O compromisso do Museu Nacional Soares dos Reis (MNSR) com a construção de uma cultura cada vez mais acessível e inclusiva volta a merecer destaque, desta vez na edição de julho/agosto da Agenda Porto, que publica uma entrevista com Daniela Fatela Geraldes, investigadora do i2ADS – Instituto de Investigação em Arte, Design e Sociedade e doutoranda em Educação Artística da Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto.
A investigadora encontra-se a colaborar com o MNSR no desenvolvimento de soluções inovadoras de acessibilidade destinadas a pessoas cegas e com baixa visão, através da criação de imagens táteis em relevo baseadas em obras da coleção do Museu. O projeto permite que a experiência de contemplação da pintura seja também vivida através do toque, promovendo novas formas de contacto com o património artístico.
Na entrevista publicada pela Agenda Porto, Daniela Fatela Geraldes explica que as reproduções táteis procuram preservar os elementos essenciais de cada composição, recorrendo ao relevo para transmitir formas, volumes, profundidade e relações espaciais. A experiência é complementada por audiodescrição, proporcionando diferentes formas de leitura e interpretação das obras e respeitando a diversidade de modos de percecionar a arte.
Esta investigação integra atualmente o Projeto de Acessibilidade Universal que o Museu Nacional Soares dos Reis está a desenvolver, uma iniciativa estratégica que pretende afirmar o Museu como uma referência nacional e internacional em acessibilidade, eliminando barreiras físicas, sensoriais e de comunicação e promovendo uma experiência cultural verdadeiramente inclusiva para todos os visitantes.
O trabalho desenvolvido por Daniela Fatela Geraldes tem origem numa parceria estabelecida com o Museu, através da qual foram selecionadas diversas pinturas da coleção para serem transformadas em versões táteis. Estas reproduções são acompanhadas por legendas em Braille e conteúdos de audiodescrição, permitindo que pessoas cegas e com baixa visão possam explorar as obras de forma autónoma e significativa. Entre as pinturas selecionadas encontram-se obras de artistas como Aurélia de Souza, Henrique Pousão, Silva Porto, António Carneiro, Marques de Oliveira e José Tagarro, entre outros.
Mais do que desenvolver recursos de mediação acessíveis, o MNSR pretende construir um modelo de museu onde a inclusão esteja presente em todas as dimensões da experiência de visita. Neste âmbito, o Projeto de Acessibilidade Universal tem vindo a ser desenvolvido de forma colaborativa, envolvendo representantes das principais associações nacionais ligadas à deficiência e à inclusão, cujos contributos têm sido determinantes para definir prioridades e validar as soluções em desenvolvimento.
Esta estratégia reforça o compromisso do Museu Nacional Soares dos Reis com a democratização do acesso à cultura, reconhecendo que a acessibilidade constitui um direito fundamental e um fator essencial para garantir a participação plena de todos os cidadãos na vida cultural.
A entrevista com Daniela Fatela Geraldes pode ser lida na edição de julho/agosto da Agenda Porto e constitui mais um reconhecimento público do trabalho que o Museu Nacional Soares dos Reis tem vindo a desenvolver na promoção da inclusão, da inovação e da acessibilidade cultural.
Créditos fotográficos: Agenda Porto

