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Rafael Bordalo Pinheiro: o maior artista plástico português

23 de Janeiro, 2024

A 23 janeiro de 1905 faleceu Rafael Bordalo Pinheiro, considerado o maior artista plástico português do século XIX.

 

Virtuoso desenhador, caricaturista, ceramista, Rafael Bordalo Pinheiro colocou o seu imenso talento plástico ao serviço das suas convicções cívicas e políticas.

 

Rafael Bordalo Pinheiro nasceu em Lisboa, a 21 março de 1846. Irmão de Columbano, também ele segue a tradição familiar de uma vida dedicada às Artes.

 

Artista empreendedor e multifacetado, trilhou um percurso muito próprio, dedicando-se às artes gráficas, artes plásticas, cerâmica, desenho de objetos e decoração, produzindo uma vasta obra que reflete quase sempre de forma crítica o quotidiano cultural, político e social da época em que viveu.

Vivendo num período de mudança em que o Fontismo, promovendo o desenvolvimento tecnológico e industrial, imprimiu uma nova dinâmica nos diversos setores da sociedade, Rafael Bordalo Pinheiro foi também ele inovador, desenvolvendo o desenho humorístico e o cartoon como expressão artística.

 

Integrando o círculo de intelectuais e artistas que definiram a Geração de 70 e privando com personalidades dos diversos setores de influência da sociedade oitocentista, incluindo a própria Corte, Bordalo Pinheiro consegue, através da sua obra, mostrar um retrato fidedigno da sociedade de então.

 

Consciente do poder e da força da imprensa, funda diversos periódicos, utilizando a caricatura como veículo para a defesa dos seus ideais.

 

O acervo do Museu Nacional Soares dos Reis, bem como da Casa-Museu Fernando de Castro, integra várias peças de autoria de Rafael Bordalo Pinheiro, de que destacamos o Escarrador e o Penico John Bull.

Lançamento do catálogo da exposição “Fernando Távora. Pensamento Livre”

22 de Janeiro, 2024

O lançamento do catálogo da exposição “Fernando Távora. Pensamento Livre”, integrada nas comemorações do centenário do nascimento do arquiteto portuense (1923-2005) – Távora 100, decorre no dia 25 de janeiro, às 18h30, no Auditório Fernando Távora. É apresentado pelo curador e coordenador, Alexandre Alves Costa, a quem se juntam Álvaro Siza e Eduardo Souto de Moura.

 

A edição conta com uma nota interpretativa de críticos da nova geração sobre cada uma das sete obras expostas: Pedro Levi Bismarck; Pedro Baía; Carlos Machado e Moura; Eliana Sousa Santos; Bruno Gil; Beatriz Serrazina; e Joana Restivo, respetivamente.

‘Fernando Távora. Pensamento Livre’ é uma iniciativa da Fundação Marques da Silva e da Faculdade de Arquitetura da Universidade do Porto. Com curadoria de Alexandre Alves Costa (coordenador), Ana Alves Costa, Jorge Figueira, José António Bandeirinha, Luís Martinho Urbano, Maria Manuel Oliveira, a mostra propõe um percurso pela vida e obra do Arquiteto Fernando Távora.

 

A exposição é a ação central de Távora 100. Este programa comemorativo do Centenário de Fernando Távora constitui uma proposição comum da Ordem dos Arquitetos, da Fundação Marques da Silva e das três Escolas de Arquitetura onde se fez sentir a sua visão inovadora e, até, (re)fundacional, a Faculdade de Arquitetura da U. Porto, o Departamento de Arquitetura da Universidade de Coimbra e a Escola de Arquitetura, Arte e Design da Universidade do Minho.

 

O programa Távora 100 conta com o apoio institucional do Museu Nacional Soares dos Reis.

 

Instalado num edifício do século XVIII, denominado de Palácio dos Carrancas, o Museu Nacional de Soares dos Reis foi objeto de uma profunda remodelação e ampliação, segundo projeto do arquiteto Fernando Távora.

 

Fernando Távora inicia os projetos e obras de remodelação em 1988, divididas em sete fases e contemplando cada uma diferentes alas do Museu: as salas de exposição permanente, o edifício da direção, o serviço educativo, a cafetaria, o Piso Nobre, as reservas, a ampliação para exposição temporária e auditório, e a cerca ajardinada no exterior.

Visita Orientada «A Conservação invisível no Museu»

22 de Janeiro, 2024

Sábado, 27 janeiro, 11H00
Duração: 1h (aprox.)
Visita orientada por Salomé Carvalho
Mínimo de 5 pessoas e máximo de 20 pessoas

Inscrições aqui

 

Iniciativa exclusiva para membros do Círculo Dr. José Figueiredo – Amigos do Museu Nacional Soares dos Reis.

O Museu Nacional Soares dos Reis acolhe, no próximo sábado, dia 27 janeiro, pelas 11 horas, uma visita orientada, exclusiva para membros do Círculo Dr. José Figueiredo – Amigos do Museu Nacional Soares dos Reis. Inscrições a decorrer.

 

A Conservação Preventiva é uma ciência frequentemente invisível, uma vez que se dedica a todas as ações indiretas (nos espaços e ambientes), que permitem minimizar os fatores de degradação dos objetos culturais e artísticos.

 

Pertence à área-mãe designada por Conservação e representa um papel fundamental no quotidiano dos museus. Nesta sessão, damos corpo ao invisível e abordaremos os dilemas, soluções e estratégias da Conservação Preventiva no Museu Nacional Soares dos Reis.

 

O conservador-restaurador é um profissional altamente qualificado, que estuda matérias interdisciplinares, desde a química à biologia, passando pela história da arte, arqueologia e museologia. Este profissional tem a seu cargo tarefas de elevada complexidade e responsabilidade e trabalha frequentemente em redes multidisciplinares.

 

No Museu Nacional Soares dos Reis é desenvolvido um trabalho contínuo nas áreas de conservação e restauro, no contexto da gestão e acompanhamento das diferentes coleções.

 

A equipa de conservadores e restauradores participa, ainda, em projetos de investigação com o objetivo de contribuir para novos estudos sobre técnicas e procedimentos de conservação e restauro.

Faça parte dos Amigos do Museu

Beneficie de vantagens exclusivas. Saiba mais aqui.

Pedro Vitorino, pioneiro da radiografia em obras de arte

20 de Janeiro, 2024

A Roberto de Carvalho e a Pedro Vitorino se deve a realização das primeiras radiografias efetuadas a obras de arte em Portugal.

 

Especialista em Radiologia, enquanto estudioso e divulgador da História, da Pintura e da Arqueologia do Porto, Pedro Vitorino produziu um extenso conjunto de livros e artigos editados em diversas publicações periódicas.

 

A primeira radiografia de pinturas em Portugal foi efetuada em 1923, por solicitação de Carlos Bonvalot, numa ocasião em que iniciativas semelhantes ocorriam noutros países. Tratou-se de um caso isolado que só teve continuidade em 1928, quando Roberto de Carvalho e Pedro Vitorino iniciaram um projeto sistemático que deu origem a um número muito significativo de radiografias.

 

Entre as pinturas radiografadas e mencionadas em publicações encontram-se várias que pertencem ao acervo do Museu Nacional Soares dos Reis: Retrato da Princesa Margarida de Valois, de Francisco Clouet; Santíssima Trindade, de Cristóvão de Figueiredo; Anunciação, de Gaspar Vaz; Virgem do Leite ou S. Jerónimo, do Mestre da Lourinhã.

Joaquim Pedro Vitorino Ribeiro nasceu, no Porto, a 20 janeiro de 1882. Frequentou a Escola Médico-Cirúrgica do Porto, onde, em 1910, concluiu o curso de Medicina. De seguida, partiu para Paris, onde se especializou em Radiologia.

 

Regressou ao Porto em 1911. Em 1919, foi nomeado clínico auxiliar da Santa Casa da Misericórdia e chefe do Laboratório de Radiologia e Fotografia da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, onde, desde 1913, exercia as funções de chefe do Gabinete de Fotografia e Eletroterapia.

 

Em paralelo com a formação académica e a carreira médica, desenvolveu muitas outras atividades humanitárias e culturais. Foi militar (voluntário de Infantaria em 1901, alferes em 1911, tenente-médico em 1915 e capitão em 1918), tendo chegado a participar na I Guerra Mundial, pois integrou como capitão-médico miliciano o Corpo Expedicionário Português que partiu para Paris em Abril de 1918.

 

Trabalhou no Museu Municipal do Porto (1922-1938), onde desempenhou as funções de conservador e Vice-diretor, mas abandonou esta instituição em 1938 para assumir o cargo de chefe dos Serviços de Radiologia da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto.

 

Viajou por vários países da Europa, como Espanha, França, Bélgica e Suíça e participou em jornadas arqueológicas e artísticas pelo país, desenhando, pintando e tirando fotografias.

 

Possuidor de um vasto património iconográfico e de uma extensa biblioteca, a qual se encontra conservada pela Biblioteca Pública Municipal do Porto, Pedro Vitorino viveu com o irmão, em Contumil, na casa que pertencera ao pai e que acabou por se converter na Casa-Museu Vitorino Ribeiro.

 

Faleceu em Vila Nova de Gaia, a 10 novembro de 1944.

 

Créditos fotográficos: Arquivo Municipal do Porto

90 Anos da escultura «O Beijo» de Ernesto Canto da Maya

19 de Janeiro, 2024

Incorporada na coleção do Museu Nacional Soares dos Reis em 2001, após ter sido adquirida no ano anterior no leilão da Coleção Canto da Maya, a escultura Baiser (O Beijo) completa, em 2024, 90 anos sobre a sua criação.

 

O Beijo é uma obra modernista em barro patinado fazendo valer aspetos de uma arte figurativa que explora o ideal de retorno às raízes europeias, nas linhas propostas pelos escultores Antoine Bourdelle e Aristide Maillol, uma corrente que ganhou adesão em Paris pela década de 1920.

