Mais de 60 réplicas de esculturas da coleção do Museu Nacional Soares dos Reis, entre as quais a emblemática escultura O Desterrado, são o ponto de partida para Cultura do Corpo: Edição Porto, a nova instalação de grande escala do artista lituano Augustas Serapinas, que inaugura no próximo dia 11 de julho na Galeria Municipal do Porto.
Desenvolvido em estreita colaboração entre as duas instituições, o projeto estabelece um diálogo inovador entre património, arte contemporânea, desenho académico e prática desportiva, demonstrando como as coleções museológicas podem continuar a inspirar novas formas de criação artística.
Com curadoria de João Laia, Cultura do Corpo: Edição Porto constitui a primeira exposição individual de Augustas Serapinas em Portugal e foi concebida especificamente para a cidade do Porto. Para esta criação inédita, o artista inspirou-se na coleção de escultura do Museu Nacional Soares dos Reis, transformando a Galeria Municipal num espaço híbrido entre um ginásio e uma escola de desenho.
Na instalação, os tradicionais pesos das máquinas de musculação são substituídos por réplicas de esculturas da coleção do MNSR, que passam a desempenhar um papel central na experiência expositiva. Mais do que objetos de contemplação, estas reproduções tornam-se elementos ativos de uma obra que será periodicamente ativada por ginastas, atletas, estudantes de desenho e visitantes, convidando o público a participar numa experiência onde o património ganha uma nova dimensão física e performativa.
A proposta de Augustas Serapinas recupera a tradição dos antigos ginásios, entendidos como espaços de formação simultânea do corpo e da mente, estabelecendo um paralelo entre o treino físico e a aprendizagem artística. Ao colocar esculturas clássicas no centro de um ambiente dedicado ao exercício, o artista reflete sobre a representação do corpo, a repetição enquanto método de aprendizagem e o papel da cópia na transmissão do conhecimento artístico, atribuindo novos significados a obras que fazem parte do património escultórico nacional.
A utilização de réplicas da coleção do Museu Nacional Soares dos Reis evidencia o potencial do património para dialogar com a criação contemporânea e reforça a missão do Museu de promover novas leituras sobre as suas coleções. Ao serem deslocadas do contexto museológico para uma instalação participativa, estas esculturas revelam a sua capacidade de gerar novas narrativas e de estabelecer pontes entre diferentes disciplinas, práticas e públicos.
A colaboração entre o Museu Nacional Soares dos Reis e a Galeria Municipal do Porto prolonga-se para além do espaço expositivo. Durante o período da mostra, patente de 11 de julho a 11 de outubro, o MNSR acolherá uma das obras produzidas por Augustas Serapinas para este projeto, permitindo aos visitantes descobrir um dos núcleos da exposição no contexto do Museu e reforçando o diálogo entre as duas instituições culturais.
Reconhecido internacionalmente pela forma como desenvolve projetos enraizados na história e nas especificidades dos lugares onde intervém, Augustas Serapinas volta a demonstrar, em Cultura do Corpo: Edição Porto, a capacidade da arte contemporânea para reinterpretar o património e criar novas formas de relação entre os objetos, os espaços e as comunidades. Nesta edição concebida para o Porto, é precisamente a coleção de escultura do Museu Nacional Soares dos Reis que serve de matéria-prima para uma reflexão inédita sobre o corpo, a aprendizagem e a permanência da arte clássica no imaginário contemporâneo.
Esta parceria afirma, uma vez mais, o Museu Nacional Soares dos Reis como uma instituição aberta ao diálogo interdisciplinar e à experimentação artística, demonstrando que as suas coleções continuam a constituir um recurso vivo para artistas, investigadores e públicos, inspirando novas formas de pensar, interpretar e experienciar o património.

