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O Mote do Mundo é a Floresta: Exposição de Catarina Leitão

28 de Setembro, 2026

O Museu Nacional Soares dos Reis apresenta, a partir de 17 de outubro, O Mote do Mundo é a Floresta, uma instalação de Catarina Leitão desenvolvida especificamente para o Museu, a partir de uma investigação realizada no seu acervo.

 

Tomando de empréstimo, através de uma tradução livre, o título de The Word for World is Forest, de Ursula K. Le Guin, a exposição propõe pensar a natureza não como algo exterior à cultura, mas como uma construção material e imaginária. A floresta surge como ponto de partida para estabelecer relações entre objetos históricos, materiais, imagens e obras contemporâneas.

 

A investigação de Catarina Leitão no acervo do MNSR desloca a questão da representação da natureza para a própria matéria das obras. Cerâmica, têxtil, pedra, tinta e matéria vegetal encontram-se numa instalação onde diferentes formas de representar, transformar e construir o mundo se cruzam.

Na exposição, objetos provenientes de diferentes núcleos da coleção, entre cerâmicas, motivos de animais e plantas, pequenas ágatas e pinturas de paisagem, são reunidos numa espécie de gabinete de curiosidades. Retirados temporariamente das categorias que habitualmente os separam, estabelecem novas afinidades e revelam diferentes formas de transformar a natureza em imagem, matéria, objeto e artefacto.

 

Este universo dialoga com as Naturfaturas de Catarina Leitão, esculturas que aproximam crescimento e fabricação, matéria orgânica e matéria industrial. A ambiguidade estende-se ao próprio espaço expositivo, onde a relva artificial e outros elementos colocam em causa a fronteira entre aquilo que parece natural e aquilo que é construído.

 

A instalação ultrapassa ainda os limites da sala e prolonga-se até ao jardim do Museu, criando uma continuidade entre interior e exterior e tornando menos estáveis as fronteiras entre natureza e cultura, coleção e mundo. A floresta não é, assim, apresentada como uma paisagem a representar, mas como uma forma de relação: uma trama onde materiais, imagens, objetos e linguagens se encontram, contaminam e transformam mutuamente.

 

Com obra desenvolvida entre a escultura, a instalação, o desenho e o livro de artista, Catarina Leitão tem vindo a interrogar a construção cultural daquilo que designamos como natureza e as relações entre o orgânico, o humano e o fabricado. A sua obra integra coleções públicas como a Coleção de Arte Contemporânea do Estado, a Fundação Calouste Gulbenkian e a Fundação PLMJ.

 

«O Mote do Mundo é a Floresta» pode ser visitada no Museu Nacional Soares dos Reis de 17 de outubro de 2026 a 31 de janeiro de 2027, de terça-feira a domingo, das 10h00 às 18h00.

 

Entrada livre para residentes em Portugal.