 

No conjunto da obra de Canto da Maya, o Beijo enquadra-se numa fase em que o autor exalta o que é exuberante e o sensitivo, na procura da essência do ser humano. As figuras saem totalmente fora dos cânones e são modeladas em barro, a matéria-prima ideal para dar forma à noção de erotismo.

Canto da Maya reduz os corpos ao fundamental modelando em barro as figuras unidas num abraço, sentadas no solo; o volume denso mostra superfícies lisas e linhas curvas. Esta técnica é sugestiva da sua visão da Escultura como uma Arte Primitiva.

 

“Ernesto do Canto Faria e Maia nasceu em Ponta Delgada [em 1890]. Com formação artística em Lisboa, Paris, Genebra e Madrid, e a carreira mais consagrada e internacional de um escultor português na primeira metade do século, Canto da Maya destaca-se entre os percursores do modernismo figurativo com uma original estética decorativista.

 

Entre Paris e Lisboa, cria esculturas – grandes conjuntos, figurinhas de terracota ou gesso, bustos, baixos-relevos, figuras metafóricas dos ciclos da vida ou da feminidade – cuja expressividade anatómica e idealidade poética foi muito premiada, e escolhida para representar a arte francesa (Tóquio e Osaka, 1926), e Portugal, em várias exposições universais (Paris, 1937; Nova Iorque, S.Francisco, 1939) e na Bienal de S. Paulo (1957).

 

Desempenhou também um papel central na exploração da art déco, colaborando em projetos com célebres arquitetos. Uma viragem a meio da carreira leva-o da pioneira reinvenção da escultura figurativa ao academismo nacionalista, em longa campanha oficial de esculturas monumentais destinadas a enaltecer a propaganda patriótica do Estado Novo, que lhe atribui o Grau de Oficial da Ordem Militar de Sant’Iago da Espada (1941).

 

Apesar de diferentes fases e faces, a obra de Canto da Maya continua a atrair sucessivas homenagens e retrospetivas desde a década de 30, em Portugal e França. Canto da Maya morreu em Ponta Delgada [em 1981]”[1].

 

[1] Créditos

A escultura Flor Agreste e os 200 Anos da Vista Alegre

19 de Janeiro, 2024

No ano em que a Fábrica de Porcelana da Vista Alegre celebra 200 anos de existência, recuperamos a história da escultura Flor Agreste, da autoria de António Soares dos Reis, que a Vista Alegre reproduziu em biscuit dando sequência às variadas reproduções da peça que lhe conferiram uma difusão extraordinária.

 

Considerada uma das obras mais emblemáticas do artista, o modelo em gesso da Flor Agreste, foi executado em 1878, quando Soares dos Reis aguardava a construção da sua casa-oficina na Rua Luís de Camões, em Vila Nova de Gaia.

 

O mármore data de 1881 tendo sido apresentado na 1ª Exposição-Bazar do Centro Artístico Portuense, onde foi adquirido pelo valor de 250.000 reis por Maria Francisca Archer. Coube ao Museu Nacional Soares dos Reis divulgar o historial da peça numa exposição itinerante que lhe dedicou em 1986.

O mármore tinha permanecido na posse da família durante mais de cinquenta anos, vindo a ser vendido ao Município do Porto em 1932, por um descendente do proprietário, Tomás Archer de Carvalho. Esta aquisição contou com a influência de Vasco Valente, um neto de Maria Francisca Archer, o qual, por sua vez, dirigia o setor artístico da Fábrica da Vista Alegre tendo promovido a reprodução do pequeno formato em biscuit da Flor Agreste.

 

Vasco Valente foi diretor do Museu Nacional Soares dos Reis entre 1932-1950, devendo-se-lhe importante contributo para história do vidro e da cerâmica portuguesa. Em paralelo, foi um dos responsáveis pela criação do Museu de Cerâmica da Vista Alegre e autor da medalha galardão de tempo de serviço prestado pelo pessoal da empresa.

 

Sobre a Vista Alegre

A Fábrica de Porcelana da Vista Alegre foi fundada em 1824, em Ílhavo, distrito de Aveiro. Ao longo do seu percurso, a marca esteve sempre intimamente associada à história e à vida cultural portuguesa tendo adquirido notoriedade internacional. Em 2001, o Grupo Vista Alegre (porcelana, faiança e grés) fundiu-se com o Grupo Atlantis (cristal e vidro de fabrico manual com elevada qualidade), fusão que deu origem a um dos maiores grupos de “tableware” e “giftware” da Europa: o grupo empresarial Vista Alegre Atlantis. Em 2009, o mesmo passou a integrar o portefólio de marcas do grupo Visabeira.

 

Todos os anos, o design desta marca portuguesa de porcelana, cristal e vidro chama a atenção dos mais prestigiados prémios de design internacionais, em países como Alemanha, Itália e Estados Unidos da América contribuindo, assim, para um considerável número de galardões com que conta a história da marca Vista Alegre.

Eugénio de Andrade e «Imagem e Louvor de Augusto Gomes»

18 de Janeiro, 2024

Está agendado para amanhã o encerramento das Comemorações do 1º centenário do nascimento de Eugénio de Andrade, um dos grandes poetas portugueses.

 

Eugénio de Andrade, pseudónimo de José Fontinhas, nasceu a 19 janeiro de 1923. Manteve sempre uma postura de independência relativamente aos vários movimentos literários com que a sua obra coexistiu ao longo de mais de cinquenta anos de atividade poética.

 

Revelou-se em 1948, com As Mãos e os Frutos, a que se seguiria, em 1950, Os Amantes sem Dinheiro. Os seus livros foram traduzidos em muitos países e ao longo da sua vida foi distinguido com inúmeros prémios, entre eles o Prémio Camões, em 2001.

 

Morreu a 13 junho de 2005 no Porto, cidade que o acolheu mais de metade da sua vida.

 

O município do Fundão, de onde era natural Eugénio de Andrade, encerra as comemorações do centenário do poeta com a apresentação, amanhã 19 janeiro, do documentário “Com palavras amo”, que contou com a colaboração de centenas de pessoas do concelho.

 

“Com palavras amo” teve como objetivo transformar palavras escritas por Eugénio de Andrade em som, fazê-las habitar as vozes das pessoas.

 

A este propósito, evocamos a relação de recíproca admiração entre Eugénio de Andrade e o pintor modernista Augusto Gomes, representado na coleção do Museu Nacional Soares dos Reis.

 

Se a poesia de Eugénio de Andrade está povoada de heróis míticos, também por lá é lembrada a “gente real dos meios piscatórios portugueses, personagem coletiva, indistinta na dureza da sobrevivência quotidiana, por vezes entre as redes da vida e da morte.

No livro Os Afluentes do Silêncio (1997), referindo-se à pintura de Augusto Gomes, artista plástico de Matosinhos, Eugénio tece um elogio que abrange simultaneamente o mestre e os pescadores:

 

A sua memória está cheia de imagens: pescadores que regressam da faina ainda com o mar nos olhos e na boca, saltimbancos exibindo simultaneamente graça e miséria, mulheres que ora conversam à porta ora ameaçam as vagas por lhes terem roubado tudo: os homens, os filhos, o pão — imagens de todos os dias, que já são muitos (…). (…) não me lembro de quadro seu onde o povo não esteja de corpo inteiro, ora senhor dos gestos com que pega no seu destino ora exasperado e ameaçador diante da miséria e outras formas de morte. (Andrade, 1997: 105-106)

 

Neste excerto, Eugénio realça sobretudo o heroísmo da sobrevivência, tanto dos pescadores, que se debatem com as vagas para ultrapassar a miséria, como das mulheres que perderam os entes queridos.

 

Também Gomes, em telas como Família (1941), Gente do Mar (1941) ou Os Pescadores (1962), evidencia, em traços largos, a vida árdua da gente do mar, que bem conhece. Os seus pincéis realçam pormenores que recorrem em diversos quadros: os músculos dos homens surgem tensos, para denotarem o esforço; as bocas enormes gritam perante o naufrágio, e mostram o desespero; as mãos erguem-se, num ato que tem tanto de fé, quanto de revolta.

 

Eugénio reconhece o talento do mestre no poema Imagem e louvor de Augusto Gomes[1]:

 

Ele pinta lentamente uma luz supliciada,
porque tudo é amor e ama-se lentamente;
aqui e ali sublinha uma pálpebra, uns lábios,
e os olhos procuram o coração dos homens.

 

Nas suas mãos, raparigas passam despenteadas,
passa um pescador de rosto azul,
passa outra vez setembro, uma criança ainda,
e o mar irrompe de sombra em sombra,
porque tudo é amor, amor difícil, turvo,
lutando por ser diáfano em suas mãos.

 

Com alegria, descobre a cor da liberdade,
dos barcos, da juventude, e logo esquece.
Volta. Recomeça. Amorosamente
encontra um corpo – um corpo ? –
uma coluna de espanto e recomeça.

 

Escreve agora na terra um nome inocente,
cinco sílabas brancas, todas elas maduras,
e confia melancólico um segredo
à luz de cinza que se desprende da noite.

 

 

Créditos de Imagem

No texto: As Visitas, Augusto Gomes, 1953 @Museu Nacional Soares dos Reis

Na capa: Retrato do poeta Eugénio de Andrade – 1953, coleção [em 1978] do poeta Eugénio de Andrade (blog Cidade Surpreendente)

[1] Mancelos, João. Do Mediterrâneo aos Mares do Sul: Heróis Navegantes na Poesia de Eugénio de Andrade

IndieJúnior Porto – Oficina Do taumatrópio à liberdade

18 de Janeiro, 2024

O Museu Nacional Soares dos Reis será palco da Oficina Do taumatrópio à liberdade, de 23 a 26 janeiro, no âmbito do Festival de Cinema IndieJúnior.

 

A oficina é dirigida ao público escolar do 1º Ciclo do Ensino Básico.

