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«O Desterrado» continua a inspirar a reflexão sobre o nosso tempo

22 de Junho, 2026

Mais de 150 anos após a sua criação, O Desterrado, obra-prima de António Soares dos Reis e um dos mais emblemáticos tesouros do Museu Nacional Soares dos Reis, continua a interpelar a sociedade contemporânea e a inspirar novas leituras sobre a condição humana.

 

Recentemente, Helena Sacadura Cabral e Pedro Santa Clara evocaram a célebre escultura nas suas publicações dedicadas ao tema do desterro, tomando a obra de Soares dos Reis como metáfora das múltiplas formas de desenraizamento que marcam o nosso tempo. O sentimento de exílio, de afastamento, de perda ou de procura de pertença encontrou, na figura melancólica esculpida em mármore de Carrara, uma expressão intemporal e profundamente atual.

Concebido em Roma, em 1872, e inspirado no poema Tristezas do Desterro, de Alexandre Herculano, O Desterrado transcende a representação individual para assumir uma dimensão universal, tornando-se uma poderosa imagem da saudade, da solidão e da nostalgia de um lugar – físico ou emocional – que se perdeu ou permanece distante.

 

Que uma obra criada no século XIX continue a servir de referência para pensar os desafios e inquietações do presente constitui testemunho da sua extraordinária força simbólica e artística. No Museu Nacional Soares dos Reis, O Desterrado permanece, assim, não apenas como uma das obras maiores da escultura portuguesa, mas também como uma presença viva, capaz de suscitar novas interpretações e de convocar, geração após geração, uma reflexão sobre a experiência humana do desterro e da pertença.