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Panteão Nacional promove visita aos gessos de Soares dos Reis

10 de Fevereiro, 2026

O Panteão Nacional irá abrir o coro baixo, entre os dias 12 de fevereiro e 15 de março, para que os visitantes possam apreciar os cinco gessos aí expostos, da autoria de Soares dos Reis e Anatole Calmels, dois reputados artistas, com obra notável no final do século XIX.

 

Dois dos gessos são da autoria de Anatole Célestin Calmels (1822-1906), e são moldes de duas peças – o Trabalho e a Força – que estão à porta da Procuradoria-Geral da República (antigo Palácio dos Duques de Palmela), em Lisboa.

 

As outras três esculturas foram concebidas por António Soares dos Reis (1847-1889) e representam A Música, A Poesia e a Abundância. Datam de 1877 e estão assinadas pelo autor.

Sobre Soares dos Reis

António Soares dos Reis nasceu a 14 outubro de 1847, no lugar de Santo Ovídio, freguesia de Mafamude, concelho de Vila Nova de Gaia.

 

Com apenas 14 anos, matriculou-se na Academia Portuense de Belas Artes, onde – durante a frequência do curso – colheu vários prémios e louvores. Em poucos anos o curso estava concluído, obtendo o 1º prémio nas cadeiras de desenho, arquitetura e escultura.

 

Aos 20 anos tornou-se pensionista do Estado no estrangeiro. Entre 1867 e 1870 permanece em Paris como pensionista, recebendo lições de Jouffroy, Yvon e Taine. Em Paris recebe vários prémios pelos seus trabalhos.

 

Após breve estada em Portugal, em 1871 parte para Roma, etapa decisiva na sua formação. É em Roma que inicia a execução de O Desterrado (1872), obra de inspiração clássica, ensaio de transição para o naturalismo, premiada na Exposição Geral de Belas-Artes de Madrid de 1881.

 

Regressado ao Porto em 1873 para se dedicar à carreira artística, colabora em publicações e preside ao Centro Artístico Portuense. A partir de 1881, leciona Escultura na Escola de Belas-Artes do Porto, embora discorde da orgânica do ensino.

 

Soares dos Reis é admirado pelos seus contemporâneos, recebe encomendas, participa em concursos e exposições, concebe monumentos públicos.

 

Incapaz de se sobrepor à incompreensão e ao descrédito lançados contra o seu valor artístico e de enfrentar a obstrução sistemática aos seus esforços de inovação como docente, recorreu ao suicídio, deixando uma obra ímpar na escultura da segunda metade do século XIX.