A participação é gratuita, mediante inscrição prévia através do email se@mnsr.dgpc.pt

 

Horários: 23 jan – 14h30 | 24 jan – 10h30 | 25 jan – 14h30 | 26 jan – 10h30

Taumatrópio foi um brinquedo bastante popular no século XIX e cuja utilização conduz a uma ilusão de ótica animada. Partindo de diferentes obras de pintura do Museu Nacional Soares dos Reis e do diálogo entre estas obras e a imagem em movimento do cinema, os participantes são desafiados a construir um destes brinquedos, dando asas à criatividade.

 

Considerado o primeiro brinquedo ótico, o Taumatrópio foi inventado em 1824 por Peter Mark Roger para explicar a teoria da persistência da visão, ou seja, explicar o fenómeno que é provocado quando um objeto visto persiste na retina por uma fração de segundo após a sua perceção. Na realidade, trata-se de um fenómeno neurológico e não ocular a que Wertheimer em 1912 designou por fenómeno phi.

 

O Taumatrópio é composto por um disco, com um desenho numa das faces e outro desenho invertido no verso. É preso por dois cordões colocados paralelamente, que ao serem torcidos e por fim esticados, fazem o disco girar. Quando gira rapidamente, as duas imagens parecem ser uma só.

 

A Liberdade é o tema central da 8ª edição do IndieJúnior Porto. Um festival que enche as salas da cidade de miúdos e graúdos e que traz o que de mais incrível é feito em cinema para este público tão especial.

 

Em 2024, o IndieJúnior terá lugar entre os dias 22 e 28 de Janeiro, em vários locais da cidade, voltando a propor uma vasta programação de cinema, oficinas e outras atividades destinadas a crianças, jovens, professores, famílias e público em geral.

Passos Manuel: o fundador da Academia Portuense de Belas Artes

18 de Janeiro, 2024

Com origens na Aula de Debuxo e Desenho, a Academia Portuense de Belas Artes foi criada em 1836, por decreto de Passos Manuel, ficando sob a alta proteção da rainha D. Maria II e do rei D. Fernando. Na sua génese, estiveram a promoção e a difusão do estudo das belas artes e a sua aplicação à indústria.

 

Sedeada no extinto Convento de Santo António da Cidade – local onde se instalou, também, o Museu Portuense (atual Museu Nacional Soares dos Reis), a Escola Académica oferecia aulas nas áreas da Pintura, Escultura e Arquitetura, e ainda um curso preparatório de Desenho. Em 1881, este organismo dá origem à Escola Portuense de Belas Artes, passando a Academia a assumir exclusivamente funções ligadas à promoção da arte e da arqueologia, e à defesa e preservação do património museológico.

 

Manoel da Silva Passos (Passos Manuel) nasceu a 5 janeiro de 1805, em S. Martinho de Guifões, no antigo concelho de Bouças (Matosinhos), e morreu a 18 de janeiro de 1862, em Santarém.

Foi um dos mais importantes governantes do primeiro liberalismo português oitocentista.

 

Foi o principal impulsionador da criação do ensino liceal masculino em Portugal. Este ensino destinava-se a criar uma população preparada científica e tecnicamente, o que se concretizaria, dez anos mais tarde, com a criação de liceus nas capitais de distrito.

 

Por decreto de 25 de outubro de 1836, criou a Academia de Belas-Artes e, em 11 de janeiro de 1837, fundou a Academia Politécnica do Porto e a Escola Politécnica de Lisboa (esta assumiu as funções da Academia Real de Marinha). Através do decreto de 29 de dezembro de 1836, organizou as escolas médico-cirúrgicas de Lisboa e do Porto.

 

Créditos fotográficos

Oficina «A Escultura dos Valores» orientada por Dulce Silva

17 de Janeiro, 2024

Oficina A Escultura dos Valores

 

21 janeiro (domingo), 10h30/12h30
Público | Famílias (com crianças a partir dos 10 anos), jovens e adultos
Valor | 10€ pax (gratuito para crianças com idade inferior a 12 anos)
Oficina orientada por Dulce Silva – Diretora de Sociodrama

 

Inscrições
se@mnsr.dgpc.pt (até 48 horas de antecedência)

Orientada por Dulce Silva, diretora de Sociodrama, a oficina «A Escultura dos Valores» está agendada para o próximo domingo, dia 21 janeiro, das 10h30 às 12h30.

 

No Museu Nacional Soares dos Reis estamos rodeados de esculturas, todas com significados diferentes, intenções e inspirações distintas, fruto da imaginação e criação dos seus autores.

 

Neste workshop, vamos ser escultores e autores das nossas próprias obras de arte, inspirando-nos nos valores pessoais de cada participante, para construir uma escultura familiar.

 

O workshop será facilitado através do Sociodrama, um método orientado para uma experiência humana rica, profunda e transformadora, onde se integra a consciência, a emoção e a ação.

 

Mensagem de Dulce Silva

“O papel da mudança na nossa vida é muito poderoso. Desde as mudanças mais simples e pequenas às mais difíceis e dolorosas, todas elas nos dão a oportunidade de explorar, experimentar e abraçar novos caminhos, respostas e soluções.

Essa é a verdadeira transformação pessoal. Só cresceremos quando nos descobrirmos verdadeiramente, compreendermos o mundo à nossa volta e fizermos as nossas escolhas.

O poder está na compreensão, na ação e no movimento. Quando agimos, a nossa espontaneidade é despertada, a nossa criatividade é libertada e novas descobertas tomam forma.

A minha missão é ser uma catalisadora da mudança positiva, espalhar o bem e empoderar pessoas. A minha visão é construir um mundo em que as pessoas reconhecem o seu potencial e o colocam em prática, de forma espontânea e libertadora.

O meu papel é ajudar a encontrar o seu caminho, através do sociodrama, uma experiência humana transformadora, onde se integra a consciência, a emoção e a ação.

É uma experiência em grupo, em que cada pessoa é importante e está ali para encontrar as respostas às suas questões pessoais e evoluir na sua vida e /ou carreira.

O impacto do Sociodrama é sobre ser consciente. É sobre encontrar a sua motivação. É sobre ser confiante. É sobre encontrar respostas. É sobre descobrir novos caminhos. É sobre conectar-se com os outros. É sobre melhorar o seu bem-estar. É sobre realização pessoal. É sobre desenvolvimento humano e profissional. É sobre o que você precisa mudar, agora.”

41º Aniversário de Falecimento do poeta e pintor Julio-Saúl Dias

17 de Janeiro, 2024

Representado na Exposição de Longa Duração do Museu Nacional Soares dos Reis, com as obras «Duas Irmãs» e «O Circo» (na foto), o poeta e pintor Júlio Maria dos Reis Pereira faleceu a 17 janeiro de 1983.

 

Considerado um dos maiores nomes do Modernismo português, Julio era engenheiro civil, mas foi como poeta e artista plástico que o seu nome se eternizou.

 

Está representado nas mais importantes coleções de arte do século XX em Portugal, como a Fundação Calouste Gulbenkian, o Museu de Serralves, o Museu Nacional Soares dos Reis, ou a coleção de Arte do Estado, para além de inúmeras coleções privadas.

Julio dos Reis Pereira nasceu em Vila do Conde em 1902. Engenheiro de profissão, atividade que exerceu na Câmara Municipal de Vila do Conde e na DGEMN, frequentou, enquanto “aluno voluntário”, a Escola de Belas-Artes (Porto, 1919-1921) e a Académie de la Grande Chaumière (Paris, 1962).

 

Artista voluntariamente livre e independente encontrou na presença o espaço de criação e divulgação da sua obra. A presença, folha de arte e crítica (Coimbra, 1927-1940), teve como principal mentor e impulsionador José Régio, irmão do artista, contando com a colaboração e a participação de Julio/Saúl Dias, João Gaspar Simões, Branquinho da Fonseca, Alberto Serpa, Sarah Afonso, Almada Negreios, Mário Eloy, Arpad Szenes, Vieira da Silva, entre outros.

 

Em 1930 participa no I Salão dos Independentes, na Sociedade de Belas Artes, em Lisboa. A partir de então irá expor individualmente por diversas vezes.

 

Em 1953 participa na 2ª Bienal de São Paulo, Brasil. Em 1958 vence o primeiro prémio de desenho no IV Salão de Outono do Estoril. Manoel de Oliveira realiza o filme documentário As Pinturas do Meu Irmão Julio, com palava de José Régio e pinturas de Julio, em 1965. Em 1967 é publicada a Obra Poética de Saúl Dias. Realiza exposições retrospetivas no Museu de Évora (1964), na Cooperativa Árvore, Porto (1967), na Câmara Municipal de Vila do Conde (1979), e na Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa (1980), entre outras mostras.

 

Em 1972 participa na exposição coletiva da Galeria S. Mamede e, no mesmo ano, participa também, por escolha do crítico Rui-Mário Gonçalves, na EXPO AICA SNBA 1972 organizada em Lisboa pela Secção Portuguesa da Associação Internacional dos Críticos de Arte.

 

Ainda nesse ano passa a viver em Vila do Conde, na casa da Avenida Júlio Graça, que será a sua última residência e onde terá o seu último atelier. Participa num vasto conjunto de exposições e publica o livro de poesia e desenhos Essência. Em 1980 recebe o Prémio da Crítica, ex-aequo com António Ramos Rosa, pelo livro Obra Poética, de Saúl Dias*.

 

Faleceu na sua terra natal em 1983, com 81 anos.

 

* Adaptação de texto originalmente publicado pela Câmara Municipal de Vila do Conde

Mais de duas dezenas de peças do MNSR cedidas em 2023

17 de Janeiro, 2024

Mais de duas dezenas de peças do acervo do Museu Nacional Soares dos Reis foram cedidas, durante o ano passado, a outras instituições, como o Museu Nacional de Arte contemporânea – Museu do Chiado, o Museu do Oriente ou o Museu da Misericórdia do Porto.

