O Museu Nacional Soares dos Reis inaugura, no próximo dia 30 de julho, pelas 18 horas, a exposição Coleção IFC: Matéria de Sonhos, a primeira apresentação pública, em contexto expositivo, da notável Coleção IFC, um dos mais relevantes conjuntos privados de joalharia portuguesa.
Com curadoria de Rosa Maria Mota, a exposição conta com mecenato do BPI | Fundação “la Caixa” e apoio do Círculo Dr. José de Figueiredo – Amigos do MNSR.
Reunindo mais de duas centenas de peças produzidas entre os séculos XVII e XIX, a mostra revela a riqueza material, artística e simbólica da joalharia portuguesa, propondo um percurso que evidencia a evolução das técnicas, dos estilos e das funções sociais do adorno ao longo de mais de três séculos.
Construída ao longo de mais de quatro décadas, a Coleção IFC resulta de um percurso de colecionismo marcado pelo rigor, pelo conhecimento e por um profundo compromisso com a salvaguarda da joalharia e da ourivesaria portuguesas. A exposição permite dar a conhecer ao público um património que permaneceu, em grande parte, no domínio privado, revelando numerosas peças raras ou pouco conhecidas e contribuindo para ampliar o conhecimento sobre uma das mais relevantes expressões das artes decorativas nacionais.
Guiado pela sensibilidade estética da colecionadora, este acervo estrutura-se em quatro grandes eixos: a joalharia dos séculos XVII, XVIII e XIX, e a ourivesaria popular oitocentista. Juntas, estas vertentes ilustram o papel e o uso do adorno feminino em Portugal.
Como refere a curadora Rosa Maria Mota, “mais do que a satisfação de um gosto pessoal, a constituição deste acervo tem como missão proteger e preservar uma parte importante do património cultural português”, salvaguardando testemunhos essenciais para a história da joalharia nacional e para a memória coletiva.
A mostra evidencia a extraordinária diversidade da joalharia portuguesa, reunindo tipologias representativas de diferentes épocas, contextos sociais e linguagens estéticas. Simultaneamente, evidencia o permanente enriquecimento do conhecimento científico neste domínio, permitindo aprofundar o estudo das técnicas de produção, da evolução formal das peças, das variantes regionais e da circulação de modelos ao longo do tempo.
Ao acolher esta exposição, o Museu Nacional Soares dos Reis reforça a sua missão de estudar, preservar, valorizar e divulgar o património cultural português, promovendo novas leituras sobre as coleções e criando oportunidades de aproximação entre o património e os seus públicos.
Nas palavras do Diretor do Museu, António Ponte, “esta iniciativa assume um particular significado: permite evidenciar a joalharia não apenas enquanto arte decorativa ou testemunho de uma mestria técnica notável, mas também enquanto linguagem cultural capaz de convocar questões ligadas à identidade, à memória, à representação social, à devoção, ao afeto e à circulação de modelos, materiais e influências entre geografias e culturas.”
O diálogo entre a Coleção IFC e o acervo do Museu Nacional Soares dos Reis proporciona novas perspetivas de interpretação sobre a joalharia portuguesa, evidenciando continuidades, afinidades e especificidades entre coleções de natureza distinta. Ao mesmo tempo, as peças reunidas na exposição afirmam-se não apenas pelo seu valor artístico, mas também pelo seu inegável interesse documental, constituindo importantes fontes para o estudo da produção, da circulação, da utilização e da transmissão da joalharia ao longo dos séculos.
Mais do que apresentar um extraordinário conjunto de objetos, Coleção IFC: Matéria de Sonhos convida o público a descobrir um património onde arte, técnica, memória e identidade se cruzam, revelando a joalharia como um dos mais ricos testemunhos da cultura portuguesa.
A exposição estará patente no Museu Nacional Soares dos Reis entre 30 de julho de 2026 e 31 de janeiro de 2027.



































