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Museu Nacional Soares dos Reis e Vila do Conde cruzam obras de Julio

20 de Março, 2026

A exposição “Interseções: em torno da expressão artística – Pintura, desenho, dança, música e poesia na obra de Julio”, patente na Galeria Julio | Centro de Memória de Vila do Conde, entre 21 de março e 27 de setembro, conta com a cedência temporária de obras do artista Júlio Reis Pereira, reforçando o diálogo institucional entre o Museu Nacional Soares dos Reis (MNSR) e a Câmara Municipal de Vila do Conde, bem como a valorização e circulação do património artístico nacional.

 

No âmbito desta colaboração, as obras “O Circo” (1931) e “Duas Irmãs” (1934), da Coleção de Arte Contemporânea do Estado (CACE), serão excecionalmente apresentadas ao público em Vila do Conde.

 

Estas obras constituem depósito permanente da CACE na Fundação de Serralves, cedidas desde 2023 para integração no percurso expositivo do Museu Nacional Soares dos Reis. Em regime de reciprocidade, o MNSR receberá duas obras da Coleção Galeria Julio: “No jardim” (1927), óleo sobre cartão, e “Sem título”, óleo sobre tela.

A exposição reúne 163 obras, entre pinturas a óleo e desenhos, bem como manuscritos, publicações diversas e objetos que pertenceram ao atelier do artista, num percurso que atravessa mais de cinco décadas de criação, de 1918 até aos anos 70.

 

Figura central do modernismo português, Júlio Maria dos Reis Pereira (1902–1983) destacou-se pela diversidade da sua produção artística. Pintor, desenhador, ilustrador e poeta, utilizou o pseudónimo Julio nas artes plásticas e Saúl Dias na poesia. A sua obra caracteriza-se pelo diálogo entre diferentes formas de expressão, sobretudo entre as artes visuais e a literatura.

 

Nascido em Vila do Conde, estudou na Escola de Belas-Artes do Porto e integrou o ambiente modernista das primeiras décadas do século XX, colaborando com a revista Presença, uma das publicações mais importantes do modernismo em Portugal. Ao longo da sua carreira, desenvolveu uma linguagem artística própria, marcada pela representação da figura humana, por cenas intimistas e por temas ligados ao espetáculo, ao mundo urbano e à cultura popular, explorando também influências do expressionismo, do surrealismo e da abstração.

 

A sua obra revela ainda a atenção às correntes artísticas europeias e a influência de artistas como Marc Chagall ou Pablo Picasso. Este diálogo entre diferentes artes – pintura, desenho, poesia, música, dança ou teatro – está no centro da exposição “Interseções”, que procura destacar a riqueza e a diversidade do seu percurso criativo.

 

A cedência temporária destas obras inscreve-se, assim, numa estratégia mais ampla de cooperação entre instituições culturais, promovendo a circulação de bens artísticos, o aprofundamento da investigação e a aproximação dos públicos ao legado de um artista cuja importância para a arte portuguesa do século XX continua a ser progressivamente redescoberta e valorizada.