de Janeiro, 2024

No âmbito da Exposição «Teresa Gonçalves Lobo e Domingos Sequeira: um diálogo no tempo», o Museu Nacional Soares dos Reis promove, no dia 27 janeiro, pelas 11 horas, uma visita guiada pela artista Teresa Gonçalves Lobo.

 

A participação é gratuita. As inscrições já estão a decorrer e podem ser efetuadas em formulário online.

A mostra coloca em diálogo a nova exposição de desenhos de Teresa Gonçalves com obras de Domingos António de Sequeira, o grande artista português da transição do século XVIII para XIX.”

 

No diálogo que sustenta esta exposição, percebe-se como uma semelhante aproximação ao desenho e ao modo do riscar, acontece nas obras destes dois artistas apesar da longa distância no tempo que os separa, mas cujo propósito de fazer nascer a forma desse uso do risco os aproxima.

 

Teresa Gonçalves Lobo, cujo trabalho se iniciou há quase duas décadas, centrou-se logo de início no desenho, campo expressivo onde tem desenvolvido notável pesquisa.

 

Tendo exposto em diversos espaços em Portugal, e também internacionalmente, é hoje representada em Inglaterra pela prestigiada galeria londrina WATERHOUSE & DODD, onde expôs quer individual quer coletivamente.

 

O seu trabalho tem merecido uma grande atenção crítica, tendo sido objeto de ensaios monográficos de autoria de vários críticos e curadores portugueses como Nuno Faria, João Pinharanda ou Bernardo Pinto de Almeida.

 

Teresa Gonçalves Lobo encontra-se representada em diversas coleções, privadas e institucionais, em Portugal e no estrangeiro.

Visita «Escultura Devocional do século XIII ao século XVIII»

25 de Janeiro, 2024

Público
Jovens e adultos

 

Duração
50 minutos

 

Inscrições
Formulário online (com 48 horas de antecedência)

 

Valor
Bilhete de entrada no MNSR

No âmbito da programação proposta para o mês de janeiro, decorre no dia 31, pelas 15 horas, uma visita orientada dedicada ao tema «Escultura devocional do século XIII ao século XVIII».

 

De diferentes épocas, proveniências e materiais. Assim é a escultura que vamos observar nesta visita orientada. Descontextualizada do espaço original, a sua história interliga-se com a do Museu.

 

O Museu Nacional Soares dos Reis tem origem no Museu de Pinturas e Estampas e outros objetos de Belas Artes, criado em 1833 por D. Pedro IV de Portugal, primeiro Imperador do Brasil, para salvaguarda dos bens sequestrados aos absolutistas e conventos abandonados na guerra civil (1832-34).

 

Com a extinção das ordens religiosas recolheram-se obras, entre outros, nos mosteiros de Tibães e de Santa Cruz de Coimbra. Conhecido como Museu Portuense, ficou instalado no extinto Convento de Santo António da Cidade, na praça de S. Lázaro, vindo a ser formalizado por decreto em 1836 por D. Maria II.

Em janeiro, descobrimos a antiga Porta dos Carros, no Porto

25 de Janeiro, 2024

Público
Jovens e adultos

 

Ingresso
Entrada gratuita

 

Inscrições
Formulário online (com 48 horas de antecedência)

O Museu Nacional Soares dos Reis apresenta, na rubrica A Peça do Mês – A Escolha do Público, a ilustração «Aspeto do Porto no Século XVIII – a antiga Porta dos Carros». As sessões comentadas, por Paula Oliveira, decorrem nos dias 27 janeiro (12h00) e 31 janeiro (13h30).

 

São raras as representações de um conjunto arquitetónico do Porto no século XVIII e esta gravura ilustra um trecho da cidade que teve grandes alterações urbanísticas nos últimos séculos.

 

A ilustração, do século XVIII, representa a rua que dava à Porta dos Carros e edifícios circundantes, tais como os extintos conventos dos Lóios e de São Bento de Avé Maria e a igreja dos Congregados, fora de portas.

 

A Porta dos Carros, uma das entradas da muralha medieval de defesa que circundava o burgo, foi demolida em finais do século XVIII para a abertura da Rua de Santo António (atual Rua 31 de Janeiro) e o mosteiro feminino de São Bento de Avé-Maria foi também demolido em finais do século XIX, dando lugar à construção da estação ferroviária de São Bento.