 

Ainda em curso, encontra-se a cedência de quatro obras do MNSR ao Museu Nacional de Arte Antiga, em Lisboa, para integrar a Exposição temporária «Identidades Partilhadas – Pintura Espanhola em Portugal».

Lista de Cedências em 2023

Autorretrato de Isolino Vaz.

Biblioteca Municipal de Vila Nova de Gaia.

Exposição “Isolino Vaz, Um Traço Inconfundível (1922-2022)”

 

O Sonho, de Veloso Salgado. (na imagem)

Museu Nacional de Arte contemporânea – Museu do Chiado.

Exposição “Veloso Salgado, de Lisboa a Wissant”.

 

Prato em cerâmica.

Museu do Oriente

Exposição “Na senda dos leques orientais”.

 

Paisagem de Vila Real, de Heitor Cramez.

Ágora – Cultura e Desporto (CMP)

Exposição “Desejos Compulsivos: A Extração do Lítio e as Montanhas Rebeldes”.

 

Magia de um sorriso (Figura de mulher), de Pedro Figueiredo.

Autorretrato de Pedro Figueiredo.

Cabeça de velho, de Pedro Figueiredo.

Município de Tondela, Museu Municipal Terras de Besteiros.

Exposição “EXEMPLARIS – Pedro de Figueiredo”.

 

Cinco frades franciscanos (Mártires de Marrocos). – Pintura

Mártires de Marrocos. – Escultura

Museu de Lisboa

Exposição “Vita Prima. Os anos de Santo António em Portugal”.

 

Retrato do Almirante Napier de John Simpson (atrib.).

Museu da Misericórdia do Porto

Exposição “Porto e Reino Unido: 650 anos de história partilhada, 1373-2023”.

 

Ilustração para “A Velhice do Padre Eterno”, de Tomaz Leal da Câmara.

Aspecto do Porto Antigo – Escadas dos Grilos, de Armando de Basto. Autorretrato de Adriano Sousa Lopes.

Museu Machado de Castro.

Exposição “Manuel Jardim e os percursores do modernismo em Portugal”.

 

Paisagem – Homens no trabalho do campo [vindima].

Fruteiro.

Natureza morta.

Museu do Vinho do Porto

Exposição permanente.

 

Espada de D. Afonso Henriques.

Museu Militar do Porto

Celebrações da tomada de Lisboa aos Mouros em 1147, pelas tropas de D. Afonso Henriques, Patrono do Exército Português.

 

Retrato do Infante D. Carlos de Habsburgo, de Alonso Sánchez Coello.

Retrato de D. Manuel Rodrigues, de Rafael Tegeo Díaz.

São Francisco de Assis recebendo os estigmas com atrib. a Vincenzo Camuccini, e atrib. por Benito Navarrete em 2023 a Vicente López Portaña.

Composição, de Francisco Pradilla Ortiz.

Museu Nacional de Arte antiga.

Exposição «Pintura espanhola em Portugal: identidades partilhadas».

29º Aniversário do Falecimento do escritor Miguel Torga

17 de Janeiro, 2024

Assinala-se, hoje, dia 17 de janeiro, o 29º Aniversário do Falecimento de Miguel Torga, autor de vasta e variada produção literária, largamente reconhecida.

 

No livro «Portugal», Miguel Torga escreve sobre a sua relação com a cidade do Porto e o Museu Nacional Soares dos Reis, onde atualmente se encontra representado na Exposição de Longa Duração.

“Eu gosto do Porto. Não do porto erudito do Sampaio Bruno ou do burguês e literário do Ramalho. Gosto de um Porto cá muito meu, de que vou dizer já, e amo-o de um amor platónico, avivado de ano a ano à passagem para a minha terra natal, quando o Menino Jesus acena lá das urgueiras.

 

Entro então nele a tiritar de frio, atravesso-o molhado de nevoeiro, arranjo quarto, e deito-me no aconchego dessa velha e casta paixão que nos une. No dia seguinte, pela manhã, levanto-me, compro um jornal, embarco, e a minha visita anual e discreta acabou.

 

De vez em quando perco a cabeça, estrago os horários e vou ao Museu Soares dos Reis ver o Pousão, passo pela igreja de S. Francisco, ou meto-me num eléctrico e dou a volta ao mundo, a descer à Foz pela Marginal e a subir pela Boavista (…)”. (Miguel Torga, Portugal, Porto pps. 39-40)

 

Adolfo Correia da Rocha nasceu em 1907, em S. Martinho de Anta, Sabrosa, onde concluiu, com distinção, os estudos primários.

 

Oriundo de uma família humilde de camponeses e sem grandes recursos económicos, trabalhou no Porto, passou pelo Seminário de Lamego e, ainda adolescente, emigrou para o Brasil. De regresso a Portugal, cursou Medicina em Coimbra, onde viveu e faleceu em 1995.

 

De personalidade veemente e intransigente, foi poeta presencista, numa primeira fase associado ao grupo da Presença que cedo abandonou.

 

Adotou o pseudónimo Miguel Torga, em homenagem a dois grandes vultos da cultura ibérica, Miguel de Cervantes e Miguel de Unamuno, e ainda à torga, planta brava da montanha com fortes raízes.

 

A sua extensa obra aborda, entre outros temas, o drama da criação poética, o desespero humanista, o sentimento telúrico, a problemática religiosa, o iberismo e o universal.

 

Defensor da liberdade e da justiça, teve obras censuradas, foi vítima de perseguição política e esteve preso, apesar de nunca ter aderido a qualquer partido político.

 

Laureado com numerosos prémios literários nacionais e internacionais, foi candidato a Prémio Nobel da Literatura.

Museu Soares dos Reis recebe um dos primeiros autorretratos portugueses

16 de Janeiro, 2024

O Ministério da Cultura acaba de divulgar a lista das obras adquiridas em 2023, pela Comissão para Aquisição de Obras de Arte para os Museus e Palácios Nacionais, entre as quais figura o «Autorretrato do Marquês de Montebelo com os filhos Francisco e Bernarda», que se encontra já no Museu Nacional Soares dos Reis.

 

Com uma dotação anual de 2 milhões de euros, a Comissão para Aquisição de Obras de Arte para os Museus e Palácios Nacionais indicou, para 2023, um total de 9 obras de excecional relevância patrimonial consideradas fundamentais para as coleções dos museus e palácios nacionais.

 

Esta obra, datada de 1643 (?), poderá ser um dos primeiros autorretratos portugueses, tendo vindo enriquecer a Coleção de Pintura do Museu Nacional Soares dos Reis, a qual integra um vasto número de autorretratos de outros períodos e correntes artísticas.

 

Félix Machado da Silva e Castro de Vasconcelos, marquês de Montebelo, nasceu na Casa de Tora, da freguesia do Vale, em Amares. Foi o primeiro Marques de Montebelo, em Itália, senhor das Terras de Entre Homem e Cavado e da vila de Amares, comendador de S. João de Coucieiro na Ordem de Cristo. Apesar de tantos senhorios em terras, morreu pobre, vivendo nos últimos anos de vida da arte de pintura.

 

“Amigo de Velazquez, dele terá recebido ensino que não ficou como dote de amador mas teve relevo profissional, como professor e retratista da corte de cujas obras aliás pouco ou nada se sabe hoje.

Em Portugal, em poder de descendentes, há quatro obras de Montebelo: dois auto-retratos, um deles de puro esquema velazquenho (figura de pé, vestida de negro, capa pelos ombros, grande colar de ouro, colarinho alto, de cambraia) que o mostra de expressão altiva na barba talhada à moda, outro, de pequeno formato, no acto de pintar, vestido de rico justilho bordado, o filho Francisco já figurado na tela, uma filha ao lado. Os rostos têm tratamento difuso de contornos sensíveis e doces, tal como noutro quadro, representando três filhos crianças, o do meio segurando um grande cesto de flores discretamente coloridas. Outro retrato é o do filho herdeiro António, a três quartos, numa composição brasonada, reposteiro puxado a um lado para enquadrar a figura jovem, de expressão atenta de fidalgo espanhol.”

FRANÇA, José-Augusto  – “O Retrato na Arte Portuguesa”. Lisboa: Livros Horizonte, 1981, p. 32.

Exposição «Paisagem» – fotografias de arquivo de José Zagalo Ilharco

15 de Janeiro, 2024

O Museu Nacional Soares dos Reis inaugura, no próximo dia 25 janeiro, pelas 18 horas, duas novas exposições temporárias: «Paisagem – José Zagalo Ilharco» e «Teresa Gonçalves Lobo e Domingos Sequeira: um diálogo no tempo». 

 

«Paisagem» é uma mostra composta por uma seleção de fotografias do arquivo familiar de José Zagalo Ilharco, fotógrafo amador que deixou relevante obra, por poucos conhecida, num valioso testemunho de paisagens de Portugal do final do século XIX e início do século XX.

José Zagalo Ilharco (Lamego, 1860 – Porto, 1910), fotógrafo amador, premiado internacionalmente com uma imagem do rio Souza, dedicou-se primordialmente à fotografia de paisagem, mas também à antropologia dos espaços, de que são exemplo as imagens agora reveladas do Porto e de Matosinhos.

 

As reproduções das melhores imagens que produziu foram reunidas em álbum pelo filho Norberto de Melo Zagalo Ilharco em dois volumes (1947) e, sendo propriedade dos herdeiros, são tornadas públicas num reconhecimento ao seu legado.

 

A seleção apresentada no Museu Nacional Soares dos Reis inclui, entre originais e reproduções, sobretudo paisagens de Matosinhos, Leça da Palmeira, Porto e Douro. Das imagens apresentadas destaca-se, igualmente, um núcleo de fotografias realizadas em 1893 do velódromo Maria Amélia, produzidas antes da sua inauguração nos terrenos do Paço Real do Porto, onde se encontra instalado, atualmente, o Museu Nacional Soares dos Reis.

