O Museu Nacional Soares dos Reis (MNSR) inaugura, a 29 janeiro, pelas 18h30, com entrada livre, a exposição “Face a Face – Rita Magalhães e a Natureza-Morta na Coleção do MNSR”, comissariada por Manuela Hargreaves.
A exposição ficará patente até 18 maio, contando com mecenato do BPI / Fundação “la Caixa” e apoio institucional do Círculo Dr. José de Figueiredo – Amigos do MNSR.
Esta exposição propõe-se, por um lado, a promover um diálogo com a pintura de natureza-morta presente na coleção do Museu Nacional Soares dos Reis, convocando artistas que, ainda que não tenham feito deste género a sua prática exclusiva, o exploraram de forma significativa. Estas obras convivem com as de Rita Magalhães, estabelecendo uma linha de continuidade que vai da escola flamenga e holandesa dos séculos XVII e XVIII, passando pelo realismo e naturalismo em Portugal no século XIX, até ao limiar da modernidade.
As fotografias de Rita Magalhães “apresentadas face a face com este conjunto de obras, estabelecem uma ligação entre dois tempos da história: o da pintura de naturezas-mortas, enquanto leitmotiv, e a sua reverberação na fotografia contemporânea, que em tudo se assemelha a uma pintura clássica – embora não o seja”, salienta Manuela Hargreaves.
Por outro lado, a exposição inscreve-se numa continuidade de projetos expositivos realizados a nível nacional e internacional que visam recuperar a natureza-morta como um género artístico autónomo. Ao longo do tempo, diversos autores contemporâneos têm recorrido a este tema em momentos específicos dos seus percursos – de David Hockney a Damien Hirst – contribuindo para a sua legitimação e reforçando a sua relevância no contexto da prática artística contemporânea.
Nas palavras de António Ponte, Diretor do MNSR, “o trabalho de Rita Magalhães convida-nos a olhar para os objetos do quotidiano com renovada atenção, a ponderar o significado da imagem e a apreciar a riqueza dos diálogos artísticos que atravessam séculos. Entre tradição e inovação, a natureza-morta continua viva, reinventando-se em novas linguagens e sensibilidades”.
Outro dos principais méritos desta exposição foi ter possibilitado a intervenção de restauro de várias das pinturas que agora se apresentam publicamente, devolvendo-lhes a visibilidade de que foram privadas pela longa permanência em reserva.
“Não sendo destinados à exibição imediata, [os bens culturais em reserva] tendem a ser preteridos também nas prioridades de restauro. A degradação do estado de conservação contribui para o fecho das obras sobre si próprias. No caso concreto da pintura a óleo, suportes e pigmentos degradados e vernizes envelhecidos dificultam a leitura, ocultando dados decisivos como caraterísticas de pincelada, assinaturas, marcas de fabrico, datas e outras inscrições. Na vida dos objetos instala-se então um ciclo de crise silencioso que os submerge na invisibilidade e os priva da formação de significados. Quanto mais se aprofunda a perda de significado, mais improvável se torna o resgate”, sublinham as curadoras da Coleção de Pintura do MNSR, Ana Paula Machado e Ana Nascimento.
Realizadas as intervenções de conservação e restauro, foi possível trazer à luz do conhecimento uma série de informações e pormenores que ajudam a documentar o histórico das pinturas, os seus autores, técnicas e materiais.
Das 28 obras do MNSR selecionadas para esta exposição, 15 foram agora objeto de intervenção de restauro, o que, para além de permitir a leitura das obras na sua plenitude, revelou, nalguns casos, assinaturas e marcas há muito “perdidas”. Dado o volume de obras e a complexidade de algumas intervenções, os trabalhos foram repartidos pelas equipas de restauro do Laboratório José de Figueiredo e da Divisão de Museus da Câmara Municipal do Porto. Graças ao apoio do Círculo Dr. José de Figueiredo – Amigos do Museu Nacional Soares dos Reis, foi ainda possível reforçar esta campanha com recurso aos serviços de uma conservadora-restauradora externa.
Sobre Rita Magalhães
Nasceu em Luanda, Angola, em 1974. Vive e trabalha entre o Porto e a Bairrada. Frequentou o curso de Pintura na Faculdade de Belas-Artes da Universidade do Porto. O seu percurso artístico, iniciado em 1999, orientou-se desde cedo para o campo da fotografia, onde tem desenvolvido uma investigação consistente, centrada na aproximação deste medium à pintura.
Atualmente, encontra-se representada pela Galeria Pedro Oliveira, no Porto, e pela Galeria das Salgadeiras, em Lisboa. O seu trabalho tem suscitado relevante atenção por parte de vários autores, críticos e curadores, entre os quais Francisco Laranjo, Óscar Faria, David Barro, Bernardo Pinto de Almeida e Marc Lenot, entre outros.
Rita Magalhães está representada em várias coleções privadas e institucionais, em Portugal e no estrangeiro. Em 2023, foi responsável pela ilustração fotográfica do livro Lojas de Outrora e de Agora, com textos de Isabel Lopes Gomes.
Legenda da imagem
Flores
Henrique Pousão (1859–1884), 1877
Óleo sobre tela
Academia Portuense de Belas Artes
95 Pin MNSR