Programa «Conversas com História» dedicado ao Museu Soares dos Reis

24 de Janeiro, 2024

A estreia da segunda temporada do programa Conversas com História foi dedicada ao Museu Nacional Soares dos Reis.

 

O programa, apresentado pelo historiador Joel Cleto, e emitido pelo Porto Canal, percorreu diferentes galerias da Exposição de Longa Duração, integrando entrevistas com vários convidados, destacando-se António Ponte, Diretor do Museu Nacional Soares dos Reis; Álvaro Sequeira Pinto, Presidente da Direção dos Amigos do MNSR e Henrique Cyrne Carvalho, Diretor do Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar da Universidade do Porto (ICBAS-UP) .

172º Aniversário de Falecimento de Auguste Roquemont

24 de Janeiro, 2024

Filho natural do príncipe e general alemão Frederico Augusto de Hesse-Darmstad, Auguste Roquemont nasceu a 2 de junho de 1804, em Genebra, Suíça.

 

Aos 8 anos inicia os seus estudos num colégio em Paris e com 14 anos vai para Itália onde se fixa até ao ano de 1827, para fazer a sua formação artística.

 

Roma, Veneza, Bolonha e Florença são as cidades escolhidas para a sua aprendizagem. Alcança em 1820, na Academia de Belas Artes de Veneza, o 1º prémio numa prova de exame.

 

Com estadias pontuais em Lisboa, fixa-se em 1847 definitivamente na cidade do Porto, onde faleceu a 24 janeiro de 1852.

Veio para Portugal em 1828 a pedido do pai. O príncipe apoiava politicamente D. Miguel I que conhecera em Viena. Roquemont, na qualidade de seu secretário particular, acompanhou-o durante a sua permanência em Portugal e por cá ficou depois de regressar à Alemanha. A zona Norte do país foi a escolhida para fixar residência e Guimarães e Porto são as cidades mais importantes onde decorre a sua vida. À primeira liga-o o início da sua estadia em Portugal, onde foi hóspede do conde da Azenha – miguelista convicto – ali permanecendo longas temporadas. Influência miguelista, não foi alheia a sua nomeação em 1831 para professor da Aula de Desenho da Academia Real da Marinha e do Comércio, cargo que recusou para se dedicar inteiramente à pintura.

 

Roquemont, conhecido pelos excelentes retratos que executava quer da nobreza nortenha quer da alta burguesia, causou forte sensação quando em 1843 se apresentou em Lisboa na Exposição Trienal da Academia de Belas Artes, com alguns quadros de costumes. Considerada até então uma temática sem interesse, valeu o comentário de Almeida Garrett quando, defronte de um dos quadros expostos, proclama acerca do pintor: “artista português legítimo, como oxalá que sempre sejam os nossos naturalistas”.

 

Mestre de Francisco José Rezende e João Correia, Auguste Roquemont marca profundamente a primeira geração de pintores românticos. Estes, atentos ao realismo com que Roquemont tratava os seus retratos e à grande novidade introduzida na pintura portuguesa, através de quadros de paisagem e de costumes – um dos temas preferidos do Romantismo – deixam-se influenciar, contribuindo para um professorado benéfico que viria a colher os seus frutos na segunda metade do século XIX. Para além da técnica da pintura a óleo, Roquemont executou também trabalhos a lápis, carvão e esfuminho.

 

Imagem: Óleo sobre tela Procissão de Auguste Roquemont

Evocação do fatídico naufrágio do vapor Saint André em 1901

24 de Janeiro, 2024

Com o tema «Balanço de um Século», a Exposição Universal de Paris de 1900 decorreu entre abril e novembro de 1900. Portugal foi um dos 40 países presentes, com dois pavilhões, ambos com projeto do arquiteto Ventura Terra.

 

A 24 de janeiro de 1901, um dos quatro navios – contratados para transportar as obras nacionais de regresso a Portugal – naufragou, perdendo-se a quase totalidade das peças.

 

As dificuldades de navegabilidade acompanharam toda a viagem, desde o porto Le Havre, mas foi já junto à costa portuguesa que, enfrentando maiores perigos, o Saint-André foi abandonado pela tripulação.

 

De Lisboa, para tentar o resgate, ainda foi enviado o arrastão Berrio, mas em vão. Deixado à deriva, o vapor foi arrastado e terá afundado algures a Sul de Portugal, à vista de Sagres.

