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Etiqueta: dez 2023

90 Anos da escultura «O Beijo» de Ernesto Canto da Maya

19 de Janeiro, 2024

Incorporada na coleção do Museu Nacional Soares dos Reis em 2001, após ter sido adquirida no ano anterior no leilão da Coleção Canto da Maya, a escultura Baiser (O Beijo) completa, em 2024, 90 anos sobre a sua criação.

 

O Beijo é uma obra modernista em barro patinado fazendo valer aspetos de uma arte figurativa que explora o ideal de retorno às raízes europeias, nas linhas propostas pelos escultores Antoine Bourdelle e Aristide Maillol, uma corrente que ganhou adesão em Paris pela década de 1920.

 

No conjunto da obra de Canto da Maya, o Beijo enquadra-se numa fase em que o autor exalta o que é exuberante e o sensitivo, na procura da essência do ser humano. As figuras saem totalmente fora dos cânones e são modeladas em barro, a matéria-prima ideal para dar forma à noção de erotismo.

Canto da Maya reduz os corpos ao fundamental modelando em barro as figuras unidas num abraço, sentadas no solo; o volume denso mostra superfícies lisas e linhas curvas. Esta técnica é sugestiva da sua visão da Escultura como uma Arte Primitiva.

 

“Ernesto do Canto Faria e Maia nasceu em Ponta Delgada [em 1890]. Com formação artística em Lisboa, Paris, Genebra e Madrid, e a carreira mais consagrada e internacional de um escultor português na primeira metade do século, Canto da Maya destaca-se entre os percursores do modernismo figurativo com uma original estética decorativista.

 

Entre Paris e Lisboa, cria esculturas – grandes conjuntos, figurinhas de terracota ou gesso, bustos, baixos-relevos, figuras metafóricas dos ciclos da vida ou da feminidade – cuja expressividade anatómica e idealidade poética foi muito premiada, e escolhida para representar a arte francesa (Tóquio e Osaka, 1926), e Portugal, em várias exposições universais (Paris, 1937; Nova Iorque, S.Francisco, 1939) e na Bienal de S. Paulo (1957).

 

Desempenhou também um papel central na exploração da art déco, colaborando em projetos com célebres arquitetos. Uma viragem a meio da carreira leva-o da pioneira reinvenção da escultura figurativa ao academismo nacionalista, em longa campanha oficial de esculturas monumentais destinadas a enaltecer a propaganda patriótica do Estado Novo, que lhe atribui o Grau de Oficial da Ordem Militar de Sant’Iago da Espada (1941).

 

Apesar de diferentes fases e faces, a obra de Canto da Maya continua a atrair sucessivas homenagens e retrospetivas desde a década de 30, em Portugal e França. Canto da Maya morreu em Ponta Delgada [em 1981]”[1].

 

[1] Créditos

Portreto de la Animo: Visita comentada por artistas

19 de Dezembro, 2023

Visita Comentada pelos artistas Carla Gonçalves, Daniel Gonçalves e ZMB (Rui Lourenço)
com moderação de Inês Costa
22 de dezembro, 17h00

Entrada: Gratuita

 

Programa paralelo da Exposição Portreto de la Animo

 

Inscrições online

Carla Gonçalves é licenciada em Arqueologia, tendo trabalhado durante alguns anos como bancária. Após a aposentação, passou a dedicar-se à pintura em exclusivo. Nos últimos dez anos, além de pintar e desenhar, adapta também livros e álbuns antigos criando assemblagens (termo francês trazido à arte por Jean Dubuffet em 1953. É usado para definir colagens com objetos e materiais tridimensionais).

 

Daniel Gonçalves, desenhador e pintor autodidata, desde muito novo relaciona-se com o mundo através da expressão plástica, tendo participado na última década em múltiplas exposições coletivas realizadas no Porto. No percurso pleno de experimentações que fez, na procura de uma marca pessoal, independentemente da multiplicidade de estilos, sempre revelou uma atenção particular pelos jogos de formas e de cores.

 

ZMB (Rui Lourenço), artista autodidata, formou-se em Engenharia Eletrónica e Telecomunicações, na Universidade de Aveiro, reprimindo na altura o apelo que sempre sentiu pelas artes plásticas. Em 1995, ainda durante a frequência universitária, começou a desenhar. Com cultos e gostos profundamente desajustados da corrente de gosto dominante, passou a frequentar alguns ateliês de arte-terapia e a expor em locais alternativos da cidade do Porto, como o Espaço T, a Casa da Horta e A Cadeira de Van Gogh. Paralelamente à atividade da pintura, dedica-se à escrita e à composição musical, tudo envolvido num processo não-consciente de expressão surrealista.

 

Inês Costa atua na área de Humanidades, com especial ênfase na História da Arte. Frequentou o primeiro ano da Licenciatura em Teatro-Interpretação (2013-2014), na Escola Superior de Música e Artes do Espetáculo do Porto (ESMAE), que interrompeu para mudar de área. É licenciada em História da Arte (2015-2018) e Mestre em História da Arte, Património e Cultura Visual (2018-2020), pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto (FLUP).