 

Sublinha-se ainda a existência de um exemplar da revista O Tripeiro (maio 1946), assinado e com dedicatória de Vasco Valente, no qual é publicado um artigo do então Diretor do Museu Nacional Soares dos Reis sobre o Real Velo Club do Porto, de que José Zagalo Ilharco fazia parte, tendo sido seu sócio fundador.

 

Também no dia 25 janeiro, pelas 18 horas, inaugura a exposição «Teresa Gonçalves Lobo e Domingos Sequeira: um diálogo no tempo».

Exposição temporária «Teresa Gonçalves Lobo e Domingos Sequeira»

15 de Janeiro, 2024

O Museu Nacional Soares dos Reis inaugura, no próximo dia 25 janeiro, pelas 18 horas, duas novas exposições temporárias: «Teresa Gonçalves Lobo e Domingos Sequeira: um diálogo no tempo» e «Paisagem – José Zagalo Ilharco».

 

O Museu Nacional Soares dos Reis tem vindo a partilhar as suas coleções com artistas contemporâneos, desafiando a novos olhares e a diálogos, por vezes, inesperados.

 

É o caso da exposição de desenhos de Teresa Gonçalves Lobo que o curador Bernardo Pinto de Almeida enquadra “dentro deste programa, que privilegia uma revisão das obras da coleção do Museu Nacional Soares dos Reis, integrando os desenhos de Teresa Gonçalves Lobo num diálogo com obras de Domingos Sequeira, o grande artista português da transição do século XVIII para XIX.”

De acordo com o curador, “a sugestão da escolha de Sequeira para abrir um diálogo com as obras de Teresa Gonçalves Lobo foi o ter encontrado nas obras de ambos um mesmo sentido da invenção plástica e metamórfica do desenho que, claramente experimentado no seu plano expressivo, acentua a possibilidade de se espraiar sobre as superfícies, fazendo vibrar a coreografia de inúmeras linhas como modo de sugerir a presença de formas que, ainda que irreconhecíveis numa modalidade figurativa, não deixam de funcionar como formas de uma figuração.”

 

Teresa Gonçalves Lobo (Funchal, 1968), cujo trabalho se iniciou há mais de duas décadas, centrou-se logo de início no desenho como campo expressivo onde tem desenvolvido notável pesquisa. Está representada em diversas coleções, privadas e institucionais, em Portugal e no estrangeiro.

 

Domingos Sequeira (Lisboa, 1768 – Roma, 1837), considerado por alguns o mais talentoso e original pintor português do seu tempo, desempenhou um papel fundamental no desenvolvimento da arte portuguesa de início do século XIX.

 

No diálogo que sustenta a presente exposição percebe-se como uma semelhante aproximação ao desenho e ao modo do riscar acontece nas obras de ambos os artistas, apesar da longa distância no tempo que os separa, mas cujo propósito de fazer nascer a forma desse uso do risco os aproxima.

 

Também no dia 25 janeiro, pelas 18 horas, inaugura a exposição «Paisagem», uma mostra composta por uma seleção de fotografias do arquivo familiar de José Zagalo Ilharco.

Visita Orientada aos Tesouros Nacionais da coleção do Museu

15 de Janeiro, 2024

Uma Visita Orientada aos Tesouros Nacionais da coleção do Museu Nacional Soares dos Reis é a proposta para a tarde do próximo dia 26 janeiro, pelas 15 horas.

 

Em Portugal, existem 1600 objetos classificados como Tesouro Nacional. Desta lista fazem parte dez objetos que integram as coleções do Museu Nacional Soares dos Reis e que se encontram na exposição de longa duração.

 

Inscrições
Formulário online (com 48 horas de antecedência)

Os bens classificados como de interesse nacional, também designados de Tesouros Nacionais, representam valor cultural de significado para a história e para a memória coletiva. A sua perda ou degradação significariam dano irreparável para o património cultural e para a memória coletiva.

 

O Museu Nacional Soares dos Reis possui um conjunto de 10 peças classificadas como bens de interesse nacional, também designadas de Tesouros Nacionais. Uma classificação atribuída aos objetos de incontestável valor nacional pela sua antiguidade, autenticidade, criatividade, exemplaridade, memória, originalidade, raridade ou singularidade.

 

A realização desta Visita Orientada é, assim, uma excelente oportunidade para percorrer as galerias da nova Exposição de Longa Duração do Museu, detendo particular atenção nas obras de maior relevo.

 

Lista dos Tesouros Nacionais no MNSR

 

O Desterrado
António Soares dos Reis (1847-1889)
1872
Mármore de Carrara

 

Autorretrato de Aurélia de Souza
Aurélia de Sousa (1866-1922)
c. 1900
Óleo sobre tela

 

Casas brancas de Capri
Henrique Pousão (1859-1884)
1882
Óleo sobre tela

 

Busto relicário de São Pantaleão
Autoria desconhecida
Séculos XV e XVI
Prata branca, dourada e pintada; esmaltes; ouro, quartzo hialino

 

Crossa de báculo episcopal
Antonio Arrighi  (ourives)
1740
Prata fundida, cinzelada; dourada

 

Conde de Ferreira
António Soares dos Reis (1847-1889)
1876
Gesso original

 

Janela das persianas azuis
Henrique Pousão (1859-1884)
1882-1883
Óleo sobre madeira

 

Senhora vestida de preto
Henrique Pousão (1859-1884)
1882
Óleo sobre madeira

 

Cruz e Galhetas
Conjunto de cruz-relicário do Santo Lenho e par de galhetas eucarísticas
Índia
Finais do séc. XVII/ inícios do século XVIII

 

Par de Pulseiras
Bronze final Atlântico /1.ª Idade do Ferro – séculos VII / VI (final) a.C.
Achado casual no Rocio de São Sebastião, Castro Verde, Portugal

Porto na lista dos melhores destinos culturais a nível mundial

12 de Janeiro, 2024

A cidade do Porto integra a lista dos melhores destinos culturais a nível mundial para o ano 2024, elaborada pela plataforma TripAdvisor. Entre os 25 destinos selecionados, o Porto figura na 13ª posição, à frente de cidades como Berlim, Viena, Sevilha ou Baku.

 

O ranking de classificação da plataforma TripAdvisor é elaborado tendo por base as opiniões e os comentários dos utilizadores do site.

 

Recorde-se que, no ano passado, a cidade do Porto tinha já sido galardoada com o prémio Melhor Destino Europeu para Escapadela Urbana” – Europe’s Leading City Break Destination 2023. Uma iniciativa que reconhece e premeia a excelência em viagens e turismo, com base na votação de profissionais da indústria de viagens, comunicação social e consumidores.

Em 2022, os “Óscares do Turismo” já tinham atribuído ao Porto as distinções de “Melhor Destino de Cidade da Europa” e, na competição global, “Melhor Destino de Cidade do Mundo”. Também em 2020 já havia sido eleito o “Melhor Destino Europeu para Escapadela Urbana”.

 

O Museu Nacional Soares dos Reis congratula-se com mais uma distinção para o Porto e regista com muita satisfação indicadores de número de visitantes que confirmam a preferência e a apetência turística pelo destino Porto.

 

O Museu Nacional Soares dos Reis terminou o ano 2023 registando um total de 74.712 visitantes, sendo este o segundo melhor ano da última década no que respeita à afluência de públicos. Um valor apenas superado em 2016 (totalizou 98.694 visitantes), ano em que o Museu apresentou a exposição temporária dedicada a Amadeo de Souza Cardoso, Porto – Lisboa, 2016 – 1916.

 

Inaugurada no passado dia 13 abril, e assinalando a reabertura plena do museu, depois da intervenção de requalificação, a exposição de longa duração do Museu Nacional Soares dos Reis reúne a coleção mais importante de arte portuguesa do século XIX. No total são 1133 peças que contam a história do museu e da arte, distribuídas por 27 salas.

Soares dos Reis na estreia da temporada da Casa da Música

10 de Janeiro, 2024

A escultura «A Música», de António Soares dos Reis, será a primeira de um conjunto de peças do acervo do Museu Nacional Soares dos Reis a ser apresentada na Casa da Música, no Porto, já a partir do dia 12 janeiro, data de abertura da temporada de programação em 2024, no âmbito da colaboração entre as duas instituições.

 

Este ano, Portugal é o País Tema da Casa da Música. O repertório e os intérpretes portugueses e a evocação de compositores mundiais que marcaram a vida musical em Portugal são os eixos principais da programação de 2024 da Casa da Música.

 

A temporada que agora começa celebra, também, os 50 anos do 25 de Abril, os 500 anos do nascimento de Luís de Camões e os 100 anos do nascimento de Joly Braga Santos.

 

A escultura «A Música», em bronze, cuja fundição foi realizada em 1957, reproduz o modelo em gesso de 1877 destinado a uma encomenda do canteiro Moreira Rato, de Lisboa. Trata-se da imagem alegórica da Música com a representação de uma figura feminina de vestes longas, com túnica e manto drapeado, tendo os braços descobertos, a cabeça levemente inclinada para a direita, coroada de louros e cabelos apanhados, braços segurando uma cítara.

 

A fundição foi realizada através do Fundo João Chagas, o qual resultou de uma doação ao Estado feita em 1941 por Maria Teresa Chagas, em memória de seu marido, o republicano João Pinheiro Chagas.

Sobre António Soares dos Reis

 

Patrono do Museu desde 1911, António Soares dos Reis, considerado um dos maiores escultores portugueses do séc. XIX, nasceu a 14 de outubro de 1847 em Vila Nova de Gaia.

 

Com apenas 14 anos, matriculou-se na Academia Portuense de Belas Artes, onde – durante a frequência do curso – colheu vários prémios e louvores. Em poucos anos o curso estava concluído, obtendo o 1º prémio nas cadeiras de desenho, arquitetura e escultura.