Parte do casco, um barril de óleo mineral e um remo foi tudo o que foi encontrado. Perderam-se, então, quadros de Malhoa; Columbano; Carlos Reis; Alfredo Keil; Alberto Pinto; Sousa Pinto; Veloso Salgado; Carneiro Júnior, entre outros.

 

Esculturas, cerâmica e azulejaria de grande qualidade e beleza, nomeadamente da Real Fábrica Vista Alegre, Fábrica das Devesas (Vila Nova de Gaia); Cerâmica do Carvalhinho (Porto), Faianças das Caldas da Rainha, Fábrica de Louça de Avelino António Soares Belo, e também azulejos antigos pertencentes a coleções particulares.

 

No conjunto, estas preciosidades integravam a orgulhosa representação portuguesa e algumas chegaram mesmo a ser distinguidas pelo júri parisiense, vendo o seu valor artístico reconhecido com a atribuição de medalhas.

 

Só se salvaram as poucas que seguiram para Portugal por outras vias – comboio e mais três embarcações – ou se desviaram da sua rota destrutiva – como o quadro “As padeiras”, de José Malhoa – porque rumaram para outras exposições, na Rússia e na Alemanha.

 

O naufrágio ditou ainda a perda de outra carga preciosa a bordo do Saint-André e que se perdeu para sempre: a documentação pessoal de Eça de Queirós e os móveis da casa onde falecera em Neuilly-sur-Seine, nos arredores de Paris, em 16 de agosto de 1900. A viúva tinha pedido para serem transportados no navio que o governo fretara para o retorno de parte das obras expostas em Paris.

 

A Exposição Universal de Paris de 1900 acolheu cerca de 51 milhões de visitantes, tendo ocupado uma área de 216 hectares repartidos pelo centro de Paris, ao longo das duas margens do Sena, e Bois de Vincennes, deixando construções icónicas que ainda hoje perduram: a Ponte Alexandre III, o Grand e o Petit Palais, a Gare d’Orsay (hoje Museu) e o Metro de Paris, cuja primeira linha foi inaugurada para a Exposição.

 

Fontes: Blog O Sal da História e Tribunal de Contas

Créditos Fotográficos: Lucien Baylac (1851–1913) – Imagem disponível na Divisão de Gravuras e Fotografias da Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos da América

Abertura da programação anual com duas novas exposições

23 de Janeiro, 2024

O Museu Nacional Soares dos Reis inaugura, no próximo dia 25 janeiro (quinta-feira), às 18 horas, duas novas exposições temporárias: «Teresa Gonçalves Lobo e Domingos Sequeira: um diálogo no tempo» e «Paisagem – José Zagalo Ilharco».

 

Desafiando a novos olhares e a diálogos, por vezes, inesperados, o Museu Nacional Soares dos Reis tem vindo a partilhar as suas coleções com artistas contemporâneos.

 

É o caso da exposição de desenhos de Teresa Gonçalves Lobo que o curador Bernardo Pinto de Almeida enquadra “dentro deste programa, que privilegia uma revisão das obras da coleção do Museu Nacional Soares dos Reis, integrando os desenhos de Teresa Gonçalves Lobo num diálogo com obras de Domingos Sequeira, o grande artista português da transição do século XVIII para XIX.”

De acordo com o curador, “a sugestão da escolha de Sequeira para abrir um diálogo com as obras de Teresa Gonçalves Lobo foi o ter encontrado nas obras de ambos um mesmo sentido da invenção plástica e metamórfica do desenho que, claramente experimentado no seu plano expressivo, acentua a possibilidade de se espraiar sobre as superfícies, fazendo vibrar a coreografia de inúmeras linhas como modo de sugerir a presença de formas que, ainda que irreconhecíveis numa modalidade figurativa, não deixam de funcionar como formas de uma figuração.”

 

Teresa Gonçalves Lobo (Funchal, 1968), cujo trabalho se iniciou há mais de duas décadas, centrou-se logo de início no desenho como campo expressivo onde tem desenvolvido notável pesquisa. Está representada em diversas coleções, privadas e institucionais, em Portugal e no estrangeiro.

 

Domingos Sequeira (Lisboa, 1768 – Roma, 1837), considerado por alguns o mais talentoso e original pintor português do seu tempo, desempenhou um papel fundamental no desenvolvimento da arte portuguesa de início do século XIX.