Realizou um período de intercâmbio ao abrigo do programa Erasmus+, na Università degli Studi di Verona (2017-2018, Itália), e um estágio de investigação no LAPA/UFJF (Juiz de Fora, Minas Gerais, Brasil, 2023). Atualmente, frequenta o Doutoramento em Estudos do Património (2020-), na FLUP, é Investigadora Integrada do CITCEM, Bolseira da FCT (2021.07318.BD) e uma das fundadoras da rede informal e internacional de Jovens Profissionais do Património, os Heritageeks.

Portreto de la Animo: Visita comentada por Carlos Mota Cardoso

18 de Dezembro, 2023

21 dezembro (5ªfeira), 13h30
Visita comentada por Carlos Mota Cardoso
Programa paralelo da Exposição Portreto de la Animo

Entrada: Gratuita

 

Inscrições online

Carlos Mota Cardoso é professor catedrático convidado na Escola Superior de Criminologia da Faculdade de Direito da Universidade do Porto (FDUP), docente e pesquisador na Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade do Porto (FPCEUP) e ex-diretor do Hospital Conde de Ferreira (HCF).

 

Em 2017, foi nomeado académico correspondente estrangeiro pela Real Academia Nacional de Medicina de Espanha (RANF).

Durante mais de 15 anos foi o criador e dinamizador dos célebres “Serões da Bonjóia”, um programa de inclusão das pessoas socialmente deprimidas, inclusão essa operada pelo lado da cultura.

 

Os Serões da Bonjóia foram uma iniciativa de caráter sociocultural e educativa promovida pela Fundação Porto Social com o objetivo de contribuir para o progresso e desenvolvimento social da população da Cidade do Porto, promovendo para isso um conjunto de intervenções, projetos e atividades em vários domínios.

Portreto de la Animo: Visita Comentada «Poesia e Arte Bruta»

12 de Dezembro, 2023

Sábado 19 dezembro, 18H00
Duração: 1h (aprox.)
Visita orientada por Maria Reis e Ana Mântua

Inscrições online

No âmbito da programação proposta para o mês de dezembro, decorre no dia 19, pelas 18 horas, uma visita comentada à Exposição Portreto de la Animo Art Brut Etc., dedicada ao tema «Poesia e Arte Bruta».

 

Esta visita pretende cruzar a poesia e a arte bruta, através de um exercício de leitura em voz alta. Entre retratos e versos da alma, pretende-se estimular os visitantes a percorrer o que mais os desassossega. Falaremos de Camilo Pessanha, Alejandra Pizarnik, Mário de Sá Carneiro, Adília Lopes e João Miguel Fernandes Jorge.

 

Maria Miguel Reis é licenciada em História e mestre em Estudos Literários, Culturais e Interartes, pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto. A sua dissertação de mestrado explora as relações entre poesia e cinema, a partir do livro Pickpocket, de João Miguel Fernandes Jorge. Encontra-se a realizar um estágio profissional no Museu Nacional Soares dos Reis e interessa-se, de sobremaneira, pelo diálogo entre a literatura e as outras artes.

 

Ana Mântua é licenciada em História, variante de História da Arte, e pós-graduada em Arte, Património e Restauro pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. É coordenadora da Casa-Museu Fernando de Castro, no Porto, desde 2021. Anteriormente, desempenhou funções de coordenação da Casa-Museu Anastácio Gonçalves, investigação e curadoria de exposições no Mosteiro dos Jerónimos/Torre de Belém e no Museu Nacional do Azulejo. É ainda autora de uma série de artigos científicos nas áreas do património e do colecionismo.

Museu Nacional Soares dos Reis volta a ser sala de aula da U. Porto

12 de Dezembro, 2023

Já se encontram abertas as inscrições para todos os estudantes de 1.º e 2.º ciclo da Universidade do Porto que pretendam frequentar como complemento ao plano de estudos, ao longo do 2.º semestre do ano letivo 2023/2024, mais uma edição das unidades curriculares de competências transversais “Cultura, Arte e Património”.

 

Este programa proporciona aos participantes uma formação multidisciplinar em ligação com instituições culturais da cidade, entre as quais o Museu Nacional Soares dos Reis.

Neste momento, já estão abertas as inscrições para as unidades curriculares Jardim: o Desenho e Cultivo da Biodiversidade, lecionada no Jardim Botânico da Universidade do Porto, e O Museu como Lugar de Fruição, lecionada no Museu Nacional Soares dos Reis.

 

Na unidade curricular O Museu como Lugar de Fruição, sediada na Faculdade de Letras (FLUP), as questões a colocar são: Como é, afinal, o trabalho num museu? Como é feita a conservação das peças? Como é que se conceptualiza e organiza, de forma prática, uma exposição? Que formas são utilizadas para comunicar com o(s) público(s)?