 

Aos 20 anos tornou-se pensionista do Estado no estrangeiro. Entre 1867 e 1870 permanece em Paris como pensionista, recebendo lições de Jouffroy, Yvon e Taine. Em Paris recebe vários prémios pelos seus trabalhos.

 

Após breve estada em Portugal, em 1871 parte para Roma, etapa decisiva na sua formação. É em Roma que inicia a execução de O desterrado (1872), obra de inspiração clássica, ensaio de transição para o naturalismo, premiada na Exposição Geral de Belas-Artes de Madrid de 1881.

 

Regressado ao Porto em 1873 para se dedicar à carreira artística, colabora em publicações e preside ao Centro Artístico Portuense. A partir de 1881, leciona Escultura na Escola de Belas-Artes do Porto, embora discorde da orgânica do ensino.

 

Soares dos Reis é admirado pelos seus contemporâneos, recebe encomendas, participa em concursos e exposições, concebe monumentos públicos. A doença e insatisfação levam-no ao suicídio, em 1889, no seu atelier.

Visita Orientada: As salas do Andar Nobre e as suas histórias

9 de Janeiro, 2024

Sábado, 13 janeiro, 11h00
Duração: 1h (aprox.)
Visita orientada por Paula Oliveira
Mínimo de 5 pessoas e máximo de 20 pessoas

 

Inscrições aqui

 

Iniciativa exclusiva para membros do Círculo Dr. José Figueiredo – Amigos do Museu Nacional Soares dos Reis.

No âmbito da programação proposta para o mês de janeiro, decorre no dia 13, pelas 11 horas, uma visita orientada dedicada ao tema As salas do Andar Nobre e as suas histórias.

 

A visita permitirá conhecer em pormenor as salas do Andar Nobre do Palácio dos Carrancas, desde a sua criação, em finais do século XVIII, atravessando as suas diferentes acomodações e vivências durante os séculos XIX e XX, até ao presente.

 

Ao longo dos anos de uso a ocupação do Palácio dos Carrancas foi sofrendo alterações, devidas à mobilidade da família e à frequente existência de hóspedes.

 

No entanto, podem-se esboçar alguns princípios de utilização dos vários pisos.

 

No primeiro piso encontramos o grande átrio de entrada à volta do qual se distribuíam os armazéns, cavalariças e cocheiras.

 

O andar intermédio terá sido utilizado pela família, e o andar nobre reservado para as personagens importantes que aqui se alojavam.

 

O último andar deveria ser destinado aos criados, e as oficinas da fábrica e talvez a cozinha ocupassem as duas alas que rodeavam o jardim interior.

 

O Palácio dos Carrancas foi mandado construir em 1795 pela família Morais e Castro, descendente de cristãos-novos, pertencente à burguesia portuense e que enriqueceu com a Fábrica de Tirador de Fio de Ouro e Prata aqui instalada. O edifício, com unidade fabril e residência, testemunhou e foi palco de acontecimentos sociais, militares e políticos ao longo do século XIX.

 

Marcadamente urbano e seguidor do estilo Neoclássico, que se instalava então no Porto, o Palácio teve um carater único em contexto de construção privada. Tudo aponta para a intervenção dos arquitetos municipais Joaquim da Costa Lima Sampaio e José Francisco de Paiva. A fachada, de grande clareza de desenho, dividia o edifício em dois corpos horizontais.

 

A distribuição seguia a hierarquia do antigo regime e os tratados de Arquitetura: andar nobre, pátio fechado com muro alteado, separação da manufatura e operários e a quinta recuada. O luxo afirmava-se nos espaços interiores, nomeadamente no andar nobre, permanecendo ainda dessa época uma grandiosa Sala de Jantar e a Sala da Música.

 

A grandiosidade do edifício associou-o ao cenário dos grandes acontecimentos político-militares da cidade. Por exemplo, durante a primeira invasão francesa, foi considerado um local estratégico e ocupado pelo marechal Soult. Pouco depois, estabelecia-se aqui o seu sucessor no comando militar da cidade, chefe do exército libertador, o general Arthur Wellesley.

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Grupo de membros do SNATTI visita o Museu Soares dos Reis

8 de Janeiro, 2024

Um grupo, constituído por cerca de 25 membros do SNATTI – Sindicato Nacional da Atividade Turística -Tradutores e Intérpretes, realiza na próxima sexta-feira, dia 12, uma visita ao Museu Nacional Soares dos Reis, tendo como objetivo aprofundar conhecimentos e descobrir a nova Exposição de Longa Duração do Museu.

 

Fundado em 1936, o SNATTI representa profissionais nas áreas do Turismo, Tradução e Interpretação, nas várias vertentes e diferentes idiomas.

 

Promove, anualmente, um conjunto de formações, webinars e visitas, visando dotar os seus associados de informação relevante para o desenvolvimento das suas atividades profissionais, enquanto agentes turísticos com intervenção determinante para a afirmação dos territórios e dos seus agentes culturais.

Sobre o Museu Nacional Soares dos Reis

 

O Museu Nacional Soares dos Reis tem origem no Museu de Pinturas e Estampas e outros objetos de Belas Artes, criado em 1833 por D. Pedro IV de Portugal, primeiro Imperador do Brasil, para salvaguarda dos bens sequestrados aos absolutistas e conventos abandonados na guerra civil (1832-34).

 

Com a extinção das ordens religiosas recolheram-se obras, entre outros, nos mosteiros de Tibães e de Santa Cruz de Coimbra. Conhecido como Museu Portuense, ficou instalado no extinto Convento de Santo António da Cidade, na praça de S. Lázaro, vindo a ser formalizado por decreto em 1836 por D. Maria II.

 

Em 1839, passou para a direção da Academia Portuense de Belas Artes, que promoveu uma série de exposições em que foram premiados notáveis artistas como Soares dos Reis, Silva Porto, Marques de Oliveira e Henrique Pousão, em sucessivas gerações de mestres e discípulos.

 

Com a proclamação da República passou a designar-se Museu Soares dos Reis em memória de um dos mais destacados nomes da Arte Portuguesa. Em 1932, passou à categoria de Museu Nacional, época marcada por uma reorganização significativa de Vasco Valente, através da incorporação dos objetos do Paço Episcopal do Porto (Mitra) e do Museu Industrial, bem como do depósito das coleções do extinto Museu Municipal. Segue-se, em 1940, a instalação do Museu no Palácio dos Carrancas, onde ainda se mantém.

140º Aniversário de Nascimento de José de Oliveira Ferreira

8 de Janeiro, 2024

José de Oliveira Ferreira nasceu no Porto, na freguesia de S. Nicolau, em 8 de janeiro de 1883. Distinguiu-se como escultor sendo considerado “um guia para a sua geração, pela arte e humildade que o haviam caraterizado”.

 

José de Oliveira Ferreira foi aprendiz do mestre António Teixeira Lopes, enquanto estudava em horário noturno na Escola de Desenho Industrial Passos Manuel (1895-1898), em Vila Nova de Gaia. Concluiu os estudos neste estabelecimento de ensino e, de seguida, matriculou-se na Escola de Belas Artes do Porto (EBAP), em 1898.

 

Em 1905, com outros condiscípulos da EBAP reivindicou a reforma da Escola e do Ensino Artístico e concluiu o curso de Escultura com a classificação máxima, tendo apresentado como prova final Uma mulher cai desfalecida num banco público, segurando duas crianças ao colo.

Enquanto estudante participou nas obras de reconstrução do Palácio de S. Bento, dirigidas por Ventura Terra, e na produção do grupo escultórico A Pátria de Teixeira Lopes.

 

Após conclusão dos estudos continuou a colaborar no ateliê do seu mestre até que, em 1907, participou e venceu o concurso para pensionista do Estado no estrangeiro, com A prisão do mendigo.

 

Nesse centro artístico e cultural de referência estudou, entre outros escultores, com Mercié (1845-1916), confraternizou com outros artistas compatriotas (como os escultores Costa Mota, Simões de Almeida e João da Silva e os pintores Sousa Lopes, Acácio Lino e Amadeo Souza Cardoso), esculpiu, expôs e visitou museus.

 

Em 1908, o busto Sorriso foi premiado no Salon e produziu Ida para o dispensário, um conjunto escultórico em argila. Também enviou obras para a Exposição dos Trabalhos Escolares da Escola Portuense de Belas-Artes: Cabeça de mulher, Estudo ao natural, Cabeça desenhada do gesso e Mercúrio.

 

Em 1909, em colaboração com o irmão e arquiteto Francisco de Oliveira Ferreira, participou no concurso para o Monumento à Guerra Peninsular, a erigir em Lisboa, com o projeto vencedor intitulado Aspirantes portugueses. O triunfo neste concurso obrigou-o à interrupção da bolsa de estudo. Regressou, então, a Portugal (de dezembro de 1910 a janeiro de 1911).

 

Em 1912, ocupou-se da construção da casa-oficina de Miramar (Vila Nova de Gaia), que ele próprio projetara, e onde veio a residir e a trabalhar, a partir de 1913.

 

Em 1930, participou na XXVII Exposição da Sociedade Nacional de Belas-Artes, tendo alcançado a segunda medalha com o bronze O melhor sono da nossa vida, dedicado às mães, obra que veio a ser colocada em Viseu, terra natal da mãe do escultor.

 

Em 1931 ganhou a primeira medalha na XXVIII Exposição da Sociedade Nacional de Belas-Artes.

 

Dois anos depois, em 1933, foi inaugurado o Monumento à Guerra Peninsular e o escultor foi distinguido com o grau de comendador da Ordem Militar de Santiago de Espada.

 

José de Oliveira Ferreira foi membro do Conselho de Arte e Arqueologia do Norte do País.

 

Morreu em Miramar, Vila Nova de Gaia, a 3 de Outubro de 1942.

 

Diogo de Macedo, na sua obra “Notas de Arte”, referiu-se ao escultor como sendo um guia para a sua geração, pela arte e humildade que o haviam caraterizado[1].

