No Museu Nacional Soares dos Reis foram, hoje, apresentadas as linhas orientadoras das comemorações dos 180 anos do nascimento de António Soares dos Reis, que se assinalam em 2027. A iniciativa reúne instituições culturais, académicas e autárquicas num programa conjunto de exposições, investigação, criação artística e atividades culturais, que se prolongará até 2028 e que pretende devolver António Soares dos Reis ao centro da atenção cultural, promover o conhecimento da sua obra e estimular novas leituras sobre o seu percurso e influência na arte portuguesa.
A programação envolve o Museu Nacional Soares dos Reis, o Círculo Dr. José de Figueiredo – Amigos do MNSR, as Câmaras Municipais do Porto e de Vila Nova de Gaia e a Universidade do Porto, através das Faculdades de Belas Artes e de Letras.
Durante a apresentação foi também revelada a identidade gráfica das comemorações, desenvolvida pelos designers Eduardo Aires, José Carneiro e Ana Leite, da Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto. A marca será utilizada por todas as instituições parceiras, assegurando uma comunicação visual comum ao conjunto das iniciativas.
Exposições, investigação e criação contemporânea
Entre os principais projetos previstos pelo Museu Nacional Soares dos Reis destaca-se uma grande exposição internacional dedicada ao escultor, com curadoria de Penelope Curtis, cuja inauguração está apontada para 14 de outubro de 2027, precisamente no dia em que se assinalam os 180 anos do nascimento de Soares dos Reis. A mostra propõe uma reavaliação da obra de Soares dos Reis no contexto da escultura europeia do século XIX, explorando também a sua atualidade.
Ainda no primeiro semestre de 2027, o MNSR prevê apresentar a exposição A contemporaneidade de Soares dos Reis pela arte de Rui Sanches, com curadoria de Miguel von Hafe Pérez, colocando a produção do escultor em diálogo com a criação artística contemporânea.
A programação contempla igualmente o projeto Entre a Forma e o Silêncio, com curadoria de Paulo Caius, dedicado à experiência sensorial da escultura, e a disponibilização digital do Catálogo da Obra Completa de António Soares dos Reis, resultado de um longo trabalho de investigação e documentação desenvolvido pelo Museu.
Porto e Gaia valorizam a memória do escultor
As Câmaras Municipais do Porto e de Vila Nova de Gaia associam-se às comemorações com projetos que reforçam a ligação de Soares dos Reis às duas cidades.
No Porto, a programação proposta centra-se na valorização de obras da coleção municipal depositadas no MNSR, com particular destaque para Flor Agreste. Estão previstas a instalação de uma reprodução em bronze, acessível ao toque, nos Jardins do Palácio de Cristal, uma exposição dedicada à presença desta escultura no imaginário coletivo e uma mostra que colocará em diálogo obras de Soares dos Reis e de António Carneiro, a propósito de Luís de Camões.
Vila Nova de Gaia, cidade natal do escultor, propõe uma exposição dedicada aos seus discípulos, na Casa-Museu Teixeira Lopes, uma cerimónia evocativa no dia 14 de outubro de 2027, associada ao projeto da Casa-Atelier Soares dos Reis, e outras iniciativas de criação artística, edição e programação cultural.
Universidade do Porto reforça dimensão científica e cultural
A Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto, em articulação com o i2ADS, propõe a realização de um simpósio internacional que cruzará a investigação sobre a vida e a obra do escultor com questões da criação contemporânea, nomeadamente a partir do tema On Displacement, inspirado em O Desterrado.
Por sua vez, a Faculdade de Letras apresenta propostas que incluem um ciclo de cinema comentado, palestras, investigação sobre a iconografia do artista, um roteiro cultural dos lugares associados à sua vida e obra, uma exposição virtual na plataforma Google Arts & Culture e um projeto dedicado ao registo fotográfico histórico do escultor.
Está ainda previsto para 2028 um encontro científico dedicado a Soares dos Reis no contexto artístico nacional e internacional do seu tempo.
Um legado para além das comemorações
Nascido a 14 de outubro de 1847, em Santo Ovídio, Vila Nova de Gaia, António Soares dos Reis distinguiu-se como uma das figuras maiores da escultura portuguesa do século XIX. A sua formação no Porto, em Paris e em Roma, a atividade docente e obras como O Desterrado e Flor Agreste marcaram profundamente a história da arte nacional.
As comemorações pretendem aproximar novos públicos do escultor, ampliar o conhecimento sobre a sua produção artística e reforçar a projeção nacional e internacional do seu legado.
O programa apresentado é ainda preliminar, encontrando-se as diferentes iniciativas em fases distintas de preparação. A programação definitiva, bem como as respetivas datas e condições de participação, será divulgada progressivamente pelas instituições parceiras.

