A figura de Amadeo de Souza-Cardoso volta a ocupar o centro da atualidade cultural portuguesa. A partir de 13 de julho, a RTP1 estreia a minissérie Amadeo, protagonizada por Rafael Morais e realizada por Vicente Alves do Ó, uma produção inspirada na vida de um dos mais notáveis artistas portugueses do século XX.
A estreia surge num momento particularmente significativo para o Museu Nacional Soares dos Reis, depois de o Estado Português ter exercido o direito de preferência na aquisição da pintura Copo branco belleza dos objectos, que passará a integrar o acervo do Museu. A incorporação desta obra representa um marco de grande relevância para a instituição, que passa a contar, pela primeira vez, com uma pintura de Amadeo de Souza-Cardoso na sua coleção.
Figura maior da modernidade artística europeia, Amadeo de Souza-Cardoso (1887-1918) desenvolveu uma obra singular e inovadora, marcada pelo diálogo com as principais correntes de vanguarda do início do século XX. A sua pintura, de linguagem profundamente original, continua a afirmar-se como uma referência incontornável da arte moderna.
Apesar da sua morte prematura, aos 30 anos, vítima da pandemia de gripe pneumónica, o reconhecimento internacional da sua obra tem vindo a crescer de forma consistente. Nos últimos anos, Amadeo foi protagonista de importantes exposições em instituições de referência mundial, entre as quais o Museu Guggenheim, em Nova Iorque, que integrou obras suas na exposição Harmony and Dissonance: Orphism in Paris (1910–1930), dedicada às vanguardas europeias do início do século XX.
Também o Museu Nacional Soares dos Reis tem desempenhado um papel relevante na divulgação da obra do artista. Em 2016 apresentou a exposição Amadeo de Souza-Cardoso, Porto-Lisboa-1916-2016, que atraiu mais de 40 mil visitantes antes de seguir para o Museu Nacional de Arte Contemporânea – Museu do Chiado.
A coincidência entre a estreia da nova produção televisiva e a entrada de uma obra de Amadeo nas coleções do Museu Nacional Soares dos Reis reforça a atualidade de um artista que continua a despertar o interesse do público e da comunidade científica, mais de um século após a sua morte. Entre o pequeno ecrã e o património museológico nacional, o legado de Amadeo de Souza-Cardoso confirma-se como uma das expressões mais universais da arte portuguesa.