 

Imagem: Busto do jornalista e fotógrafo Henrique Guedes de Oliveira, por José de Oliveira Ferreira (1907). Acervo do Museu Nacional Soares dos Reis

 

[1] Adaptação de texto originalmente publicado aqui

Visita Orientada: A pintura de Paisagem e o Naturalismo

5 de Janeiro, 2024

Terça-feira, 9 janeiro, 11h00
Duração: 1h (aprox.)
Visita orientada por Ana Nascimento
Mínimo de 5 pessoas e máximo de 20 pessoas

Inscrições aqui

 

Iniciativa exclusiva para membros do Círculo Dr. José Figueiredo – Amigos do Museu Nacional Soares dos Reis.

No âmbito da programação proposta para o mês de janeiro, decorre no dia 9, pelas 11 horas, uma visita orientada dedicada ao tema A pintura de paisagem no Naturalismo.

 

A visita permitirá conhecer exemplos da obra de alguns naturalistas da escola do Porto, nomeadamente, Silva Porto, Artur Loureiro, Henrique Pousão e Sousa Pinto.

 

O Naturalismo foi um movimento estético e artístico que surgiu em França a partir de 1830, com a criação da Escola de Barbizon e através das pinturas de Théodore Rousseau (1812-1867), de Jean-François Millet (1814-1875) ou de Gustave Courbet (1819-1877).

 

Em Portugal, a estética naturalista e realista da Escola de Barbizon foi introduzida pelos pintores Silva Porto (1850-1893) e Marques de Oliveira (1853-1927), e durou até aos anos 20 do século XX.

 

Os pintores entraram em contacto com este novo movimento artístico durante a sua estadia em França, como pensionistas do Estado português.

 

Em 1867, as Academias de Belas Artes iniciam a atribuição de bolsas a alunos no estrangeiro. Silva Porto e Marques de Oliveira foram os primeiros bolseiros em Pintura.

 

Ingressaram na École des Beaux-Arts de Paris em 1873 e, na floresta de Barbizon, conviveram com um grupo de artistas seguidores da pintura de ar livre focando-se nos efeitos da luz sobre a paisagem.

 

Também Henrique Pousão seguiu para Paris em 1880. A pintura de caminhos e ruas, pátios, casas, aspetos de Paris, testemunha o seu percurso criativo, que culmina nas estadias em Roma e Capri.

 

A sua obra, que revela o arrojo e o talento do jovem pintor e o seu interesse absoluto nos valores da pintura em si em detrimento dos temas ou da narrativa, foi entregue, após a sua morte prematura, à Academia Portuense de Belas Artes.

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Programa Ensaio da RTP gravado na Casa-Museu Fernando de Castro

5 de Janeiro, 2024

A Casa-Museu Fernando de Castro foi palco, no dia 2 janeiro, para a gravação de um novo episódio do Ensaio, da RTP 3. Ensaio é um novo programa de cultura, estreado no último trimestre de 2023, dedicado à divulgação de eventos e protagonistas que marcam a atualidade artística do país.

 

A Casa-Museu Fernando de Castro foi a residência de uma família de colecionadores dedicada à Pintura, Escultura e Artes Decorativas.

 

Coube à última herdeira, Maria da Luz de Araújo Castro, fazer a doação ao Estado do imóvel e recheio cumprindo postumamente o desejo do seu irmão, Fernando de Castro, em fundar um museu público.

 

Por decreto de 15 dezembro de 1951, a Casa-Museu Fernando de Castro foi classificada e anexada ao Museu Nacional Soares dos Reis.

O acervo da Casa-Museu Fernando de Castro é composto por diferentes coleções reunidas ao longo de várias décadas. É constituído, maioritariamente, por arte religiosa com representações eruditas e de cariz popular, pintura naturalista portuguesa e artes decorativas.

 

Destaca-se, ainda, um interessante núcleo de caricaturas e alguns livros da autoria de Fernando de Castro, colecionador, artista e poeta. No essencial, a disposição dos objetos pelas salas é bastante fiel à deixada pela sua irmã, Maria da Luz.

 

Fernando de Castro (Sé, 26 nov. 1888 – Paranhos, 7 out. 1946) foi um colecionador e empresário portuense reconhecido pela sua veia poética manifesta em publicações, com gosto pela leitura e inclinação para o desenho tendo criado várias séries de caricaturas.

 

Fernando de Castro viveu na rua das Flores junto da loja do pai, cujo negócio prosperou em vidros, espelhos e papéis pintados. Entre 1893-1908, o empresário empenhou-se na construção de uma nova casa situada na rua de Costa Cabral.

 

Desde cedo, Fernando de Castro cresceu dentro de um imaginário pleno de figuras de estilo e de ícones, em particular no que diz respeito ao mobiliário e recheio da casa de Costa Cabral— património que conservou e respeitou após a morte do pai em 1918.

 

Na idade adulta, desenvolveu os seus interesses culturais num círculo de amigos ligados aos negócios e com um gosto particular pelas artes e letras. Terá sido após a morte da mãe em 1925 que Fernando de Castro fez novas aquisições de peças.

 

A Casa-Museu Fernando de Castro é administrada pelo Museu Nacional Soares dos Reis desde 1952. As visitas estão sujeitas a marcação prévia. Saiba mais aqui.

Visitantes em 2023: Segundo melhor ano da última década

4 de Janeiro, 2024

O Museu Nacional Soares dos Reis terminou o ano 2023 registando um total de 74.712 visitantes, sendo este o segundo melhor ano da última década em termos de afluência de públicos, apenas superado em 2016 (totalizou 98.694 visitantes), ano em que o Museu apresentou a exposição temporária dedicada a Amadeo de Souza Cardoso, Porto – Lisboa, 2016 – 1916.

 

Inaugurada no passado dia 13 abril, e assinalando a reabertura plena do museu, depois da intervenção de requalificação, a exposição de longa duração reúne a coleção mais importante de arte portuguesa do século XIX.

 

No total são 1133 peças que contam a história do museu e da arte, distribuídas por 27 salas.

Com uma História de quase 200 anos, o Museu Nacional Soares dos Reis – o primeiro museu público de arte do país – tem vindo a reposicionar-se, apresentando agora um novo olhar sobre as suas coleções.

 

A exposição de longa duração apresenta um percurso com duas narrativas complementares. A primeira reflete a história do Museu e a forma como as coleções foram sendo integradas; a segunda valoriza os artistas e as suas obras.

 

Sobre o Museu Nacional Soares dos Reis

O Museu Nacional Soares dos Reis tem origem no Museu de Pinturas e Estampas e outros objetos de Belas Artes, criado em 1833 por D. Pedro IV de Portugal, primeiro Imperador do Brasil, para salvaguarda dos bens sequestrados aos absolutistas e conventos abandonados na guerra civil (1832-34).

 

Com a extinção das ordens religiosas recolheram-se obras, entre outros, nos mosteiros de Tibães e de Santa Cruz de Coimbra. Conhecido como Museu Portuense, ficou instalado no extinto Convento de Santo António da Cidade, na praça de S. Lázaro, vindo a ser formalizado por decreto em 1836 por D. Maria II.

 

Em 1839, passou para a direção da Academia Portuense de Belas Artes, que promoveu uma série de exposições em que foram premiados notáveis artistas como Soares dos Reis, Silva Porto, Marques de Oliveira e Henrique Pousão, em sucessivas gerações de mestres e discípulos.

 

Com a proclamação da República passou a designar-se Museu Soares dos Reis em memória de um dos mais destacados nomes da Arte Portuguesa. Em 1932, passou à categoria de Museu Nacional, época marcada por uma reorganização significativa de Vasco Valente, através da incorporação dos objetos do Paço Episcopal do Porto (Mitra) e do Museu Industrial, bem como do depósito das coleções do extinto Museu Municipal. Segue-se, em 1940, a instalação do Museu no Palácio dos Carrancas, onde ainda se mantém.

«Liberdade e Transgressões» no Museu Soares dos Reis em 2024

4 de Janeiro, 2024

Uma exposição comemorativa da atividade do Centro de Arte Contemporânea (CAC) será o grande destaque da programação do Museu Nacional Soares dos Reis em 2024, ano de celebração dos 50 anos do 25 de Abril, momento fundador da democracia portuguesa.

 

A data simboliza o início de um caminho de profundas transformações económicas, sociais e culturais, que tiveram como motor a democratização e a europeização do país. Nesse sentido, o Museu Nacional Soares dos Reis adota o tema transversal a toda a programação Liberdade e Transgressões.

 

A exposição, a inaugurar em junho, com curadoria de Miguel von Hafe Pérez, pretende colocar em diálogo a obra artística com as fontes documentais, e tem como ponto de partida as obras adquiridas pelo Museu Nacional Soares dos Reis, mas também toda a produção documental e gráfica da atividade do Centro de Arte Contemporânea, onde se incluem catálogos de exposição, cartazes, convites e registos fotográficos.

O apoio do Museu Nacional Soares dos Reis à contemporaneidade artística na cidade do Porto viu-se perpetuado no depósito de cerca de uma centena de obras, adquiridas no período de cinco anos de funcionamento do CAC, naquela que viria a ser a atual Fundação de Serralves.

 

A programação sob o mote Liberdade e Transgressões será complementada com visitas orientadas, conversas, oficinas, concertos e congressos.

 

No Serviço de Educação destacam-se as parcerias institucionais como forma de materializar programas e projetos de educação e mediação. Disso é exemplo, o Programa “Domingo em família no Museu” que, com a participação de entidades externas, permite às famílias usufruir, em todos os domingos do ano, de atividades que passam pelas oficinas, música, escrita, performances e teatro, e criar conexões com as diferentes obras de arte e com o Museu.