 

Acompanhados pelos profissionais do Museu Nacional Soares dos Reis, os participantes ficarão familiarizados com tudo o que é necessário para fazer funcionar e atrair o público àquele que foi o primeiro museu nacional de arte em Portugal.

145 anos da escultura «Flor Agreste» de Soares dos Reis

6 de Dezembro, 2023

Considerada uma das obras mais emblemáticas de António Soares dos Reis, a escultura Flor Agreste, em gesso patinado, foi executada em 1878, há precisamente 145 anos.

 

Supõe-se que o modelo da Flor Agreste era filha de uma carvoeira que passava por perto do atelier de Soares dos Reis. A menina foi retratada em 1878, quando Soares dos Reis aguardava a construção da sua casa-oficina na Rua Luís de Camões, em Vila Nova de Gaia.

 

A escultura em mármore foi vendida numa exposição-bazar do Centro Artístico Portuense, de que Soares dos Reis foi um dos fundadores, realizada em 1881, no Palácio de Cristal.

 

Postumamente, o modelo em gesso da Flor Agreste serviu de matriz para diversos tipos de reprodução, em vários tamanhos e materiais, conferindo à obra uma difusão extraordinária.

Considerado um dos maiores escultores portugueses do séc. XIX, António Manuel Soares dos Reis nasceu a 14 de Outubro de 1847, na freguesia de S. Cristóvão de Mafamude, Vila Nova de Gaia.

 

Era filho de Manuel Soares Júnior, proprietário de uma mercearia a retalho, e de sua mulher Rita do Nascimento de Jesus.

 

Aos 20 anos, António Soares dos Reis tornou-se pensionista do Estado no estrangeiro. Em 1867 partiu para Paris, onde frequentou o atelier de M. Jouffroy e a École Imperiale et Speciale des Beaux Arts.

 

Findo o período do pensionato regressou a Portugal, chegando a Vila Nova de Gaia nos primeiros dias de Setembro de 1872. Foi nessa altura que Soares dos Reis apresentou O Desterrado como prova documental do aproveitamento dos seus estudos, de modo a justificar a sua permanência no estrangeiro, ao abrigo da bolsa de Estudo.

 

Ainda nesse ano, a 23 de Dezembro, foi nomeado Académico de Mérito pela Academia do Porto.

 

A partir de 1881, leciona Escultura na Escola de Belas-Artes do Porto, embora discorde da orgânica do ensino.

 

Soares dos Reis é admirado pelos seus contemporâneos, recebe encomendas, participa em concursos e exposições, concebe monumentos públicos. A doença e insatisfação levam-no ao suicídio, em 1889, no seu atelier.

Programação de Natal no Museu Nacional Soares dos Reis

30 de Novembro, 2023

O Museu Nacional Soares dos Reis oferece, em dezembro, um programa de atividades evocativo da quadra natalícia, tendo como inspiração a renovada exposição de longa duração.

 

Visitas temáticas, sessões comentadas, oficinas e concertos fazem parte do calendário proposto.

A primeira iniciativa decorre a 2 e 9 de dezembro, com uma oficina de criação do cartão postal dirigida a maiores de 16 anos.

 

A pensar nas famílias será realizada uma oficina de construção de um móbil alusivo ao Natal a 16 de dezembro.

 

Em período de férias escolares, a 20 e 21 de dezembro, o Serviço de Educação dinamiza oficinas de construção de postais de Natal para crianças e jovens dos 7 aos 12 anos.

 

Nas sessões comentadas, destaca-se a sessão dedicada à pintura Visitação, de Aurélia de Souza, escolhida pelos seguidores das redes sociais do Museu Nacional Soares dos Reis como peça do mês. Na tela, a artista representa num espaço interior doméstico uma mulher vestida de negro a fazer uma vénia a um anjo. A sessão comentada realiza-se a 13 de dezembro, às 18h, com repetição dia 15, às 13h30.

 

Já as visitas temáticas decorrem entre os dias 8 e 22 de dezembro e percorrem cenas alusivas à natividade em pinturas e esculturas presentes na exposição de longa duração. O Museu Nacional Soares dos Reis propõe, igualmente, visitas comentadas que estimulam a abordagem sobre a descoberta de novos lugares, percorrendo as origens da produção artística, e a importância da Arte portuguesa na encruzilhada dos tempos (1900) e dos materiais utilizados para a produzir, tanto na pintura como no têxtil.

 

Ainda em dezembro, o Auditório do Museu Nacional Soares dos Reis acolhe dois concertos com entrada gratuita. A 16 de dezembro (sábado), às 16h, o Ensemble Music Theater traz música-cénica num repertório de 12 obras para piano, violino e violoncelo.

 

A 19 de dezembro (terça-feira), às 21h30, o Coral Vox Cantabile, o Grupo vocal “MSS Voices” e o Ensemble de Cordofones da Escola de Música Maestro Samuel Santos apresentam um Concerto de Natal, abarcando diferentes estilos, desde a música gospel à música tradicional americana.

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