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Estado adquire obra de Amadeo de Souza-Cardoso para o MNSR

26 de Junho, 2026

O Estado português exerceu o direito de preferência sobre a obra Copo branco belleza dos objectos, de Amadeo de Souza-Cardoso, recentemente vendida em leilão, assegurando a sua integração na coleção de pintura do Museu Nacional Soares dos Reis.

 

Datada de cerca de 1915-1916, a pintura pertence ao período final da criação artística de Amadeo de Souza-Cardoso, considerado pela historiografia como o momento mais consistente e poderoso da afirmação do artista enquanto uma das figuras pioneiras da modernidade portuguesa. Trata-se de uma composição quase abstrata, marcada pela experimentação formal, pelo dinamismo das formas e pela utilização de cores intensas e inesperadas, refletindo o espírito de inovação que distinguiu a obra do pintor. A própria designação atribuída pelo artista – Copo branco belleza dos objectos – integra-se na sua proposta estética, desafiando os limites da representação e da perceção do objeto.

 

A obra foi apresentada na histórica exposição individual realizada por Amadeo no Porto, em 1916, a primeira exposição de um artista modernista em Portugal, posteriormente levada a Lisboa e acolhida com entusiasmo por Almada Negreiros. Desde então, integrou praticamente todas as grandes exposições dedicadas ao artista, possuindo um percurso expositivo e um histórico de proveniência amplamente documentados.

 

A incorporação desta pintura representa um momento histórico para o Museu Nacional Soares dos Reis. Apesar de, desde meados do século XX, o Museu dedicar uma parte significativa da sua exposição permanente às primeiras gerações modernistas portuguesas e de ter organizado, em 1959, uma importante exposição dedicada a Amadeo de Souza-Cardoso, a sua coleção nunca integrou uma obra do artista. Esta aquisição vem, assim, colmatar uma lacuna histórica e reforçar a representação de um dos mais relevantes criadores da arte portuguesa do século XX.

A entrada de Copo branco belleza dos objectos na coleção de pintura do Museu Nacional Soares dos Reis enriquece de forma decisiva o património público nacional, contribuindo para a preservação, estudo e valorização de uma obra fundamental para a compreensão da modernidade artística em Portugal e assegurando a sua fruição pelas gerações presentes e futuras.

 

O Museu Nacional Soares dos Reis acolhe com particular satisfação esta decisão do Estado, que reafirma o compromisso com a salvaguarda e o enriquecimento das coleções públicas nacionais e reconhece a importância de preservar, em domínio público, obras incontornáveis da história da arte portuguesa.