 

Os cursos e as residências artísticas são também uma aposta para o ano 2024, bem como os programas e projetos para e com as escolas. De destacar o Programa Arte e Sustentabilidade, que consiste num conjunto de oficinas com recurso à reutilização criativa e consciente de diversos materiais. O programa assinala o contributo do Museu para a Agenda 2030 da ONU e o cumprimento dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável, bem como os projetos de parceria institucionais que visam trabalhar as coleções triangulando-as com o tema Liberdade e Transgressões.

 

O ano 2024 marcará, igualmente, a consolidação de projetos como Arte e Saúde e Outros Lugares, assim como o arranque do projeto Afinidades, desenvolvido pelo Museu Nacional Soares dos Reis em parceria com a Associação Quarteirão Criativo, e que visa criar uma rede de proximidade e de estímulo à criatividade da comunidade de joalheiros existentes no Quarteirão Bombarda.

 

No calendário de exposições temporárias, 2024 trará ao Museu Nacional Soares dos Reis, já no final de janeiro, a mostra Teresa Gonçalves Lobo e Domingos António de Sequeira: um diálogo no tempo, com curadoria de Bernardo Pinto de Almeida. As exposições O azul de safra na cerâmica de Miragaia e José Zagalo Ilharco completarão o primeiro semestre.

 

Destaque ainda para o programa Depositorium – Arte e Gastronomia, através do qual o Museu Nacional Soares dos Reis se propõe lançar o desafio a vários chefs de cozinha para olharem, do ponto de vista gastronómico, as várias coleções do acervo do museu, desde a pintura e a escultura, ao desenho, mobiliário, cerâmica, ourivesaria. Esta exposição será acompanhada por um programa paralelo composto por conversas e jantares temáticos.

 

A nível editorial, o Museu Nacional Soares dos Reis prepara o lançamento de uma linha dedicada às coleções e artistas, sendo o Catálogo Completo da Obra de Aurélia de Souza o primeiro do programa.

 

Reaberto em pleno em abril, o Museu Nacional Soares dos Reis terminou o ano 2023 registando um total de 74.712 visitantes, sendo este o segundo melhor ano da última década em termos de afluência de públicos, apenas superado em 2016 (totalizou 98.694 visitantes), ano em que o Museu apresentou a exposição temporária dedicada a Amadeo de Souza Cardoso, Porto – Lisboa, 2016 – 1916 (na foto).

Oficina para famílias «Como cuidar dos objetos»

3 de Janeiro, 2024

7 janeiro (domingo), 10h30/12h30

Público | Famílias (crianças a partir dos 5 anos)

Valor | Entrada gratuita

Oficina orientada pelo Serviço de Educação, Liliana Aguiar, e pelo Serviço de Conservação e Restauro, Salomé Carvalho

 

Inscrições
se@mnsr.dgpc.pt (até 48 horas de antecedência)

A prática milenar de cuidar dos objetos que são importantes para nós está na base da ciência a que designamos Conservação Preventiva. É amplamente aplicada nos museus, como primeira estratégia de proteção e salvaguarda dos bens culturais.

 

Podemos utilizar parte deste conhecimento no nosso dia-a-dia, o que se revela bastante útil para acrescentarmos anos de vida aos nossos brinquedos, bicicletas, livros, objetos de utilidade, como cerâmica, desenhos e pinturas, entre muitos outros.

A «Peregrinação» e a presença portuguesa no Japão

2 de Janeiro, 2024

Os Biombos de Namban, pertencentes ao acervo do Museu Nacional Soares dos Reis, retratam a presença dos portugueses nos portos do sul do Japão e o contacto com uma nova cultura em finais do século XVI, cujo relato foi imortalizado em “Peregrinação”, por Fernão Mendes Pinto.

 

“Peregrinação” é um dos primeiros relatos de um europeu sobre terras do Oriente e o livro de viagens português mais traduzido no mundo: teve pelo menos 167 edições, sendo vinte fora de Portugal logo no século XVII. Foi também durante muito tempo o segundo livro português mais lido no estrangeiro, após “Os Lusíadas”, de Luís de Camões.

 

Serve de tema à exposição patente na Biblioteca Pública de Braga “‘A Peregrinação’ de Fernão Mendes Pinto: mais de 4 séculos de edições”, com duas dezenas de exemplares da obra, incluindo cinco edições dos séculos XVII e XVIII.

A mostra da Biblioteca Pública de Braga revela a edição original de 1614 (em fac-simile), bem como edições de 1678, 1725, 1762 e 1829, entre outras. Pode ver-se, igualmente, um vídeo com imagens e sons alusivos à presença portuguesa no Japão, construído a partir da história representada nos Biombos de Namban, da coleção do Museu Nacional Soares dos Reis.

 

Os Biombos de Namban, composição de grande formato, apresentam uma colorida panorâmica sobre um fundo de ouro.

 

Uma meticulosa representação interpreta os trajes e os símbolos de um lucrativo comércio de produtos de luxo, as sedas, as porcelanas, os pequenos móveis e um elemento poucas vezes retratado, a arca da prata.

 

No primeiro biombo, destaca-se uma nau, embarcação de grande porte, e o desembarque dos viajantes e suas mercadorias. No segundo biombo mantém-se a narrativa da atividade comercial e documenta, ainda, a presença dos missionários da Companhia de Jesus. Em plano de fundo a missão cristã é assinalada por uma cruz e os portugueses testemunham, exibindo práticas locais, um amplo encontro cultural.

 

“Peregrinação” traça um relato ímpar da vida e dos costumes dos povos orientais, além da presença lusa na Ásia e desse submundo imperialista. Mostra ainda que os portugueses foram os primeiros europeus no Japão, há 480 anos, introduzindo a sua cultura, o cristianismo e as armas de fogo.

165º Aniversário de Nascimento de Henrique Pousão

1 de Janeiro, 2024

Assinala-se, hoje, 1 janeiro, o 165º aniversário de nascimento de Henrique Pousão. Nascido em 1859, em Vila Viçosa (onde viria também a falecer aos 25 anos), sagrou-se como pintor da primeira geração naturalista.

 

Henrique Pousão ingressou na Academia Portuense de Belas-Artes, e foi pensionista do Estado em França e Itália.

 

A pintura de caminhos e ruas, pátios, casas, aspetos de Paris, testemunha o seu percurso criativo, que culmina nas estadias em Roma e Capri.

 

Desde cedo que a família lhe reconhecera talento, manifesto sobretudo em retratos a lápis. Com 10 anos passa a residir em Barcelos e, em 1872, fixa-se no Porto. É nesta cidade que frequenta o atelier do pintor António José da Costa para preparar a entrada na Academia Portuense de Belas-Artes (1872).

 

Muito influenciado por Marques de Oliveira, regressado de Paris em 1879, Pousão ganha o concurso de pensionista, chegando a Paris no final do ano de 1880, acompanhado de Sousa Pinto (1856 – 1939).

Antes de ingressar no atelier de Cabanel e de Yvon, visitou galerias de arte e museus tanto em Paris, como em Madrid.

 

Neste ano, muda-se para Roma, onde aluga um atelier e, em 1882, produz significativas obras, também em Nápoles e Capri.

Paisagens de um poético e vibrante cromatismo, em exercícios de captação de luz, pinturas de género como Cecília, e retratos, com Senhora Vestida de Preto, realizado já em Paris, revelam a sua modernidade, invulgar no panorama artístico português.

 

No final de 1883, já doente, decide regressar a Portugal. A viagem foi efetuada via Génova, passando por Marselha e Barcelona, onde pinta “Cais de Barcelona” (na imagem ao lado).

 

Em março de 1884, poucos dias antes de falecer pinta “Um ramo de flores” (na imagem superior).

 

A sua obra, que revela o arrojo e o talento do jovem pintor e o seu interesse absoluto nos valores da pintura em si em detrimento dos temas ou da narrativa, foi entregue, após a sua morte prematura, à Academia Portuense de Belas Artes.

 

Na coleção do Museu Nacional Soares dos Reis, a obra de Henrique Pousão está fortemente representada com destaque para as obras “Casas Brancas de Capri”, “Senhora Vestida de Preto” e “Janelas das Persianas Azuis”, todas classificadas como tesouros nacionais.

Cais de Barcelona, Henrique Pousão

120º Aniversário de Nascimento de Cândido Portinari

29 de Dezembro, 2023

A 29 dezembro de 1903 nasceu Cândido Portinari, pintor marcante do Modernismo no Brasil.

 

Cândido Portinari (1903-1962) foi um pintor brasileiro, um dos principais nomes do Modernismo cujas obras alcançaram renome internacional, como o painel Guerra e Paz, na sede da ONU em Nova Iorque e a série Emigrantes, do acervo do Museu de Arte de São Paulo (MASP).

 

Está, igualmente, representado no Museu Nacional Soares dos Reis, através da obra Carnaval, de 1942.

Carnaval (ou Cavalo- Marinho, como originalmente se designava) foi encomendada ao pintor brasileiro Cândido Portinari, para, com outros sete painéis, decorar as instalações da Rádio Tupi, no Rio de Janeiro.

 

Em 1949, a Rádio sofreu um incêndio que destruiu parte dessa decoração. Os dois painéis sobreviventes viriam a ser oferecidos, em 1951, ao Estado Português por Assis Chateaubriand. Uma das obras foi destinada ao Museu Nacional Soares dos Reis e a outra ao Museu de Arte Contemporânea – Museu do Chiado.

 

Cavalo- Marinho representa uma festa caraterística da região de Pernambuco celebrada no dia de Reis. O tema integrava-se num programa encomendado por Assis Chateaubriand, de celebração da cultura brasileira ou de definição da “brasilidade”, focada num ideário político específico, que reforçava o papel do “negro”, do “indígena” e do “branco” na formação da sociedade brasileira.

 

Créditos
Na capa: Autorretrato, Cândido Portinari, 1957 @Projeto Portinari
No texto: Carnaval, Cândido Portinari, 1942, acervo do Museu Nacional Soares dos Reis