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Quatro dezenas de novas peças enriquecem exposição do MNSR

12 de Março, 2026

O Museu Nacional Soares dos Reis (MNSR) acaba de concretizar a renovação da sua Exposição de Longa Duração (ELD), introduzindo mais de quatro dezenas de novos bens culturais, reforçando o compromisso assumido aquando da reabertura do Museu: afirmar a exposição como um organismo vivo, dinâmico e em permanente diálogo com o vasto acervo que guarda.

 

Inaugurada em abril de 2023, a ELD foi concebida para permitir a rotatividade regular de obras, fomentando novas interpretações e estimulando o regresso do público para visitas regulares.

 

À semelhança do processo iniciado no ano anterior, esta atualização dá continuidade à estratégia de valorização de peças em reserva, integrando novos depósitos, aquisições, doações e recontextualizações curatoriais.

 

Considerando que a ELD apresenta apenas uma parte dos cerca de 19.000 bens culturais que compõem a totalidade do acervo do Museu, a renovação agora efetuada permite revelar ao público núcleos inéditos e obras recentemente incorporadas. O objetivo é ampliar a narrativa da arte portuguesa, com especial enfoque nos séculos XIX e início do século XX, e aprofundar o diálogo entre pintura, escultura, desenho e artes decorativas.

Novos núcleos e obras em destaque

A renovação de 2026 da Exposição de Longa Duração introduz novos núcleos que reforçam a coerência e a ambição narrativa do percurso expositivo, destacando-se a apresentação da Adoração dos Magos, de Domingos António de Sequeira e respetivos estudos preparatórios; o reforço da paisagem oitocentista com obras de John Wilson Carmichael e Joaquim Rafael; o aprofundamento do núcleo dedicado a Henrique Pousão; a valorização do desenho e da escultura de António Soares dos Reis; o enriquecimento do naturalismo com obras de José Malhoa e Columbano Bordalo Pinheiro; e a afirmação da modernidade através de Amadeo de Souza-Cardoso e Armando de Basto, a par da valorização das artes decorativas e do património têxtil.

 

O universo de Domingos António de Sequeira

A exposição foi enriquecida com a pintura Adoração dos Magos (1828), proveniente do Museu Nacional de Arte Antiga, acompanhada por um significativo conjunto de estudos preparatórios (carvão, esfuminho e lápis sobre papel).

Este núcleo permite ao visitante compreender o processo criativo de Sequeira, desde o esboço à composição final, evidenciando a dimensão espiritual e simbólica da obra.

As pinturas Adoração dos Magos e Descida da Cruz – duas das grandes composições religiosas de Domingos António de Sequeira – vão permanecer, lado a lado, no MNSR ao longo de 2026, proporcionando, pela primeira vez no Porto, a contemplação conjunta destas obras de referência.

 

O desenho de António Soares dos Reis

O núcleo dedicado ao patrono do Museu é reforçado com novos estudos de modelo nu masculino, estudos e desenhos preparatórios para a escultura Nossa Senhora da Vitória, bem como com as versões em gesso e bronze da Virgem com o Menino e o cordeiro místico.

Estas obras evidenciam a centralidade do desenho na prática artística de Soares dos Reis e a articulação entre escultura e estudo gráfico.

 

A paisagem do Douro e Henrique Pousão

A paisagem oitocentista foi aumentada com a apresentação de Vista do Douro, Porto e Gaia, de John Wilson Carmichael (depósito Novo Banco, 2024), dialogando com obras como Barco do Douro com pipas, de Joaquim Rafael.

Este conjunto sublinha a importância iconográfica e identitária do rio Douro na construção da imagem da cidade do Porto ao longo do século XIX.

A presença de Pousão foi, também, ampliada com Natureza-morta com Pombo (1876), adquirida em 2025 pela Comissão para a Aquisição de Bens Culturais, e com um Retrato (1880), em depósito pelo Círculo Dr. José de Figueiredo – Amigos do MNSR. Estas incorporações aprofundam o conhecimento sobre a breve, mas notável, produção do jovem artista pertencente à 1.ª geração naturalista em Portugal.

 

Naturalismo e Modernidade

A Exposição de Longa Duração passa a integrar novos depósitos com obras de artistas fundamentais como José Malhoa, Columbano Bordalo Pinheiro e Artur Loureiro, entre outros.

Destacam-se ainda retratos e estudos que enriquecem a representação do meio artístico e intelectual português de finais do século XIX e primeiras décadas do século XX.

Já na narrativa da modernidade destaca-se Trou de la serrure PARTO DA VIOLA Bon ménage Fraise avant-garde, de Amadeo de Souza-Cardoso (CAM – Centro de Arte Moderna Gulbenkian), e com N’Aldeia (Retrato de sua mulher), de Armando de Basto.

 

Artes decorativas e têxteis

A renovação de 2026 valoriza, igualmente, o património têxtil e as artes decorativas, com a apresentação de paramentos litúrgicos dos séculos XVII e XVIII, bem como pintura naturalista e cenas musicais de inícios do século XX.

 

Um museu em permanente renovação

Com uma história de quase dois séculos e 27 salas de exposição, o Museu Nacional Soares dos Reis reafirma, com esta renovação, a sua missão de preservar, estudar e divulgar o património artístico nacional, proporcionando novas leituras e novas narrativas a cada visita.

O público é, assim, convidado a redescobrir o Museu através de um percurso enriquecido, mais abrangente e continuamente renovado.