 

No diálogo que sustenta a presente exposição percebe-se como uma semelhante aproximação ao desenho e ao modo do riscar acontece nas obras de ambos os artistas, apesar da longa distância no tempo que os separa, mas cujo propósito de fazer nascer a forma desse uso do risco os aproxima.

 

Também no dia 25 janeiro, pelas 18 horas, inaugura a exposição «Paisagem», uma mostra composta por uma seleção de fotografias do arquivo familiar de José Zagalo Ilharco, fotógrafo amador que deixou relevante obra, por poucos conhecida, num valioso testemunho de paisagens de Portugal do final do século XIX e início do século XX.

 

José Zagalo Ilharco (Lamego, 1860 – Porto, 1910), fotógrafo amador, premiado internacionalmente com uma imagem do rio Souza, dedicou-se primordialmente à fotografia de paisagem, mas também à antropologia dos espaços, de que são exemplo as imagens agora reveladas do Porto e de Matosinhos.

 

As reproduções das melhores imagens que produziu foram reunidas em álbum pelo filho Norberto de Melo Zagalo Ilharco em dois volumes (1947) e, sendo propriedade dos herdeiros, são tornadas públicas num reconhecimento ao seu legado.

 

A seleção apresentada no Museu Nacional Soares dos Reis inclui, entre originais e reproduções, sobretudo paisagens de Matosinhos, Leça da Palmeira, Porto e Douro. Das imagens apresentadas destaca-se, igualmente, um núcleo de fotografias realizadas em 1893 do velódromo Maria Amélia, produzidas antes da sua inauguração nos terrenos do Paço Real do Porto, onde se encontra instalado, atualmente, o Museu Nacional Soares dos Reis.

 

Sublinha-se ainda a existência de um exemplar da revista O Tripeiro (maio 1946), assinado e com dedicatória de Vasco Valente, no qual é publicado um artigo do então Diretor do Museu Nacional Soares dos Reis sobre o Real Velo Club do Porto, de que José Zagalo Ilharco fazia parte, tendo sido seu sócio fundador.

500 Anos do Nascimento do poeta e dramaturgo Luís de Camões

23 de Janeiro, 2024

Embora não seja consensual, por falta de fontes documentais que o comprovem, Luís de Camões terá nascido a 23 janeiro de 1524.

 

Considerado uma das figuras mais importantes da literatura portuguesa, Camões é o autor d’Os Lusíadas, sendo aclamado como uma das principais vozes da literatura épica mundial.

 

Por muito que a sua vida tenha sido sofrida e atribulada, o poeta notabiliza-se por uma educação requintada, que lhe permitiu estabelecer o contacto íntimo e inspirativo com as referências da poesia de então.

 

Estima-se que o nascimento de Camões tenha ocorrido algures na primeira metade do século XVI, no ano de 1524, com a sua morte a proporcionar-se a 10 de junho de 1580, data em que se celebra o feriado nacional, o Dia de Portugal, de Camões e das comunidades portuguesas.

São mais as incertezas do que as certezas sobre os contornos da sua vida, mas consta-se que teve Lisboa como a cidade principal da sua vida, assim como a presença de Coimbra, na qual aprendeu o latim, e aquilo que se tinha vivido e escrito nos séculos anteriores ao da sua vida.

 

Foi membro da corte, na condição de poeta lírico, embora tenha assumido uma vida incauta, que o conduziu a um autoexílio em África. Foi lá, como militar do exército português, que Camões perdeu o seu olho direito, acabando por voltar a Portugal. No entanto, voltaria a viajar, desta feita para o Oriente, onde redigiu “Os Lusíadas”, obra que quase perdia em pleno alto mar.

 

A obra foi dedicada a D. Sebastião, que lhe asseguraria uma pensão pela sua anterior presença na coroa, embora morresse de forma depauperada, ainda antes do monarca se perder em Alcácer-Quibir. A sua poesia perduraria em “Rimas”, assim como algumas peças de teatro, que fomentariam um legado prestigioso, não só dentro de Portugal, mas também de fora, inspirando uma série de correntes literárias e de autores românticos.

 

A par d’Os Lusíadas, Camões escreveu três obras de teatro cómico mas, como frequentemente se queixava, a sua obra nunca foi realmente apreciada por aqueles para quem ele compunha: os portugueses.

 

O verdadeiro reconhecimento chegaria apenas após a sua morte, tinha então o poeta 55 anos. Os seus restos mortais encontram-se sepultados no Mosteiro dos Jerónimos.